Nove características do verdadeiro caráter Cristão
Pregação Expositiva em Romanos 1:8-15 – “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós.”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Bíblico: Romanos 1:8-15
Tema Central: As características essenciais que devem marcar a vida de todo verdadeiro seguidor de Cristo.
Versículo-chave: “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós.” (Romanos 1:9)
Introdução
O apóstolo Paulo foi um exemplo vivo do que um verdadeiro cristão deve ser. Certamente, um homem com sua grande influência e poder na igreja primitiva enfrentou tentações de agir por motivos impróprios. Contudo, não encontramos nenhum registro de Paulo abusando de sua autoridade ou influência para ganho pessoal. Cada vez que lemos sobre esse grande homem de Deus, somos lembrados de que ele foi o modelo vivo para todos nós do que um cristão autêntico deve ser.
Nos primeiros sete versículos de Romanos 1, Paulo se apresenta aos crentes em Roma. Ele fala sobre si mesmo como mensageiro e sobre sua mensagem, o Evangelho da graça. Agora, a partir do versículo 8, Paulo revela os motivos por trás da carta que está enviando. Nestes oito versículos, o apóstolo revela nove características do verdadeiro caráter cristão que nos dizem, sem rodeios, o que todo cristão deve ser.
Essas características não são opcionais nem para cristãos “avançados”. São marcas que devem estar presentes na vida de todo aquele que se chama pelo nome de Cristo. Vamos examinar cada uma delas e permitir que a Palavra do Senhor fale ao nosso coração.
1. O cristão em seu relacionamento com Deus: Grato, comprometido e orativo (vv.8-9)
“Primeiramente dou graças ao meu Deus mediante Jesus Cristo, acerca de vós todos… Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós.” (Romanos 1:8-9)
A primeira marca do verdadeiro cristão é a gratidão. Ao começar a escrever aos romanos, Paulo expressa sua gratidão por eles. Não há nenhum sinal da inveja que caracterizaria um homem menos nobre. Paulo não fundou essa igreja — ela havia sido estabelecida por outro. Muitos teriam inveja das bênçãos que os romanos desfrutavam, pois eram o assunto do mundo inteiro. Mas em vez de sentir inveja, Paulo era grato.
Deus deseja que Seus filhos sejam um povo grato: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Tessalonicenses 5:18). Como cultivar gratidão? Colocando Jesus Cristo no centro de tudo. Se fizermos dEle nossa suficiência, estaremos sempre satisfeitos. O segredo está em estar satisfeito com Jesus, como Paulo aprendeu: “Aprendi a contentar-me com o que tenho” (Filipenses 4:11).
A segunda marca é o compromisso total. Paulo diz aos romanos que está totalmente comprometido com o Senhor. Cada palavra que proferiu, tudo o que escreveu, aonde quer que fosse — Paulo era uma testemunha viva de entrega completa. A palavra “servir” aqui é a mesma traduzida como “adorar” em outras partes do Novo Testamento. Não há forma maior de adoração do que o serviço e a devoção puros ao Senhor. Sua vida é dedicada? Deveria ser: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo” (Romanos 12:1).
A terceira marca é a vida de oração. O ministério de Paulo era primordialmente pregar o Evangelho, mas ele tinha um ministério secundário igualmente vital: a oração. Ele priorizava a oração, e os crentes romanos jamais eram excluídos de suas súplicas. Suas orações não eram egoístas — eram sempre em favor de outros. O Senhor quer que nos envolvamos em um ministério de oração intercessória: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6:2).
2. O cristão em seu relacionamento com a vontade de Deus: Entregue, útil e humilde (vv.10-12)
“Rogando sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco, para vos comunicar algum dom espiritual… para que juntamente convosco eu seja consolado.” (Romanos 1:10-12)
A quarta marca é a entrega à vontade de Deus. Paulo não se limitou a orar pelos outros — também orou para ser instrumento de Deus na resposta a essas orações. Seu desejo era viajar para Roma, mas estava disposto a submeter sua vontade à vontade do Senhor. Isso se repetiu em outros momentos: “E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia” (Atos 16:6). O apóstolo estava disposto a deixar de lado seus próprios planos para fazer a vontade do Senhor. Um coração assim é um coração que Deus pode usar, porque é um coração como o de Jesus: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou” (João 4:34).
A quinta marca é o desejo de ser útil. Paulo revela que deseja ir a Roma para compartilhar os dons que Deus lhe concedeu. É como se dissesse: “Deus me abençoou com coisas especiais. Quero compartilhá-las com vocês para que cresçam nas coisas do Senhor.” Paulo não queria assumir o controle — apenas queria ser usado pelo Senhor para abençoar alguém. Há uma grande necessidade de pessoas na igreja cujo principal objetivo seja simplesmente servir e ser bênção para os outros. Você pode dizer que sua vida é um vaso que Deus pode usar? “Se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor” (2 Timóteo 2:21).
A sexta marca é a humildade. Paulo não apenas deseja ser bênção para os romanos, mas reconhece que eles serão bênção para ele. Não se trata apenas dele. É uma pena quando as pessoas acham que “chegaram lá” e não podem ser ajudadas por outros menos experientes. Todos precisamos ser lembrados de que ainda temos muito a crescer. Paulo escreveu: “Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo” (Filipenses 3:12). Para todos que pensam que estão de pé sozinhos: “Aquele que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10:12). Como disse William Carey antes de partir para a Índia: “Eu descerei até o fundo do poço, se vocês segurarem a corda.”
3. O cristão em sua missão no mundo: Frutífero, devedor e ansioso (vv.13-15)
“E não quero, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco… para também ter algum fruto entre vós… Pois sou devedor… De maneira que, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho.” (Romanos 1:13-15)
A sétima marca é a frutificação. Paulo lembra aos romanos que está interessado em glorificar o Senhor. Ele tem sido usado para dar frutos em todo o mundo conhecido e gostaria de fazer o mesmo em Roma. Quando as Escrituras falam de fruto espiritual, há três dimensões. Primeiro, as atitudes — o fruto do Espírito em Gálatas 5:22-23. Segundo, a atividade — vida santa (Romanos 6:22), louvor (Hebreus 13:15) e ofertas (Filipenses 4:16-17). Terceiro, a adição — almas acrescentadas ao Reino (Atos 16:5). Este era o fruto que Paulo buscava em Roma. Anos depois, escrevendo de Roma, pôde louvar a Deus pelo fruto até entre os membros da casa de César (Filipenses 4:22). Como produzir fruto? Permanecendo na Videira: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5).
A oitava marca é o senso de dívida. Paulo expressa seu profundo sentimento de obrigação para com aqueles que precisavam ouvir o Evangelho. Em relação aos perdidos, escreveu: “A boa vontade do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (Romanos 10:1). Por que Paulo suportou açoites, prisões, naufrágios, perigos de toda sorte (2 Coríntios 11:24-28)? Porque sentia que tinha uma dívida para com cada pessoa perdida. Nós também temos uma dívida — não com Deus (a salvação foi gratuita), mas com aqueles que estão perecendo. Temos em nossas mãos a resposta para o problema do pecado. Como quitamos essa dívida? Falando ao mundo sobre o Salvador: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).
A nona marca é a prontidão ansiosa. Paulo diz que está “pronto” para ir a Roma pregar. A palavra significa “ansioso” — ele mal podia esperar para pregar o Evangelho. Todo cristão deveria estar ansioso para servir ao Senhor. Nos entregamos com entusiasmo aos prazeres da vida — esportes, hobbies, entretenimento. Mas quando se trata de testemunhar, onde está o entusiasmo? Onde estão os que preferem perder qualquer coisa a perder algo que Deus está fazendo? A palavra “pronto” também implica urgência. Paulo sabia que tinha tempo limitado. Jesus disse: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9:4).
Tabela Resumo: As Nove Características do Cristão Verdadeiro
| Versículo | Característica | Descrição Prática |
|---|---|---|
| v.8 | Grato | Dá graças em todas as circunstâncias |
| v.9a | Comprometido | Serve ao Senhor de todo o coração |
| v.9b | Orativo | Intercede constantemente pelos outros |
| v.10 | Entregue | Submete sua vontade à vontade de Deus |
| v.11 | Útil | Deseja ser instrumento de bênção |
| v.12 | Humilde | Reconhece que precisa dos outros |
| v.13 | Frutífero | Produz fruto para a glória de Deus |
| v.14 | Devedor | Sente obrigação de compartilhar o Evangelho |
| v.15 | Ansioso | Está pronto e urgente para servir |
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Essas características são apenas para líderes ou para todo cristão?
Essas nove características são para todo cristão, não apenas para líderes ou pastores. Paulo está escrevendo a todos os crentes em Roma, não a um grupo seleto. São o padrão normal da vida cristã, não a exceção.
2. Como desenvolver essas características se não as tenho naturalmente?
Nenhuma dessas características é natural ao ser humano caído — todas são fruto da obra do Espírito Santo. O desenvolvimento vem através da comunhão com Deus e da rendição diária à Sua vontade. Paulo disse “aprendi a contentar-me” — foi um processo de aprendizado.
3. O que significa ser “devedor” aos perdidos?
Ser devedor significa reconhecer que temos uma obrigação moral de compartilhar o Evangelho. Temos algo que os perdidos precisam desesperadamente — a mensagem da salvação. Guardar essa mensagem enquanto outros perecem é negligência espiritual.
4. Como equilibrar urgência com paciência no serviço cristão?
A urgência de Paulo não era desespero — era zelo santo combinado com submissão à vontade de Deus. Ele estava “pronto” para Roma, mas aguardou o tempo de Deus. Devemos trabalhar como se tudo dependesse de nós e confiar como se tudo dependesse de Deus.
Conclusão
Paulo representa o que todo cristão deveria ser. Ao examinar essas nove características, precisamos fazer uma autoavaliação honesta. Existem áreas em que precisamos nos aproximar da vontade do Senhor? Existem motivações que precisam ser purificadas? Existe falta de entusiasmo que precisa ser confessada?
A boa notícia é que Deus não nos deixa sozinhos. O mesmo Espírito que capacitou Paulo pode nos capacitar. O mesmo Deus que transformou um perseguidor da Igreja no maior missionário da história pode nos transformar também.
Seremos cristãos gratos, comprometidos, orativos, entregues, úteis, humildes, frutíferos, devedores e ansiosos? Ou nos contentaremos com uma versão medíocre da vida cristã? Que Deus nos ajude a ser o que todo cristão deveria ser.
“Este esboço é ideal para o culto de de quarta-feira. Veja mais pregação para culto de quarta-feira.”
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