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Jesus estava profetizado – Apocalipse 1:10-18


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O Cristo Glorificado: A Visão que Transformou João

Pregação Expositiva em Apocalipse 1:17-18 – “Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.”

Tipo de Pregação: Expositiva

Texto Base: Apocalipse 1:10-20


Como Usar este Esboço

  • Leia Apocalipse 1:9-20 para captar o contexto completo da visão. João estava exilado em Patmos quando recebeu essa revelação.
  • Cada elemento da descrição de Cristo tem significado. Explore-os sem forçar alegorias que o texto não sustenta.
  • O contraste entre o Jesus humilhado e o Cristo glorificado é o coração da mensagem.

Introdução

João era velho. Estava exilado na ilha de Patmos por causa de sua fé. Era o último dos apóstolos ainda vivo. Todos os outros haviam morrido – a maioria como mártires.

Ele havia caminhado com Jesus por três anos. Comido com Ele. Dormido ao seu lado. Reclinado sobre Seu peito na última ceia. Estava ao pé da cruz quando Jesus morreu. Viu o túmulo vazio na manhã da ressurreição.

A última imagem que João tinha de Jesus era de mais de sessenta anos atrás. Um homem simples da Galileia. Cabelos crestados pelo sol. Roupas empoeiradas das estradas. Mãos calejadas de carpinteiro. E, por fim, o corpo destroçado na cruz – sangrando, ferido, morto.

Mas naquele domingo em Patmos, João viu algo que mudou tudo. Ele viu Jesus como Ele realmente é. Não mais o servo sofredor. Mas o Rei glorificado. Não mais o cordeiro levado ao matadouro. Mas o Leão da tribo de Judá.

O que João viu o fez cair como morto. E essa visão foi registrada para nós, para que também conheçamos o Cristo em toda Sua majestade.


O Contexto da Visão

“Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta.” (Apocalipse 1:10)

Exilado, mas não abandonado

João estava em Patmos “por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo” (v.9). Era uma ilha rochosa no Mar Egeu, usada pelos romanos como colônia penal. João estava ali como prisioneiro do império.

Mas estar preso pelos homens não significa estar distante de Deus. Foi justamente no exílio que João recebeu a maior revelação de toda a sua vida.

Deus encontra Seus servos nos lugares mais improváveis. José na prisão egípcia. Daniel na cova dos leões. Paulo nas cadeias romanas. João em Patmos. A perseguição não impede a revelação.

Arrebatado no Espírito

João disse que foi “arrebatado no Espírito.” Isso indica uma experiência sobrenatural. Ele foi elevado acima da realidade comum para receber visões celestiais.

Era o “dia do Senhor” – provavelmente o domingo, o dia da ressurreição, quando os cristãos se reuniam para adorar. Mesmo sozinho na ilha, João guardava o dia do Senhor. E nesse dia, o Senhor veio encontrá-lo.

Uma voz como de trombeta

A primeira coisa que João percebeu foi uma voz. Não uma voz suave, mas uma voz como de trombeta – alta, clara, impossível de ignorar.

Que contraste com o Jesus que João conhecera! Isaías havia profetizado sobre o servo sofredor: “Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça” (Is 42:2). Jesus foi levado como ovelha muda ao matadouro.

Mas agora, Sua voz ressoa como trombeta. Porque agora Ele não vem para sofrer, mas para reinar. Não para ser julgado, mas para julgar.


A visão do Cristo Glorificado

“E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem.” (Apocalipse 1:12-13a)

João se virou para ver quem falava. E o que ele viu o deixou prostrado.

No meio dos castiçais

Jesus estava “no meio dos sete castiçais de ouro.” Mais adiante, o próprio Cristo explica: “Os sete castiçais que viste são as sete igrejas” (v.20).

O Cristo glorificado está no meio da Sua igreja. Não distante. Não ausente. No meio. Caminhando entre os castiçais. Presente, ativo, atento.

Ele conhece cada igreja. Sabe suas obras, suas lutas, suas falhas, suas vitórias. Nada escapa ao Seu olhar. E Ele continua presente, mesmo quando a igreja não percebe.

Semelhante ao Filho do Homem

“Filho do Homem” era o título favorito de Jesus para Si mesmo durante Seu ministério terreno. Enfatizava Sua humanidade, Sua identificação conosco.

Mas agora, o Filho do Homem aparece em glória celestial. Daniel havia visto essa mesma figura: “um como o filho do homem” vindo com as nuvens do céu, recebendo domínio, glória e reino (Dn 7:13-14).

Jesus continua sendo o Filho do Homem – nosso irmão, nosso representante. Mas Ele é também o Rei glorificado que recebeu todo poder.


Os Detalhes da Glória

Cada elemento da descrição de Cristo revela algo sobre Seu caráter e autoridade.

Vestes talares e cinto de ouro

“…vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.” (v.13b)

Na cruz, Jesus foi despido. Os soldados sortearam Suas roupas. Ele morreu nu, humilhado.

Mas agora está vestido com vestes que chegam até os pés – vestes de dignidade, de sacerdócio, de realeza. O cinto de ouro fala de autoridade e riqueza divina.

O humilhado foi exaltado. O desprezado foi coroado. O servo tornou-se Rei.

Cabelos brancos como a neve

“E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve.” (v.14a)

Essa descrição remete a Daniel 7:9, onde o “Ancião de Dias” é descrito com cabelos brancos como lã pura. Os cabelos brancos representam eternidade, sabedoria e santidade.

Jesus não é o “menino Jesus” das imagens populares. Ele é o Eterno. Existia antes de todas as coisas. Seus pensamentos são santos, puros, perfeitos.

Olhos como chama de fogo

“…e os seus olhos como chama de fogo.” (v.14b)

Os olhos de fogo penetram, perscrutam, revelam. Nada se esconde desse olhar. Ele vê o exterior e o interior. Conhece as obras e os motivos. Sonda os pensamentos e as intenções.

Para os hipócritas, esse olhar é aterrorizante. Mas para os sinceros, é libertador. Não precisamos fingir diante de Alguém que já conhece tudo sobre nós – e mesmo assim nos ama.

Pés como bronze polido

“E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha.” (v.15a)

Os pés de Jesus, que um dia caminharam empoeirados pelas estradas da Galileia, agora brilham como bronze refinado.

Bronze na Bíblia está associado a julgamento. Os pés de bronze falam de Alguém que vem para julgar com justiça. Seus passos são firmes, inabaláveis, inexoráveis.

Voz como muitas águas

“…e a sua voz como a voz de muitas águas.” (v.15b)

Imagine o som de uma grande cachoeira, de ondas quebrando na costa, de um rio caudaloso. É uma voz majestosa, poderosa, que enche todo o ambiente.

A mesma boca que um dia ficou em silêncio diante dos acusadores agora fala com autoridade que faz tremer céu e terra.

Sete estrelas na mão direita

“E ele tinha na sua destra sete estrelas.” (v.16a)

Jesus explica: “As sete estrelas são os anjos das sete igrejas” (v.20). Os líderes ou mensageiros das igrejas estão na mão de Cristo.

A mão direita é lugar de honra, proteção e poder. Os que servem a Cristo estão seguros em Sua mão. Ninguém pode arrebatá-los dali.

Espada de dois gumes na boca

“…e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios.” (v.16b)

A espada que sai da boca é a Palavra de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito” (Hb 4:12).

Cristo julga pela Sua Palavra. Ele não precisa de outras armas. Sua Palavra é suficiente para vencer todos os inimigos.

Rosto como o sol

“…e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.” (v.16c)

O rosto de Cristo brilha com glória ofuscante. Foi assim que Paulo O viu no caminho de Damasco – uma luz mais forte que o sol do meio-dia (At 26:13).

Esse é o Jesus verdadeiro. Não o Jesus domesticado das imagens religiosas. Mas o Cristo em toda Sua glória, diante de quem os homens caem como mortos.


A Reação de João

“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto.” (Apocalipse 1:17a)

João não ficou em pé admirando a visão. Ele caiu. Prostrou-se como morto.

A resposta adequada à glória

Isso acontece repetidamente na Bíblia. Isaías viu o Senhor e disse: “Ai de mim! Pois estou perdido” (Is 6:5). Ezequiel viu a glória de Deus e caiu com o rosto em terra (Ez 1:28). Daniel viu um ser celestial e suas forças o abandonaram (Dn 10:8).

A visão da glória divina revela nossa pequenez. Nossa fragilidade. Nossa indignidade.

João havia reclinado sobre o peito de Jesus na última ceia. Mas agora, diante do Cristo glorificado, ele cai como morto.

O toque que restaura

“…e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas.” (v.17b)

Mas Jesus não o deixou prostrado. Colocou Sua mão direita sobre João – a mesma mão que segurava as sete estrelas – e disse: “Não temas.”

Esse é nosso Deus. Ele é glorioso o suficiente para nos fazer cair. E compassivo o suficiente para nos levantar.


As Palavras do Cristo Vivo

“Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1:17c-18)

Jesus Se identificou com palavras poderosas.

O Primeiro e o Último

Ele é o Alfa e o Ômega. O começo e o fim. Antes dEle, nada existia. Depois dEle, nada existirá. Ele abrange toda a história, todo o tempo, toda a eternidade.

Fui morto, mas estou vivo

Aqui está o coração do evangelho. Jesus morreu – realmente morreu. Mas Ele ressuscitou – e está vivo para sempre.

A morte não pôde segurá-Lo. O túmulo não pôde contê-Lo. Ele é o Vivo, o Ressurreto, o Eterno.

Tenho as chaves da morte e do inferno

Chaves representam autoridade e controle. Jesus tem as chaves da morte e do Hades (o mundo dos mortos).

A morte não é mais senhora. Jesus a derrotou. Ele decide quem entra e quem sai. Ele tem a última palavra sobre a vida e a morte.

Para quem está em Cristo, isso é consolo supremo. A morte não é o fim. É uma porta – e Jesus tem a chave.


Conclusão

João viu o Cristo glorificado. Não mais o servo sofredor, mas o Rei majestoso. Não mais o cordeiro mudo, mas o Leão que ruge. Não mais o crucificado, mas o Ressurreto.

Essa visão foi dada não apenas para João, mas para nós. Para que saibamos quem realmente é Aquele em quem cremos.

Ele é o Primeiro e o Último. O Vivo que estava morto e vive para sempre. O que tem as chaves da morte e do inferno. O que caminha no meio da Sua igreja com olhos de fogo e voz de trovão.

E esse Cristo glorioso olha para você hoje e diz: “Não temas.”

Não tema a morte – Ele a venceu. Não tema o futuro – Ele o controla. Não tema o julgamento – Ele é seu Advogado. Não tema o inimigo – Ele já o derrotou.

O mesmo Jesus que João conheceu nas estradas da Galileia é o Cristo glorificado do Apocalipse. Ele não mudou em Sua essência – mas agora Se revela em toda Sua majestade.

Que essa visão transforme a forma como você O vê. Que ela produza temor santo e adoração profunda. E que ela encha seu coração de esperança, porque o Cristo glorificado está vivo, está presente e está voltando.

Amém.


Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que João caiu como morto ao ver Jesus, se eles eram amigos íntimos?

Durante o ministério terreno, Jesus velou Sua glória para habitar entre os homens. João conhecia Jesus em Sua humanidade. Agora, ele via Cristo em Sua glória divina plena – algo que nenhum ser humano pode suportar por suas próprias forças. Mesmo conhecendo Jesus, a visão da majestade divina revelou a distância entre o Criador e a criatura.

2. O que são os “sete castiçais” e as “sete estrelas”?

O próprio Jesus explica no versículo 20: os sete castiçais são as sete igrejas da Ásia, e as sete estrelas são os anjos (ou mensageiros) dessas igrejas. Jesus caminha no meio dos castiçais, mostrando Sua presença ativa na igreja, e segura as estrelas em Sua mão, indicando Seu cuidado e autoridade sobre os líderes.

3. Por que os detalhes físicos de Jesus são tão diferentes do que imaginamos?

A descrição não é literal no sentido de aparência física normal. É linguagem simbólica que revela atributos divinos: cabelos brancos (eternidade e santidade), olhos de fogo (onisciência e julgamento), pés de bronze (juízo), etc. João está descrevendo a glória divina usando as melhores palavras humanas disponíveis.

4. O que significa Jesus ter “as chaves da morte e do inferno”?

Chaves simbolizam autoridade e controle. Jesus, ao morrer e ressuscitar, conquistou autoridade sobre a morte e o Hades (mundo dos mortos). Ele decide o destino eterno. Para os crentes, isso significa que a morte não tem poder final – Jesus abrirá a porta para a vida eterna.

5. Como essa visão se aplica à minha vida hoje?

Essa visão nos convida a ver Jesus como Ele realmente é – não apenas o “amigo” acessível, mas o Rei glorioso diante de quem devemos nos prostrar. Isso produz temor santo (reverência), adoração genuína, e também grande consolo, pois esse Cristo todo-poderoso está ao nosso lado, nos diz “não temas”, e garante nossa eternidade.


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