Aprendendo a Se Importar com os Outros
Pregação Expositiva em Mateus 9:36 – “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Base: Mateus 9:35-38
Como Usar este Esboço
- O texto é parte de um resumo do ministério de Jesus. Ele ensinava, pregava e curava – mas o que O movia era a compaixão.
- A estrutura em três partes (origens, objetos, objetivos) ajuda a entender e aplicar a compaixão de Cristo.
- Esta mensagem desafia tanto à conversão quanto à santificação. Use as ilustrações para tocar os corações.
Introdução
Compaixão. Quando essa palavra é usada, muitos não sabem exatamente o que significa. Alguns associam compaixão à fraqueza. Os homens, em particular, tendem a ver a compaixão como algo para “pessoas sensíveis demais.”
Na verdade, expressar compaixão revela uma força de caráter que poucas pessoas possuem.
Vivemos em um mundo sem compaixão. A maioria das pessoas coloca a si mesmas e suas famílias acima de tudo. A triste realidade é que muitos simplesmente não se importam com o que acontece aos outros.
A palavra “compaixão” na Bíblia vem do grego e significa “ser movido nas entranhas” – os sentimentos mais profundos possíveis. É ser tocado no íntimo do ser. Alguém definiu compaixão como “simpatia aliada ao desejo de ajudar.” Não é apenas sentir – é agir.
Ao lermos os Evangelhos, encontramos Jesus sendo constantemente movido por compaixão. Ele foi profundamente tocado pelas necessidades daqueles ao Seu redor.
Nesta mensagem, quero que vejamos o Cristo Compassivo – o que O motivou e como podemos nos tornar mais parecidos com Ele.
I. As Origens da Compaixão de Cristo
De onde vinha a compaixão de Jesus? O que O motivava a se importar tão profundamente?
Originou-se em Sua Essência
Como Jesus conseguiu alcançar tantas pessoas diferentes, com tantos problemas diferentes? Pense em quem Ele é: Deus em forma humana. Não sobrecarregado pela natureza pecaminosa. Não egoísta. Não egocêntrico.
Muitos leem o Antigo Testamento e ficam com a impressão de um Deus cruel e severo. Mas Jesus revelou a verdadeira natureza de Deus (João 1:18; 14:9). Sim, Ele é santo e justo. Mas também é Deus de infinito amor, graça, misericórdia e compaixão.
Uma ilustração: Um homem caiu num buraco e não conseguia sair. Um fariseu disse: “Só pessoas más caem em buracos.” Um fundamentalista sem compaixão disse: “Você merece o seu buraco.” Um otimista disse: “As coisas poderiam ser piores.” Um pessimista disse: “As coisas vão piorar!” Jesus, vendo o homem, pegou-o pela mão e o tirou do buraco.
Essa é a essência de Cristo.
Originou-se em Suas Experiências
Uma das razões pelas quais Jesus expressou tanta compaixão foi Sua própria experiência de vida. Ele não viveu uma vida fácil.
Cresceu, viveu e morreu em pobreza (Lucas 2:24; Mateus 8:20). Quando morreu, Seus bens eram apenas as roupas que vestia (João 19:23-24). Conheceu solidão (Mateus 14:23). Foi desprezado, odiado e rejeitado (João 1:11; Marcos 14:50). Suportou severa tentação (Mateus 4:1-11).
Jesus conhecia a dor. Sabia o que era sofrer. Por isso é capaz de compartilhar nossas dores conosco. “Temos um sumo sacerdote que pode compadecer-se das nossas fraquezas” (Hebreus 4:15).
II. Os objetos da Compaixão de Cristo
Um breve estudo dos Evangelhos revela que a compaixão de Jesus não conhecia limites. Ele sentia a necessidade de todas as classes e tipos de pessoas.
Compaixão pelos Dispersos
“Vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36).
Jesus via as multidões não como problema, mas como ovelhas perdidas precisando de direção.
Compaixão pelos Pecadores
O endemoninhado gadareno era temido por todos. Vivia nos sepulcros, nu, violento. Todos fugiam dele. Jesus foi até ele e o libertou (Marcos 5:1-20).
Quando ressuscitou, Jesus enviou mensagem especial a Pedro – aquele que O havia negado três vezes (Marcos 16:7). Sua compaixão alcançava os que haviam falhado.
Compaixão pelos Doentes
“E Jesus, tendo grande compaixão deles, tocou-lhes os olhos” (Mateus 20:34). O leproso que todos evitavam, Jesus tocou (Marcos 1:40-45).
Compaixão pelos que Sofrem
A viúva de Naim havia perdido seu único filho. “Vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores” (Lucas 7:13). E ressuscitou o rapaz.
Compaixão pelos que Buscam
O jovem rico veio a Jesus buscando a vida eterna. Mesmo sabendo que ele amava mais suas riquezas, “Jesus, olhando para ele, o amou” (Marcos 10:21).
Por que Jesus conseguia fazer isso? Porque Ele não olhava apenas para a superfície. Via as necessidades mais profundas. Amava as pessoas no nível mais profundo do Seu ser.
Uma ilustração: Stephen Covey relata uma experiência no metrô de Nova York. Um homem entrou com filhos barulhentos e agitados, sentou-se e fechou os olhos, aparentemente ignorando a bagunça. Os passageiros ficaram irritados. Covey finalmente confrontou o homem, que abriu os olhos e disse: “Acabamos de sair do hospital. A mãe deles faleceu há cerca de uma hora. Não sei o que pensar, e acho que eles também não sabem como lidar com isso.”
A compaixão começa quando começamos a compreender a dor dos outros.
III. Os Objetivos da Compaixão de Cristo
O Objetivo de Ensinar
Os discípulos não tinham noção de compaixão. Tiago e João queriam invocar fogo do céu sobre uma aldeia samaritana (Lucas 9:54). Em outra ocasião, quiseram mandar embora uma multidão faminta (Marcos 6:34).
Por que eram assim? Porque a compaixão é contrária à nossa natureza caída. Somos naturalmente egoístas. O que não nos afeta pessoalmente não importa.
Por isso Jesus ensinou sobre compaixão através de parábolas: o Bom Samaritano (Lucas 10:30-37) e o Filho Pródigo (Lucas 15:11-24).
Uma ilustração: Um banqueiro negou um empréstimo a um homem, mas fez uma proposta: “Tenho um olho bom e um de vidro. Se adivinhar qual é qual, aprovo seu empréstimo.” O homem olhou e disse: “O esquerdo é o bom.” O banqueiro ficou surpreso: “Como soube?” O homem respondeu: “Detectei um lampejo de compaixão no outro olho.”
Pode ser contrário à nossa natureza humana sermos compassivos, mas não é contrário à nossa nova natureza em Cristo (Efésios 4:32; Gálatas 5:22-23).
O Objetivo de Envolver
Jesus não queria apenas ensinar sobre compaixão. Queria que Seus discípulos se envolvessem. Que vissem as pessoas como Ele as via. Que fossem tocados pelas necessidades a ponto de agir.
A “Regra de Ouro” (Mateus 7:12) é diferente de todas as outras religiões. Hindus, budistas, judeus dizem: “Não faça aos outros o que não quer que façam a você” – negativo. Jesus disse: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” – positivo. Não basta não fazer o mal; devemos fazer o bem ativamente.
Uma ilustração: Um empresário cansado caminhou pela praia após uma tempestade e viu milhares de estrelas-do-mar encalhadas. Um menino as pegava uma a uma e jogava de volta ao mar. “Por que você faz isso?”, perguntou o homem. “Você nunca vai conseguir salvar todas!” O menino pegou mais uma, jogou-a na água e disse: “Mas com certeza fez diferença para essa.”
Gálatas 6:2 nos ordena: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.”
O Poder da Compaixão
Uma ilustração final: Um garoto chamado Mark viu um colega tropeçar e derrubar tudo que carregava. Mark o ajudou e descobriu que Bill carregava uma luva de beisebol, um gravador, suéteres e muitos livros. Passaram a tarde conversando e mantiveram contato até a formatura.
Semanas antes de se formarem, Bill perguntou: “Você se lembra daquele dia? Sabe por que eu carregava tantas coisas?” E explicou: “Eu havia esvaziado meu armário. Estava voltando para casa para tirar minha própria vida. Tinha juntado comprimidos. Mas quando você parou para me ajudar, isso me inspirou a continuar vivendo. Mark, quando você pegou meus livros naquele dia, você salvou minha vida.”
Nunca sabemos o que um pequeno gesto de compaixão pode realizar.
Conclusão
Jesus foi movido por compaixão. Essa compaixão vinha de Sua natureza divina e de Suas experiências humanas. Alcançava todos – dispersos, pecadores, doentes, sofredores, buscadores. E tinha um objetivo: ensinar Seus seguidores a serem igualmente compassivos e envolvê-los no ministério de ajudar os outros.
A pergunta para nós é: quanto nos importamos?
Compaixão não é apenas sentir pena. É o desejo de estender a mão e fazer diferença na vida de alguém. É ser Cristo para outra pessoa.
João escreveu: “Aquele que tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:17-18).
O mundo está cheio de pessoas cansadas e desgarradas, como ovelhas sem pastor. Jesus as vê. Ele tem compaixão.
E você? O que você vê quando olha para as pessoas ao seu redor?
Que Deus nos ajude a ver como Jesus via. A sentir como Jesus sentia. E a agir como Jesus agia.
Compaixão. O mundo precisa desesperadamente dela. E nós somos as mãos de Cristo para oferecê-la.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre compaixão, simpatia e empatia?
Simpatia é sentir pena de alguém à distância. Empatia é entrar no sentimento do outro, sentir com ele. Compaixão vai além: é sentir a dor do outro E agir para aliviá-la. A compaixão bíblica sempre envolve ação. Jesus não apenas sentiu pelas multidões – Ele ensinou, curou e alimentou.
2. Por que Jesus conseguia ter compaixão de todos, mas nós temos dificuldade?
Jesus não tinha natureza pecaminosa. Nós temos. Nossa tendência natural é o egoísmo. Porém, quando nascemos de novo, recebemos uma nova natureza capaz de compaixão (Gálatas 5:22-23). O desafio é permitir que o Espírito Santo desenvolva essa qualidade em nós, vencendo nossa tendência egoísta.
3. Como desenvolver mais compaixão na vida prática?
Primeiro, peça a Deus que mude seu coração. Segundo, pratique ver as pessoas como Jesus as via – não pela superfície, mas pelas necessidades profundas. Terceiro, aja mesmo quando não sentir – às vezes a ação precede o sentimento. Quarto, lembre-se de quanto Cristo teve compaixão de você quando você não merecia.
4. Compaixão significa ajudar todos indiscriminadamente?
Compaixão requer sabedoria. Jesus não curou todos os doentes de Israel, mas aqueles que o Pai colocou em Seu caminho. Não podemos resolver todos os problemas do mundo, mas podemos fazer diferença nas vidas que Deus coloca diante de nós. Como o menino das estrelas-do-mar: “Fez diferença para essa.”
5. Como a compaixão se relaciona com o evangelismo?
A compaixão de Jesus O levou a ver as multidões como “ovelhas sem pastor” – perdidas espiritualmente. Ele não apenas supriu necessidades físicas, mas apontou para a necessidade maior: salvação. A compaixão cristã genuína se importa com a pessoa inteira – corpo e alma. Ajudamos no temporal, mas não negligenciamos o eterno.
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