Pregação Expositiva em Marcos 15:12-13 – “E Pilatos lhes perguntou: Que quereis, pois, que faça daquele a quem chamais Rei dos Judeus? E eles tornaram a clamar: Crucifica-o!”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Base: Marcos 15:1-15
Esta passagem nos aproxima da cruz do Calvário. Jesus foi preso, julgado pelas autoridades religiosas e condenado com base em testemunhos falsos. Os judeus sentenciaram Jesus à morte, mas não tinham autoridade para executá-Lo. Então O levaram a Pilatos, o governador romano.
O que vemos neste texto é a rejeição universal de Jesus. Ele foi rejeitado pelos líderes religiosos. Foi rejeitado pela autoridade civil romana. E foi rejeitado pelo povo comum. Todos disseram não ao Rei.
Este texto é como um espelho que revela o coração humano. Ele prova que o homem, em seu estado natural, é inimigo de Deus. Mostra a que ponto a depravação humana pode chegar.
Conta-se que um chefe africano visitou uma missão e viu um espelho pendurado do lado de fora da cabana. Ao ver seu reflexo – rosto pintado, feições ameaçadoras – recuou horrorizado: “Quem é essa pessoa horrível dentro dessa árvore?” O missionário explicou que era seu próprio reflexo. O chefe insistiu em comprar o espelho, e depois de adquiri-lo, atirou-o ao chão e o quebrou em pedaços, dizendo: “Nunca mais vou tolerar que ele faça caretas para mim!”
Foi exatamente isso que fizeram com Jesus. Ele era o espelho que revelava a alma humana, e quiseram destruí-Lo. Pregaram-No numa cruz – apenas para descobrir que isso ampliou o reflexo.
Quando olhamos para o que fizeram com O Senhor Jesus naquele dia, vemos refletida nossa própria condição. A pergunta é: você está entre os que O rejeitaram ou entre os que O receberam?
“E logo pela manhã os principais dos sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, e os escribas, e todo o conselho; e, ligando a Jesus, o levaram e o entregaram a Pilatos.” (Marcos 15:1)
A palavra “manhã” indica o período entre 3h e 6h da madrugada. Durante a noite, Jesus havia passado por um julgamento ilegal diante do sumo sacerdote. Foi acusado de blasfêmia e condenado à morte. Foi espancado e maltratado.
Essa reunião matinal tinha um único propósito: dar aparência de legitimidade à decisão ilegal tomada na escuridão da noite. Lucas 22:66-71 registra que perguntaram novamente a Jesus se Ele era o Filho de Deus. Novamente, Ele respondeu que sim. Para os judeus, isso confirmava a acusação de blasfêmia.
Como Israel estava sob domínio romano, os judeus não podiam executar a pena de morte. Esse direito pertencia ao governador. Então levaram Jesus a Pilatos – mas mudaram as acusações. Em vez de blasfêmia (que não interessaria a Pilatos), acusaram Jesus de perverter a nação, proibir o pagamento de tributos a César e afirmar ser rei (Lucas 23:2).
As ações desses líderes religiosos revelam uma verdade importante: a religião, em si mesma, não tem lugar para Jesus Cristo.
Os sacerdotes tinham posição privilegiada. Detinham poder sobre o povo. Eram ricos com o comércio do templo. Acreditavam que sua religião era suficiente. E justamente por isso rejeitaram Jesus.
Nenhum sistema religioso baseado em obras humanas tem espaço para Cristo. A religião se concentra no que o homem faz. O evangelho se concentra no que Deus fez por nós através de Jesus.
A Bíblia é clara: ninguém é salvo por obras religiosas (Efésios 2:8-9; Romanos 3:20; Tito 3:3-5). A salvação vem pela fé somente em Cristo (João 3:16; Atos 16:31; Romanos 10:9).
Coisas como orar, ofertar, praticar boas obras, ser batizado, frequentar a igreja – todas são boas, mas nenhuma tem poder de salvar. A religião pode tornar pessoas respeitáveis, mas não pode reconciliá-las com Deus. Somente Cristo pode fazer isso.
“E Pilatos perguntou-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? E ele, respondendo, disse-lhe: Tu o dizes.” (Marcos 15:2)
Pilatos foi governador da Palestina de 26 a 36 d.C. A história o retrata como incompetente e autoritário. Cometeu diversos erros políticos: permitiu que soldados entrassem em Jerusalém com imagens de César, ofendendo os judeus; confiscou o tesouro do templo para construir um aqueduto; massacrou galileus enquanto ofereciam sacrifícios (Lucas 13:1).
Pilatos era movido pela sede de poder. Vivia para status e posição política. Toda sua vida girava em torno de si mesmo. Após ser deposto, foi exilado para o norte da Europa, onde, segundo a tradição, cometeu suicídio. Ao perder poder e posição, não lhe restou nada pelo que viver.
Quando os judeus acusaram Jesus, Ele permaneceu em silêncio. Não Se defendeu das mentiras. Era exatamente como Isaías profetizara: “Como cordeiro foi levado ao matadouro, e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Isaías 53:7).
Pilatos ficou perplexo com o silêncio de Jesus, mas convenceu-se de Sua inocência. João registra que Pilatos levou Jesus ao interior do palácio para interrogá-Lo em particular. Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). E então ofereceu a Pilatos a oportunidade de conhecer a verdade.
A resposta de Pilatos foi trágica. “O que é a verdade?”, perguntou desdenhosamente – e saiu, virando as costas para Jesus (João 18:38). Ele ignorou o que sabia ser verdade. Ignorou o aviso de sua esposa (Mateus 27:19). Ignorou sua própria consciência. Por quê? Porque queria manter sua posição e seu poder.
Pilatos rejeitou Jesus porque era covarde. Colocou sua carreira, seu orgulho e sua segurança acima de sua alma.
Muitos são como Pilatos hoje. Encontram-se face a face com a verdade sobre Jesus, mas têm medo de se comprometer. Alguns temem não conseguir viver para Ele. Alguns temem o que os outros dirão. Alguns amam mais o pecado do que a verdade.
É preciso coragem para vir a Jesus! Coragem para admitir que somos pecadores. Coragem para reconhecer que não podemos nos salvar. Coragem para nos curvar diante dEle e clamar por salvação. Coragem para viver diferente em um mundo que exige conformidade.
As pessoas dizem que cristãos são fracos, que Jesus é uma “muleta.” Pois bem: sou um paralítico espiritual e não consigo andar sem Ele. Preciso de ajuda. Não me sustento sozinho. E tenho a coragem de admitir isso.
“Mas os principais dos sacerdotes incitaram a multidão para que lhes soltasse antes Barrabás.” (Marcos 15:11)
Pilatos tentou uma última estratégia. Era costume libertar um prisioneiro na Páscoa. Ele tinha sob custódia um homem chamado Barrabás – um revolucionário preso por insurreição e assassinato. Pilatos ofereceu à multidão uma escolha: Jesus ou Barrabás.
Ele acreditava que o povo escolheria o pacífico Jesus em vez do violento Barrabás. Estava errado. Incitada pelos sacerdotes, a multidão escolheu Barrabás.
Quando Pilatos perguntou o que fazer com Jesus, gritaram: “Crucifica-O!” Pilatos reafirmou Sua inocência e perguntou por quê. O povo entrou em frenesi, clamando pela morte de Jesus. Chegaram a lançar maldição sobre si mesmos: “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mateus 27:25).
Há um detalhe significativo: o nome completo de Barrabás era provavelmente “Jesus Bar-Abbas” – que significa “Jesus, filho do pai”. Naquele dia, a multidão escolheu entre “Jesus, o filho do pai” e “Jesus, o Filho de Deus.” Escolheram o caminho do mundo em vez do Caminho de Deus.
A multidão rejeitou Jesus por incredulidade. Ele não se encaixava na imagem de Messias que esperavam. Queriam um libertador político como Barrabás, não um Salvador espiritual como Jesus.
A maioria nem sempre está certa. A maioria rejeitou Jesus. A maioria O condenou à morte. A maioria estava errada.
A maioria ainda é contra Jesus hoje. O mundo ignora a Palavra de Deus. Ignora as vidas transformadas dos redimidos. Ignora a oferta de salvação. Escolhe o pecado em vez da salvação. Escolhe o inferno em vez do céu.
Jesus disse: “Larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. E estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mateus 7:13-14).
Só porque a multidão se recusa a vir a Jesus não significa que você tenha que segui-la. Você pode ir contra a corrente. Você pode ser salvo. Não precisa seguir a multidão para o precipício.
O Rei veio a Israel exatamente como os profetas predisseram. Cumpriu todas as profecias. Realizou tudo o que as Escrituras diziam sobre o Messias. Jesus era exatamente quem afirmava ser.
Mas foi rejeitado.
Rejeitado pelos religiosos – porque a religião não tem lugar para Cristo.
Rejeitado pelo político – porque a covardia não tem lugar para Cristo.
Rejeitado pelo povo – porque a incredulidade não tem lugar para Cristo.
E você? O que fará com Jesus?
Não o rejeite como os sacerdotes, que confiavam em sua própria religiosidade.
Não o rejeite como Pilatos, que teve medo de se comprometer.
Não o rejeite como a multidão, que preferiu o mundo ao Salvador.
Jesus veio ao Seu povo e foi rejeitado (João 1:11). Mas a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (João 1:12).
Ele está estendendo a mão para você agora. Não negue Seu chamado. Venha enquanto Ele chama. Venha e seja salvo.
Diante do Sinédrio, Jesus foi acusado de blasfêmia – crime religioso punível com morte segundo a lei judaica. Mas Pilatos, como governador romano, não se interessaria por disputas religiosas judaicas. Então mudaram a acusação para crimes políticos: perverter a nação, proibir tributos a César e afirmar ser rei. Essas acusações chamariam a atenção de Roma.
Jesus afirmou ser rei, mas esclareceu a natureza do Seu reino: “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Ele não era o tipo de rei que Pilatos imaginava – um rival político de César. Seu reino é espiritual e eterno. A resposta de Jesus era verdadeira, mas evitava ser usada como acusação política.
Pilatos estava em posição política delicada. Já havia tido conflitos com os judeus e não queria mais problemas com Roma. Libertar Jesus diretamente poderia causar tumulto. Ele tentou estratégias indiretas: enviou Jesus a Herodes, ofereceu a escolha com Barrabás, mandou açoitá-Lo esperando que isso satisfizesse a multidão. Todas falharam porque ele não teve coragem de fazer o que era certo.
Barrabás era um revolucionário preso por insurreição e assassinato. Como lutava contra Roma, provavelmente era popular entre os judeus que odiavam a ocupação romana. A multidão presente naquela manhã provavelmente era composta de seus apoiadores. Os seguidores de Jesus não sabiam da prisão e não tiveram tempo de se organizar.
Provavelmente não. A entrada triunfal aconteceu dias antes, com multidões vindas de toda parte para a Páscoa. O julgamento de Jesus ocorreu de madrugada, rapidamente. A multidão presente era provavelmente composta de apoiadores de Barrabás e pessoas incitadas pelos sacerdotes. Os seguidores de Jesus não tiveram tempo de se reunir em Sua defesa.