A muralha que caiu por dentro
Pregação Expositiva Narrativa em Josué 6:1-20 – Ora, Jericó cerrou-se e estava cerrada por causa dos filhos de Israel: nenhum saía nem entrava. Então, disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, e ao seu rei, e aos seus valentes e valorosos.
Texto: Josué 6:1-20
Tema: A vitória sobre o que bloqueia a bênção vem quando obedecemos a Deus até o fim, do jeito dele.
Propósito: Levar o ouvinte a perseverar na obediência diante do obstáculo e a confiar que a vitória já é de Deus.
Cena
Imagine o que é estar ali.
Quarenta anos de deserto nas costas. Quarenta anos de areia, de sol, de fome, de espera. Toda uma geração nasceu e morreu caminhando. E agora, finalmente, o povo de Israel chega à beira da terra prometida. Dá para sentir o cheiro de Canaã. Falta pouco. Falta só entrar.
E aí, bem na entrada, está ela. Jericó.
Levante os olhos com aquele povo e veja o tamanho da coisa. Uma muralha. Enorme. De pedra. Alta como nada que eles já tinham visto. Os portões fechados, trancados por dentro. O texto diz: “Jericó estava completamente fechada por causa dos israelitas; ninguém saía nem entrava.” A cidade se fechou toda por causa deles. Ninguém entra. Ninguém sai. É um muro de pedra entre o povo e a promessa.
Pense na frustração. Você esperou quarenta anos. Você atravessou o deserto. A bênção está do outro lado, você quase toca com a mão. E no último passo, um muro gigante parado na sua frente, como se zombasse de toda a sua esperança.
Você conhece esse muro, não conhece? Quando você acha que vai finalmente tomar posse daquilo que Deus prometeu, surge uma muralha. Um problema que não resolve. Uma porta que não abre. Uma situação que parece impossível, parada bem na entrada da sua bênção.
Fica aqui, diante do muro, com esse povo. Porque o que Deus vai fazer em Jericó, Ele quer fazer na sua vida.
Movimento 1: A vitória foi dada antes de o muro cair
“Então o Senhor disse a Josué: Olha, entreguei na tua mão Jericó, o seu rei e os seus homens valentes.” (Josué 6:2)
Olhe o momento exato em que Deus fala. O muro está de pé. Os portões estão trancados. Nenhuma pedra se moveu. Nada mudou na paisagem. E é justamente aí que Deus diz a Josué: “entreguei na tua mão Jericó”.
Repare no tempo do verbo. Não é “eu vou entregar”. Não é “talvez eu entregue, se vocês se esforçarem bastante”. É “entreguei”. Já está feito. A vitória foi declarada antes da batalha. O muro ainda estava inteiro, e Deus já falava da cidade como se ela já fosse de Israel.
Isso muda tudo no jeito de encarar a muralha. Porque Josué não ia marchar para conquistar a vitória. Ele ia marchar porque a vitória já tinha sido dada. A batalha não era para ver se Deus ia entregar; era para tomar posse do que Deus já tinha entregado. A pedra ainda estava em pé, mas, no céu, a cidade já tinha caído.
E entenda de onde vinha a confiança de Josué. Logo em seguida, quem vai à frente de todo o povo é a arca. Aquela arca representava a presença de Deus no meio do povo, a aliança dele com Israel. Não era o exército que ia na frente. Era a presença de Deus. Eles não marchavam sozinhos contra o muro; marchavam atrás daquele que já tinha vencido.
Vira para você.
Você está olhando para a sua muralha e só vê a pedra. Vê o problema de pé, inteiro, sem uma rachadura. E conclui: “não tem saída”. Mas deixa eu te perguntar uma coisa: e se Deus já tiver falado sobre esse muro antes de ele cair?
Porque é isso que Ele faz. A palavra de Deus sobre a sua situação vem antes de a situação mudar. O muro ainda está de pé na sua vida, mas isso não quer dizer que Deus não agiu. Quer dizer que você ainda não viu cair. A sua parte não é fabricar a vitória com as suas forças. É marchar atrás da presença de Deus, confiando que aquele que vai à sua frente já entregou a cidade na sua mão. Para de medir a sua esperança pelo tamanho do muro. Mede pelo tamanho de quem já disse “entreguei”.
Movimento 2: A vitória vem do jeito de Deus, não do nosso
“Rodeareis, pois, a cidade… uma vez; assim fareis por seis dias… e os sacerdotes tocarão as trombetas.” (Josué 6:3-4)
Agora Deus dá a ordem de como a cidade ia cair. E é aqui que a história fica desconcertante. Porque o plano de Deus não tinha nada a ver com o que um general faria.
Deus não mandou construir torres de cerco. Não mandou arrombar os portões. Não mandou cavar por baixo da muralha. O plano de Deus foi este: marchem em volta da cidade, uma vez por dia, em silêncio, com a arca e as trombetas, durante seis dias. E no sétimo, deem a volta sete vezes, toquem as trombetas e gritem.
Pare e imagine a cara dos soldados ao ouvir esse plano. Dar voltas? Só andar em círculo em volta do muro? Que estratégia militar é essa? Do ponto de vista humano, aquilo era ilógico, era sem sentido, era quase ridículo. Lá em cima do muro, os moradores de Jericó deviam estar rindo daquele povo que só andava em volta sem atacar.
E aqui estava a grande prova para Josué. Porque a mente humana sempre aconselha o atalho. A mente humana diz: “dá um jeitinho, pula o muro, cava um túnel, usa a esperteza, resolve do teu jeito”. Imagine se Josué tivesse feito isso. Se ele tivesse decidido atacar do jeito dele, com a lógica dele. Provavelmente a história dele nem estaria na Bíblia, e a gente precisaria de outro texto para pregar hoje. Mas Josué escolheu o caminho de Deus, mesmo sem entender, mesmo sem lógica, mesmo parecendo loucura.
Vira para você.
Diante da tua muralha, qual caminho você tem escolhido? Porque existe sempre o jeito de Deus e o “jeitinho”.
O jeitinho é a solução mundana, o atalho, a mentira pequena, a esperteza, o acordo errado, o “todo mundo faz assim”. A mente da gente grita que é mais rápido, mais fácil, mais lógico. E muita gente tenta derrubar a muralha assim, com as próprias mãos, pelos próprios meios, e só se machuca na pedra.
Mas Deus muda as situações pelo caminho da integridade e da justiça, não pelo atalho. E, muitas vezes, o caminho que Ele aponta parece ilógico. Perdoar quando você queria revidar. Esperar quando você queria forçar. Ser honesto quando a desonestidade resolveria mais rápido. Obedecer uma palavra que não faz sentido na sua cabeça. Deixa eu te dizer com franqueza: a muralha da sua vida não vai cair pelo teu atalho. Ela cai quando você obedece a Deus do jeito dele, mesmo quando o jeito dele parece que não vai funcionar. Larga o jeitinho. Marcha do jeito de Deus.
Movimento 3: A vitória é de quem continua marchando
“E sucedeu que, ao sétimo dia… rodearam a cidade sete vezes… e Josué disse ao povo: Gritai, porque o Senhor vos deu a cidade.” (Josué 6:15-16)
Agora acompanhe os dias, porque é aqui que mora a parte mais difícil.
Primeiro dia. O povo se levanta, marcha em volta de Jericó, uma volta, em silêncio, e volta para o acampamento. E o muro continua de pé. Nenhuma pedra caiu. Nada aconteceu.
Segundo dia. De novo. Levantar, marchar, dar a volta, voltar. E o muro, lá, inteiro. Nada.
Terceiro dia. A mesma coisa. Quarto dia. Quinto. Sexto. Seis dias marchando em volta do mesmo muro, e toda noite voltando para a cama com a mesma paisagem: a muralha de pé, zombando.
Pense no desânimo que devia bater. Imagine o israelita acordando no quarto dia, no quinto dia, pensando: “de novo? Vou andar em volta desse muro de novo? Ontem não aconteceu nada, anteontem não aconteceu nada. Para quê?”. Deve ter sido duro levantar da cama sabendo que, na véspera, nada tinha mudado.
Você já sentiu isso? Você orou, e nada. Orou de novo, e nada. Obedeceu, esperou, confiou, e a muralha continuou de pé, dia após dia. E veio aquela voz dizendo: “desiste, não adianta, não vai mudar”. Esse é o teste do terceiro dia, do quinto dia, do sexto dia. O teste de continuar obedecendo quando nada parece acontecer.
Mas olha o sétimo dia. No sétimo dia, eles deram a volta não uma, mas sete vezes. E então as trombetas soaram, o povo gritou, e a muralha que resistiu seis dias inteiros desabou. Caiu por completo. E o povo entrou e tomou a cidade.
Vira para você.
A muralha de Jericó não caiu no primeiro dia. Caiu no último. E, se Israel tivesse desistido no sexto dia, teria parado a um dia da vitória. Teria ido embora com o muro ainda de pé, sem saber que faltava só mais uma obediência.
Quantas pessoas desistem na véspera. Quantas largam a oração, largam a fé, largam a obediência, bem na hora em que a muralha já estava rachando por dentro, prestes a cair. Deixa eu te dizer uma coisa: a sua fé precisa ser mais firme do que a muralha. Mais resistente do que a pedra. O obstáculo é teimoso, mas você precisa ser mais teimoso na obediência do que ele é na resistência. Não desista no sexto dia. Você não sabe quão perto está o sétimo.
A virada
Agora para tudo, porque tem uma pergunta aqui que quase ninguém faz.
Diante da muralha, a pergunta que a gente sempre faz é: “Senhor, quando é que esse muro vai cair? Quando a minha situação vai mudar? Quanto tempo mais eu tenho que esperar?”. A gente vive perguntando o quando.
Mas repare: essa nunca foi a pergunta de Deus. A pergunta que Deus estava fazendo a Israel, dia após dia, era outra: “você vai continuar marchando enquanto o muro ainda está de pé?”.
Pensa nisso. A muralha não caiu quando o povo entendeu o plano. Não caiu quando a estratégia passou a fazer sentido. Caiu quando eles obedeceram até o fim, sem ver resultado, confiando só na palavra de Deus. A chave nunca foi a força do braço deles. Foi a persistência da obediência. Eles não derrubaram o muro empurrando; o muro caiu por dentro, pela mão de Deus, quando eles foram fiéis até a última volta.
E aqui vem a virada mais profunda. Existe uma muralha que nenhuma marcha sua derruba. Por mais voltas que você dê, por mais que você se esforce, por mais religioso que você seja, tem um muro que você não consegue derrubar com nenhuma obediência sua: o muro do pecado, que separa você de Deus. Esse muro é alto demais, grosso demais, antigo demais para a tua força.
Só que esse muro já caiu. Não pela tua mão. Pela do Senhor Jesus. Quando Ele morreu na cruz, a Bíblia diz que o véu do templo se rasgou e a parede que separava o homem de Deus veio abaixo. A maior muralha da história, a que te mantinha longe de Deus, o Senhor Jesus derrubou por você. Não é você que entra à força na presença de Deus; é Ele que abriu o caminho.
Apelo
Então eu te chamo hoje.
Se você é um filho de Deus parado diante de uma muralha, cansado, quase desistindo porque nada mudou, ouve isto: não larga agora. A tua vitória já foi entregue; a tua parte é continuar marchando atrás da presença de Deus, do jeito dele, até o fim. Não busca o atalho. Não desiste na véspera. Dá mais uma volta. Obedece mais um dia. O muro que resistiu seis dias cai no sétimo, e você não sabe quão perto está o teu sétimo dia.
E se você ainda está do lado de fora do maior muro de todos, o muro do pecado que te separa de Deus, para de tentar derrubá-lo com as tuas forças, com a tua religião, com os teus esforços. Você não vai conseguir. Esse muro só caiu de um jeito: pela cruz do Senhor Jesus. Ele já abriu o caminho. A passagem já está livre. Basta você vir. Diz a Ele hoje: “Senhor Jesus, eu não consigo derrubar o muro do meu pecado. Mas eu creio que Tu já o derrubaste na cruz. Me recebe, me salva, me faz entrar”. E Ele te recebe, porque o caminho já está aberto.
Não fica parado diante do muro a vida inteira. A cidade já foi entregue. O caminho já foi aberto. Marcha, obedece, e entra na bênção que Deus já preparou para você.
Frase para fechar
A muralha de Jericó não caiu pela força de quem a cercou, mas pela fidelidade de quem não parou de marchar. O teu muro não cai no primeiro dia — mas cai. Não desista na véspera: o sétimo dia pertence a quem foi fiel até o sexto.
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