A receita de Deus para a perplexidade – Êxodo 14:13-15

A RECEITA DE DEUS PARA A PERPLEXIDADE

Êxodo 14:13-15 – Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver.
O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis.
Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.

INTRODUÇÃO

Um estudo cuidadoso do caminho pelo qual o Senhor guiou o povo de Israel proporciona um quadro esclarecedor e fascinante. Êxodo 12: 37 relata que Deus conduziu o povo de Israel de Ramessés, ao norte do delta do Nilo, até o sul de Sucote. De fato, eles se encontravam no deserto, além de Etã, quando Deus deu a Moisés uma surpreendente instrução: “Fala aos filhos de Israel que retrocedam e se acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar” (Êxodo 14: 2). O povo deveria voltar para o norte, e em seguida para o oeste, de volta ao Egito. O Senhor esclareceu a Moisés o motivo mais profundo para esse estranho e incompreensível retrocesso. “Então Faraó dirá dos filhos de Israel: Estão desorientados na terra, o deserto os encerrou. Endurecerei o coração de Faraó, para que os persiga, e serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os egípcios que eu sou o Senhor” (Êxodo 14: 3-4). E também o saberia o povo de Israel! O Senhor estava prestes a realizar um milagre que se tornaria um sinal de seu poder para todas as gerações.

DESENVOLVIMENTO

Os israelitas receberam a instrução de voltar ao Egito, rodeando o que naquela época eram os Lagos Amargos, indo para o sul, em direção de Pi-Hairote, uma das campinas a oeste dos lagos; daí para Migdol, uma torre e um posto avançado de tropas egípcias.  O povo estava cercado pelas montanhas, de um lado a guarnição de Migdol e do outro, as extremidades do lado norte do mar Vermelho. Ao avistarem a nuvem de pó das carruagens de Faraó, movendo-se através das campinas da única área aberta, eles entraram em pânico. O povo seria apanhado numa armadilha. Uma situação de desespero e perplexidade, um “beco-sem-saída”. E pensar que o Senhor os havia conduzido para lá!

Imagine a situação: Moisés não podia ir para o sul por causa das montanhas, ou para o oeste por causa da aproximação de Faraó, ou para o norte por causa da guarnição de Migdol, ou para o leste por causa do mar. Êxodo 14: 9, 10 torna-se clara a situação para os israelitas. “Perseguiram-nos os egípcios, todos os cavalos e carros de Faraó, e os seus cavalarianos e o seu exército, e os alcançaram acampados junto ao mar, perto de Pi-Hairote, defronte de Baal-Zefom. E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao Senhor. A análise que os israelitas fizeram da situação baseava-se apenas no potencial humano e não no poder de Deus. Não eram capazes de perceber o que o Senhor estava fazendo. Em cinco dias eles haviam-se esquecido das pragas, da intervenção de Deus e da libertação do Egito.

O que Moisés disse ao povo e o que Deus disse a todos eles dá-nos cinco (ministérios) pontos básicos sobre o que fazer diante das situações críticas e desesperadoras. . As cinco formas verbais descritas em Êxodo 14: 13-15 nos revelam,  primeiramente, o natural, a reação humana ante o impossível. A seguir, o que Deus deseja que façamos e sejamos quando nos defrontamos com acontecimentos impossíveis de serem equacionados pela ação humana.  Moisés disse ao povo tomado de pânico: “Não temais: aquietai-vos e vede o livramento do Senhor que hoje vos fará; porque aos egípcios que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis.”Em seguida o Senhor disse a Moisés: “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.”

Aqui está a receita para a perplexidade:

Não temais

A primeira orientação de Moisés ao povo é Não temais. A única maneira de nos livrarmos do medo é conscientizar-nos da presença e da companhia do Senhor. Ele se encarrega daquilo que é impossível para nós. E não apenas isso: Deus muitas vezes permite isso para o nosso crescimento e sua glória. Com frequência censuramos as pessoas por causa do mal e culpamos a vida pelo que nos acontece. No entanto, crescemos na graça quando cremos que nada nos pode acontecer sem a permissão do Senhor. Assumindo esse pensamento e essa posição podemos pedir a Deus seu poder e intervenção.

O mesmo canal de nossas emoções, através do qual o medo flui, pode ser o leito fluvial para a confiança e a obediência em amor. O medo não está muito longe da fé. Quando abandonamos o medo, expressando nosso sentimento a Deus, permitimos que a fé expulse-o. A partir daí podemos ter a certeza de que o Senhor está no controle e que nada permitirá que não nos leve a uma comunhão mais profunda com Ele.

Aquietai-vos

O medo nos deixa impaciente. A tendência é correr em todas as direções para escapar do perigo. Em vez disso, aquietai-vos”. Quando o medo nos envolve não devemos tomar decisões cruciais nem fazer mudanças. Primeiro, devemos permitir que Deus nos aquiete, até que estejamos seguros da sua presença e daquilo que Ele afirmou que iria fazer e, à luz dessa circunstância, o que Ele deseja que façamos. Necessitamos da perspectiva divina renovada acerca da impossibilidade.

Vede o livramento do Senhor

Deus assegurou a Moisés que faria um grande milagre. Moisés, portanto, estava na expectativa. As palavras hebraicas aqui possuem um sentido tanto retrospectivo como perspectivo. Ver a salvação do Senhor é olhar para o que Ele já fez no passado e para o que Ele promete fazer no futuro. Moisés traz à lembrança do povo as obras maravilhosas do Senhor, como uma base suficiente para confiarem a Ele o problema presente. Cada experiência em nossa vida é uma preparação para maior confiança no futuro. Pena que nós nos esquecemos disso com tanta rapidez! O povo de Israel havia substituído a paz interior pelo pânico. Eles avistaram o mar, à sua frente, aparentemente impossível, e os exércitos de Faraó atrás. Olharam ao norte, sul, leste e oeste, mas não olharam para cima – para Deus e sua fidelidade.

As únicas coisas que nos podem fazer mal são as que recusamos apresentar ao Senhor. Aquietai-vos e vede o que fará, porque pertencemos a Ele mediante a sua graça e a sua salvação.

Calai-vos

Essa ordem indica que Deus pelejará por nós. A orientação de Moisés era que se mantivessem quietos, enquanto o Senhor lutava na batalha. Não devemos nos intrometer na sua maneira de agir! Não raro, em conflitos, ficamos na defensiva com elaboradas explicações de auto justificação. Ou insistimos em dizer a última palavra ou caímos na batalha que o Senhor está vencendo por nós. Imaginemos o que teria acontecido naquele dia se, ao invés de esperar em Deus, os israelitas decidissem lutar com Faraó. A nação hebréia simplesmente não existiria. Mais tarde os israelitas cooperaram com o Senhor em muitas batalhas. Mas, desta vez, os egípcios estavam medindo forças com Deus e não com Israel. Eles eram problema de Deus e este exibia seu poder diante do seu povo.

Há um tempo para ficarmos quietos, atentos, e observarmos Deus lutando a batalha por nós. Algumas das nossas batalhas perdidas jamais foram ordenadas para nós, ou então eram muito especiais e nelas o Senhor desejou lutar por nós. Só em silêncio somos capazes de saber a diferença. Há um tempo certo para agir, mas só podemos conhecê-lo em completo silêncio.

Jeremias escreveu no livro das lamentações: “Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lam 3: 26).

Marchai

Moisés mostrou coragem e ousadia diante do povo. Dentro de si ele também tremia com a crise que se avolumava. Sua eficiente instrução militar calculava o movimento e o poderio dos exércitos de Faraó. Moisés olhou para os seus homens mal preparados e desordenados. Depois olhou para o Senhor. Sua oração não foi registrada na Palavra. Mas ele deve ter dito: “Senhor, o que devo fazer? O povo está em pânico. O temor deles me influencia cada vez mais. Deus ajuda-me!”

A resposta do Senhor é surpreendente. Ele não se impressiona com a oração de Moisés. “Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem”. Seguir em frente! Mas, Senhor, por qual caminho? Estamos bloqueados por todos os lados. Estava Deus a provar Moisés? É pouco provável. Na verdade ensinava-o que tanto a direção quanto o poder são dados no momento certo. Nunca adiantado ou atrasado. A forma específica da visão há de ser revelada. O único movimento da alma é seguir em frente.

Era hora de o Senhor dizer a Moisés como e em que caminho seguir em frente. Ao povo era ordenado o que deviam fazer mediante a fé e a Moisés, o que devia fazer em obediência. E Deus assegurou-lhe o que faria em resposta. A vara de Moisés, que se tornara a vara de Deus, veio a ser um instrumento de poder magnífico. Determinou o Senhor: “E tu, levanta a tua vara, estende a mão pelo meio do mar e divide-o, para que os filhos de Israel passem pelo meio do mar em seco. Eis que endurecerei o coração dos egípcios para que sigam e entrem nele; serei glorificado em faraó e em todo o seu exército, nos seus carros e nos seus cavaleiros” (Êxodo 14: 16, 17).

                       A nuvem que havia conduzido o povo a esse lugar de impossibilidades, agora passou para trás deles, separando-os dos egípcios que avançavam com rapidez. A proteção do Senhor ocultou-os de Faraó por um dia e uma noite. As Escrituras dão a entender que isso aconteceu na noite em que Moisés foi persuadido a seguir as instruções misteriosas do Senhor. “Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se solo seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em seco; e as águas lhes foram como muro à sua direita e à sua esquerda” (Êxodo 14: 21, 22).

Sabemos o que aconteceu…

Quando a nuvem de proteção, que ocultara Moisés e os israelitas, se levantou eles estavam bem no meio do mar, próximos à outra margem. Faraó estava tomado de compulsão e ira cega. Ele bem que poderia ter esperado e tomado uma rota mais longa ao redor do mar. Em vez disso, ordenou que suas tropas e carruagens entrassem na passagem, tal era a sua confiança arrogante de que Rá (deus sol) era maior que o Senhor. Sua confiança foi contraditada quando o fundo do mar, que se endurecera por ação milagrosa para os hebreus, tornou-se macio novamente e cedia às rodas das carruagens.

                Quando o exército se encontrava completamente dentro da passagem, Moisés recebeu ordens claras: “Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros” (Êxodo 14: 26). Aconteceu, na íntegra, como o Senhor prometeu. As águas retornaram e o exército de Faraó se afogou. O Senhor do impossível salvou o povo de Israel. “E viu Israel a grande mão que o Senhor mostrara aos egípcios; e temeu o povo ao Senhor e creu no Senhor e em Moisés, seu servo” (Êxodo 14: 31).

Conclusão

           O mesmo Deus, que realizou o impossível ao abrir o mar, é o Senhor que veio e viveu entre nós. O Senhor Jesus, ao declarar quem era – Deus conosco, usou com ousadia as palavras EU SOU. E o Calvário foi o lugar onde Ele partiu as águas da morte, de modo que pudéssemos atravessar para a vida eterna. Todo o poder de Deus repousava em Jesus e esse mesmo poder está à nossa disposição através de sua presença viva, e sempre presente. Nós temos mais que uma sarça ardente, mais que uma abertura do mar, mais que uma lembrança. O tempo e a recordação se desvanecem, porém o Senhor é o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Amém.


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