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Consolo na tribulação – 2 Coríntios 1:3-5

Consolo na tribulação

Pregação Expositiva em 2 Coríntios 1:3-5 – Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo.


Tipo: Expositiva

Texto-base: 2 Coríntios 1:3-5

Textos complementares: Hebreus 4:15-16; 2 Coríntios 12:9-10; Lucas 15:20; João 14:16

Tema: O Deus de toda consolação nos consola em todas as aflições e nos faz instrumentos de consolo para os outros.

Propósito: Fortalecer os irmãos que passam por provações, mostrando de onde vem o consolo de Deus e para que ele nos é dado.


Como usar este esboço

Este esboço serve principalmente para fortalecer e consolar a igreja em tempos difíceis. Ele funciona muito bem em um culto geral, em uma série sobre as cartas de Paulo ou em um domingo em que a igreja carrega lutas pesadas: doença, luto, desemprego, pressão no trabalho ou na família. O pastor também pode adaptá-lo para visitas a enfermos ou para uma reunião de oração. Há um convite evangelístico no final, para quem ainda não conhece o consolo de Cristo.

Sugestão de uso: leia 2 Coríntios 1:3-5 devagar. Convide o povo a pensar em uma dificuldade real que está vivendo. Depois desenvolva os três tópicos e termine com o convite.


Introdução

Todos nós já passamos por dias em que parece que o chão sumiu. Uma notícia ruim, uma perda, uma doença, uma porta fechada. Nessas horas, muita gente fala, mas poucos consolam de verdade.

Os irmãos de Corinto sabiam bem como era isso. A cidade era rica e movimentada, famosa pelo comércio e pelos costumes soltos. Era um lugar onde a imoralidade e a idolatria faziam parte da vida diária. A igreja nascera ali, no meio disso tudo, e vivia pressionada. Quem queria ser fiel ao Senhor Jesus muitas vezes era visto como estranho, atrasado, fora de moda. A própria igreja também tinha seus problemas por dentro, e Paulo precisou corrigir vários deles.

Foi para esse povo cansado que o apóstolo escreveu palavras de consolo. E elas servem para nós. Hoje também vivemos entre pessoas que não pensam como nós, e muitas vezes nos sentimos sozinhos nessa caminhada. Vamos ver o que Paulo diz sobre o consolo na tribulação.


1. A certeza do consolo

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.” (2 Coríntios 1:3, ARC)

Paulo começa bendizendo a Deus. Antes de falar das dificuldades, ele olha para quem Deus é. Quando a gente está aflito, o primeiro impulso é olhar para o problema. Paulo nos ensina a olhar primeiro para o Senhor. Ele nos mostra três coisas sobre o consolo que vem dEle.

A fonte do consolo

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2 Coríntios 1:3, ARC)

O consolo não nasce em nós. Ele vem de Deus, o Pai do nosso Senhor Jesus Cristo. Isso importa muito. Os irmãos de Corinto podiam sentir que ninguém estava do lado deles, mas Paulo lembra que o Pai conhece cada necessidade.

Pense em uma criança que se perde no mercado. Ela chora, olha para todos os lados e acha que ninguém a vê. Mas, de longe, a mãe já está procurando por ela. Do mesmo jeito, quando nos sentimos sozinhos, o Pai já sabe onde estamos e o que estamos passando. Hoje somos minoria em muitos lugares, e muita gente não entende a nossa fé. Mas ninguém precisa carregar o peso sozinho. O nosso Pai sabe e cuida.

A compaixão do Pai

“O Pai das misericórdias.” (2 Coríntios 1:3, ARC)

Repare que Paulo não diz apenas “Deus de misericórdias”. Ele diz Pai de misericórdias. Isso mostra um cuidado de pai, de quem se importa de perto com os filhos. Misericórdia é a compaixão que se move ao ver alguém sofrendo. O nosso Pai não fica olhando de longe. Ele se comove e age.

O Senhor Jesus mostrou esse coração do Pai na parábola do filho pródigo. O filho foi embora, gastou tudo e acabou na miséria. Quando decidiu voltar, o texto diz:

“E, levantando-se, foi para seu pai. E, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou.” (Lucas 15:20, ARC)

Esse pai não aprovou o erro do filho. Mas também não o recebeu com raiva. Estava de olho na estrada, esperando. Assim é o coração do nosso Pai. Ele não aprova o pecado, mas se importa com o nosso sofrimento, até quando nossas próprias escolhas nos trouxeram até aqui. E está sempre pronto a nos receber de volta.

O suprimento de Deus

“E Deus de toda a consolação.” (2 Coríntios 1:3, ARC)

Paulo não diz que Deus tem “um pouco” de consolo, nem “bastante”. Ele diz toda a consolação. Não existe tristeza, perda ou aperto para o qual o Senhor não tenha consolo suficiente. O estoque dEle nunca acaba.

A palavra que Paulo usa aqui para “consolação” quer dizer “ficar ao lado de alguém” para ajudar e sustentar. Ela dá ideia de alívio e também de força. O consolo de Deus não é só uma palavra bonita que acalma por um momento. Ele conforta e fortalece ao mesmo tempo. Essa palavra tem a mesma raiz do nome que o Senhor Jesus deu ao Espírito Santo, o Consolador, aquele que vem para ficar ao nosso lado (João 14:16). Quem é de Cristo tem o Espírito Santo morando dentro de si, e é por meio dEle que o Pai nos sustenta nas horas difíceis.


2. O consolo que se reparte

“Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.” (2 Coríntios 1:4, ARC)

Agora Paulo mostra que o consolo de Deus não termina em nós. Ele passa por nós para chegar a outras pessoas. Isso se vê em três aspectos.

Nossa segurança

“Que nos consola em toda a nossa tribulação.” (2 Coríntios 1:4, ARC)

A palavra “tribulação” quer dizer pressão, estar esmagado debaixo de um peso. Paulo conhecia isso de perto. Mas ele diz que Deus nos consola em toda tribulação, e não apenas em algumas. Não existe aperto grande demais para o Senhor.

Pode haver épocas em que pareça que não vamos aguentar. Mas Deus dá força para cada dia, e ninguém é largado sozinho debaixo do peso. Ele pode não tirar o problema na hora, mas está ao nosso lado e nos sustenta enquanto passamos por ele.

Nossa sensibilidade

“Para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação.” (2 Coríntios 1:4, ARC)

Deus nos consola, e também nos dá uma tarefa. O consolo que recebemos não é só para nós. Quem passou por uma perda sabe como é diferente ouvir palavras de alguém que também já chorou por isso. Quem já esteve doente entende o medo de quem está no hospital. Quem já ficou desempregado sabe o peso de quem não consegue pagar as contas.

Convém ter cuidado com uma frase que muita gente diz: “Eu sei exatamente como você se sente.” Na verdade, ninguém sabe exatamente o que o outro sente. Cada dor é única. Mas quem já passou por algo parecido tem mais jeito de se aproximar, de ouvir, de orar junto e de dizer: “Eu também passei por isso, e Deus me sustentou.”

E há alguém que realmente entende o que sentimos. O Senhor Jesus conhece cada dor nossa:

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; mas tentado em tudo, à nossa semelhança, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4:15-16, ARC)

Ele foi rejeitado, perseguido, abandonado pelos amigos. Carregou o nosso pecado na cruz e sofreu a ira de Deus em nosso lugar. Não há dor nossa que o Senhor Jesus não compreenda.

Nossa força

“Com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.” (2 Coríntios 1:4, ARC)

Quando passamos por uma prova e vemos Deus nos sustentando, algo fica em nós: uma fé mais firme e uma sabedoria que só o sofrimento ensina. Essa experiência nos prepara para ajudar outros que estão no mesmo caminho.

Ninguém gosta de sofrer. Mas é bom lembrar que Deus pode usar até as nossas lutas para fazer bem a outras pessoas. A Bíblia diz que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem dos que o amam (Romanos 8:28). Por isso, em vez de pedir apenas “Senhor, tira isto de mim”, podemos também orar: “Senhor, ensina-me o que queres me ensinar e usa isto para ajudar alguém.”

Quem nunca atravessou um vale tem pouco a dizer a quem está nele. Mas quem foi sustentado por Deus no meio da dor pode estender a mão com firmeza e com amor.


3. O consolo que cresce

“Porque, como as aflições de Cristo abundam em nós, assim também a nossa consolação abunda por meio de Cristo.” (2 Coríntios 1:5, ARC)

Por fim, Paulo mostra uma bênção que muita gente não espera: quando o sofrimento cresce, o consolo cresce junto.

O alcance: sofrer com Cristo

“As aflições de Cristo.” (2 Coríntios 1:5, ARC)

Paulo fala aqui de aflições “de Cristo”. Todo ser humano sofre neste mundo caído, pois a dor faz parte da vida desde que o pecado entrou nela. Mas há um sofrimento especial: o que vem por pertencermos ao Senhor Jesus e por vivermos para Ele. Os coríntios sofriam por causa da fé, como o Senhor Jesus sofreu por causa da missão que o Pai lhe deu.

Quem pertence a Cristo pode esperar, em algum momento, ser mal compreendido, ridicularizado ou até perseguido por causa dEle. O Senhor Jesus mesmo avisou isso aos discípulos (João 15:18-20). Mas esse tipo de sofrimento tem um valor especial, porque nos liga ao nosso Senhor.

O significado: parecer-se com Cristo

“Como as aflições de Cristo abundam em nós.” (2 Coríntios 1:5, ARC)

Quanto mais vivemos como o Senhor Jesus viveu, menos nos encaixamos no jeito do mundo. O mundo rejeitou o nosso Senhor, e seria estranho se nos recebesse de braços abertos quando vivemos como Ele. Por isso, pode haver oposição, e ela tende a aumentar à medida que a sociedade se afasta dos princípios de Deus. Mas não precisamos ter medo: o Senhor Jesus venceu o mundo (João 16:33).

A satisfação: consolo que transborda

“Assim também a nossa consolação abunda por meio de Cristo.” (2 Coríntios 1:5, ARC)

Aqui está a grande bênção. À medida que as aflições por Cristo aumentam, o consolo dEle aumenta também. O texto mostra uma proporção: quanto maior a pressão, maior a ajuda. Deus não deixa o seu filho sofrer sem sustento. A carne nunca vai gostar de sofrer, mas o coração pode encontrar paz e alegria no Senhor.

Paulo viveu isso. Quando pediu a Deus que tirasse o seu sofrimento, ouviu esta resposta:

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso, sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo; porque, quando estou fraco, então, sou forte.” (2 Coríntios 12:9-10, ARC)

Paulo descobriu que, nas horas de maior fraqueza, a força de Cristo aparecia mais. Isso não quer dizer que ele gostava de sofrer. Quer dizer que ele aprendeu a se apoiar no Senhor, e viu o Senhor ser fiel.


Conclusão

As dificuldades fazem parte da vida. Vivemos em um mundo caído, entre pessoas que também sofrem, e até o crente ainda luta contra a sua própria fraqueza. Mas não caminhamos sozinhos. Temos um Pai de misericórdias e Deus de toda consolação, que nos sustenta em cada prova. E o consolo que recebemos não é para guardar: é para dividir com quem está sofrendo ao nosso lado.

Aplicações para esta semana:

  • Pense em alguém que está passando por uma dificuldade parecida com a que você já viveu. Procure essa pessoa e ofereça uma palavra, uma visita ou uma oração.
  • Se você está atravessando um vale agora, não carregue isso sozinho. Fale com o Senhor e peça também o apoio de um irmão em Cristo.
  • Em vez de apenas pedir que a prova passe, peça a Deus que lhe ensine algo por meio dela.

Convite: Se você está cansado hoje e sente que não aguenta mais, venha ao Senhor. Ele tem consolo e força para você. E se você ainda não conhece o Senhor Jesus como Salvador, saiba que ainda não conhece o consolo que há nEle, nem tem a companhia do Espírito Santo, o Consolador. Se Deus está falando ao seu coração, não deixe para depois. Entregue a sua vida a Cristo hoje e seja salvo.


Perguntas frequentes

1. O que significa a palavra “consolação” em 2 Coríntios 1:3-5?
Quer dizer “ficar ao lado de alguém” para aliviar e sustentar. Não é só uma palavra gentil que acalma. É uma ajuda que conforta e dá força ao mesmo tempo.

2. O consolo de Deus tira o problema?
Nem sempre. Muitas vezes Deus nos sustenta enquanto atravessamos a prova e nos dá paz e força para continuar. O que a Bíblia promete é que Ele estará conosco em toda tribulação.

3. Por que Paulo diz “Pai das misericórdias” e não só “Deus de misericórdias”?
Porque a palavra “Pai” mostra um cuidado próximo e amoroso, de quem cuida dos filhos de perto. O nosso Deus não olha o sofrimento de longe: Ele se comove e age.

4. Todo sofrimento é “aflição de Cristo”?
Não. Todos sofremos por viver em um mundo caído. As “aflições de Cristo” são aquelas que vêm por pertencermos a Ele e vivermos para Ele. Nesses casos, o consolo de Cristo também cresce em nós.

5. Como posso consolar outras pessoas?
Ouvindo com paciência, orando com elas, estando presentes e contando, com humildade, como Deus nos sustentou em situações parecidas. Não precisamos ter todas as respostas. Muitas vezes, a presença e a oração já consolam.


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Eduardo Chaves

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