Esboço de Pregação em Salmo 110:1 – “Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
Importância do texto: Este é o versículo do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento. Jesus o usou para ensinar sobre sua divindade (Mateus 22:41-46), Pedro o citou no Pentecostes (Atos 2:34-35), e o escritor de Hebreus o usa para mostrar a superioridade de Cristo (Hebreus 1:13).
Natureza do Salmo: O Salmo 110 é um salmo messiânico — uma profecia sobre o Messias escrita cerca de mil anos antes de Cristo. Foi sempre entendido assim pela tradição judaica e confirmado pelo próprio Jesus.
Temas centrais: A divindade de Cristo, sua exaltação após a ressurreição, seu ministério atual no céu, e a certeza da vitória final sobre todos os inimigos.
Textos complementares: Mateus 22:41-46, Atos 2:32-36, Efésios 1:20-23, Filipenses 2:5-11, Hebreus 1:3, 8:1, 10:12-13.
Sugestão de uso: Estudos cristológicos, séries sobre a pessoa de Cristo, mensagens sobre a esperança, ou pregações sobre a vitória de Jesus.
Tipo da Pregação: Textual-Doutrinária
O Salmo 110 é especial. Não é apenas mais um salmo de louvor ou lamento. É uma janela profética que nos permite ver mil anos no futuro — uma conversa entre o Pai e o Filho antes mesmo de Jesus nascer em Belém.
Davi, o autor deste salmo, foi rei de Israel. Governou com poder e autoridade. Era o homem mais importante da nação. Mas aqui ele reconhece alguém maior que ele mesmo — alguém que ele chama de “meu Senhor”.
“Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
Este versículo é extraordinário por várias razões. Primeiro, porque revela um diálogo dentro da própria Trindade — o Pai falando com o Filho. Segundo, porque profetiza a exaltação de Jesus ao lugar de suprema honra. Terceiro, porque garante a vitória completa de Cristo sobre todos os seus inimigos.
Não é à toa que este é o versículo do Antigo Testamento mais citado no Novo Testamento. Jesus o usou para ensinar sobre sua identidade divina (Mateus 22:44). Pedro o citou no dia de Pentecostes para provar que Jesus é Senhor e Cristo (Atos 2:34-35). Paulo o referenciou ao falar sobre a vitória final de Cristo (1 Coríntios 15:25). O escritor de Hebreus o usa repetidamente para mostrar a superioridade de Jesus sobre os anjos e sobre todo o sistema levítico (Hebreus 1:13; 10:12-13).
Este versículo está no coração da fé cristã. Ele nos mostra quem Jesus é, o que Ele está fazendo agora, e o que acontecerá no futuro.
Vamos examinar cada parte desta profecia extraordinária.
“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um.” — 1 João 5:7
A primeira parte do versículo nos apresenta um diálogo misterioso: “Disse o SENHOR ao meu Senhor.”
No hebraico original, há duas palavras diferentes para “Senhor” neste versículo.
A primeira é YHWH (Yahweh ou Jeová) — o nome pessoal de Deus, o “Eu Sou”, o Deus da aliança. É o nome que Deus revelou a Moisés na sarça ardente.
A segunda é Adonai — que significa “meu Senhor” ou “meu Mestre”. É um título de autoridade e majestade.
Então Davi está dizendo: “Yahweh disse ao meu Adonai…” O Deus eterno está falando com alguém que Davi, o rei, reconhece como seu próprio Senhor.
Isso levanta uma pergunta importante: quem poderia ser Senhor do rei? Na hierarquia de Israel, o rei estava no topo. Não havia ninguém acima dele — exceto Deus.
Jesus confrontou os fariseus com esta mesma questão:
“Estando satisfeitos os fariseus, Jesus lhes perguntou, dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Disseram-lhe eles: De Davi. Disse-lhes ele: Como é, então, que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?” — Mateus 22:41-45
O argumento de Jesus é poderoso: se o Messias é apenas um descendente humano de Davi, como poderia Davi chamá-lo de “meu Senhor”? Um pai não chama seu filho de “senhor”. Um ancestral não se submete a seu descendente.
A única explicação é que o Messias é mais do que humano. Ele é filho de Davi segundo a carne, mas também é o Senhor divino de Davi. Ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus.
Os fariseus não conseguiram responder. O texto diz que “ninguém podia responder-lhe palavra, nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo” (Mateus 22:46).
É notável que Davi, mesmo sendo rei, reconheceu que precisava de um Senhor sobre sua vida. Ele não era autossuficiente. Não era a autoridade máxima. Havia alguém maior — e esse alguém era o Messias que viria de sua própria linhagem.
Davi era um homem segundo o coração de Deus porque sabia se submeter. Sabia que sua coroa não o tornava independente de Deus. Sabia que precisava de um Salvador tanto quanto qualquer outro pecador.
Para a nossa vida: Você reconhece Jesus como seu Senhor? Não apenas como Salvador que perdoa pecados, mas como Senhor que governa sua vida? Davi, sendo rei, se submeteu. E você?
“A qual ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e pondo-o à sua direita nos céus, acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro.” — Efésios 1:20-21
A segunda parte do versículo contém um convite extraordinário: “Assenta-te à minha mão direita.”
Na cultura antiga, a mão direita era o lugar de máxima honra. Quando um rei queria honrar alguém acima de todos os outros, colocava essa pessoa à sua direita.
Nos tempos dos grandes impérios, era comum o imperador enviar seu filho para comandar exércitos em regiões distantes. Quando o filho retornava vitorioso, entrava na cidade em um cortejo triunfal. À frente vinham as tropas vitoriosas. Depois, os prisioneiros de guerra acorrentados. Em seguida, os despojos da batalha.
Como recompensa pela vitória, o imperador convidava o filho a subir ao trono e sentar-se à sua direita. Era o lugar de co-regência. O filho passava a governar junto com o pai, compartilhando sua autoridade.
Jesus não recebeu este lugar de honra por acaso. Ele o conquistou.
Ele desceu do céu. Assumiu a forma de servo. Viveu entre nós. Enfrentou tentações, perseguições, rejeição. Foi até a cruz. Carregou nossos pecados. Morreu a morte que merecíamos. Desceu ao mundo dos mortos. Ressuscitou ao terceiro dia.
E então, vitorioso sobre o pecado, a morte e o inferno, subiu ao céu.
Paulo descreve esta trajetória:
“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” — Filipenses 2:8-11
A humilhação veio primeiro. A exaltação veio depois. Jesus desceu até o ponto mais baixo — a cruz. E por isso foi exaltado ao ponto mais alto — a direita do Pai.
Estar assentado à direita de Deus não significa que Jesus está inativo. Pelo contrário, Ele está plenamente ativo em nosso favor.
Ele intercede por nós. O escritor de Hebreus afirma: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25). Neste momento, Jesus está orando por você diante do Pai.
Ele governa o universo. Toda autoridade no céu e na terra foi dada a Ele (Mateus 28:18). Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hebreus 1:3). A história está sob seu controle.
Ele prepara lugar para nós. Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas… vou preparar-vos lugar” (João 14:2). Ele está preparando nossa morada eterna.
Ele envia o Espírito Santo. Pedro disse no Pentecostes: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis” (Atos 2:33). O Espírito que habita em nós foi enviado por Jesus do seu trono celestial.
Para a nossa vida: Jesus não está distante. Ele está ativo, reinando, intercedendo, preparando. O Rei do universo está trabalhando a seu favor neste exato momento.
“Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.” — 1 Coríntios 15:25-26
A terceira parte do versículo contém uma promessa de vitória total: “até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
Na antiguidade, quando um rei derrotava completamente um inimigo, às vezes colocava literalmente o pé sobre o pescoço do rei derrotado. Era um símbolo de dominação total, de vitória absoluta.
Josué fez isso com os cinco reis que se esconderam na caverna de Maquedá:
“E disse Josué: Abri a boca da caverna e trazei-me aqueles cinco reis… E sucedeu que, quando os trouxeram a Josué, chamou Josué a todos os homens de Israel e disse aos capitães dos homens de guerra que com ele tinham ido: Chegai, ponde os pés sobre os pescoços destes reis.” — Josué 10:22-24
Era a demonstração pública de que o inimigo estava completamente subjugado. Não havia mais ameaça. A vitória era total.
A promessa do Salmo 110 é que todos os inimigos de Cristo serão colocados debaixo dos seus pés. Todos. Sem exceção.
Isso inclui Satanás e seus demônios. Inclui o pecado e suas consequências. Inclui a morte, o último inimigo. Inclui todo poder que se levanta contra o reino de Deus.
Alguns desses inimigos já foram derrotados na cruz. Jesus “despojou os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou” (Colossenses 2:15). A vitória fundamental já foi conquistada.
Mas a aplicação completa dessa vitória ainda está em andamento. Por isso o texto diz “até que” — há um processo em curso. Jesus está reinando agora, e continuará reinando até que toda oposição seja eliminada.
O último inimigo a ser destruído será a morte. Quando Jesus voltar, os mortos em Cristo ressuscitarão com corpos glorificados. A morte será engolida pela vitória:
“E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” — 1 Coríntios 15:54
Enquanto esperamos a consumação final, enfrentamos muitos inimigos. O desânimo tenta nos derrubar. As enfermidades atacam nosso corpo. As dificuldades financeiras nos pressionam. As tentações nos cercam. O medo tenta nos paralisar.
Mas nenhum desses inimigos tem a palavra final. Todos estão debaixo da autoridade de Jesus. E todos serão completamente derrotados.
Paulo perguntou:
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?… Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?… Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.” — Romanos 8:31, 35, 37
Somos mais que vencedores. Não por nossa força, mas porque nosso Senhor já venceu. E a vitória dele é nossa vitória.
Para a nossa vida: Que inimigo está te ameaçando hoje? Seja qual for, lembre-se: ele já está derrotado em Cristo. A vitória final é certa. Continue firme. O Rei está no trono.
“Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés.” — Hebreus 10:12-13
O Salmo 110:1 nos apresenta verdades gloriosas sobre nosso Salvador:
Jesus é Deus. O diálogo entre o SENHOR e o Senhor de Davi revela a divindade de Cristo. Ele é mais que homem. É o Filho eterno de Deus.
Jesus está exaltado. Após cumprir sua missão na terra, Ele foi convidado a sentar-se no lugar de máxima honra — à direita do Pai. Toda autoridade lhe foi dada.
Jesus está ativo. Ele intercede, governa, prepara e envia o Espírito. Não está ocioso. Está trabalhando a nosso favor.
Jesus vai vencer completamente. Todos os inimigos serão colocados debaixo dos seus pés. A vitória final é certa.
Davi profetizou isso mil anos antes de acontecer. Os apóstolos viram o cumprimento quando Jesus ascendeu ao céu. E nós aguardamos o momento em que Ele se levantará do trono para vir buscar sua igreja.
Em breve, o Pai dirá ao Filho: “Vai buscar tua noiva.” E Jesus virá. Descerá do céu com alarido, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus (1 Tessalonicenses 4:16). E estaremos com Ele para sempre.
Enquanto isso, vivemos com esperança. Nosso Rei está no trono. Nosso Intercessor está orando. Nossa morada está sendo preparada. Nossa vitória está garantida.
Glória ao Cordeiro que está assentado à direita de Deus Pai!e ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”.