Esboço de Pregação Expositiva em Mateus 8:2-3 – “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo.”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Base: Mateus 8:1-4
Ele vivia nas sombras. Não podia entrar nas cidades. Não podia frequentar o templo. Não podia abraçar sua família. Quando alguém se aproximava, era obrigado a gritar: “Impuro! Impuro!” – para que as pessoas se afastassem a tempo.
Era leproso.
A lepra no mundo antigo não era apenas uma doença. Era uma sentença de morte social. O leproso perdia tudo: sua casa, seu trabalho, seus relacionamentos, sua dignidade. Vivia isolado, esperando a morte lenta enquanto via seu corpo se deteriorar.
Ninguém tocava um leproso. Ninguém se aproximava. Ninguém queria saber seu nome.
Mas naquele dia, algo diferente aconteceu. Jesus havia acabado de descer do monte onde ensinara as multidões. Milhares de pessoas O seguiam. E no meio daquela multidão, um homem ousou se aproximar.
Um leproso.
O que aconteceu naquele encontro revela o coração de Jesus de uma forma que ainda hoje transforma vidas.
“E eis que veio um leproso…” (Mateus 8:2a)
O texto não nos diz o nome daquele homem. Apenas: “um leproso.” Era assim que ele era conhecido. Não pelo que era antes, mas pela doença que carregava.
A lepra no mundo bíblico incluía várias doenças de pele, não apenas a hanseníase. Mas todas tinham o mesmo efeito: exclusão total.
Levítico 13 descrevia as regras para os leprosos: deveriam rasgar suas roupas, deixar o cabelo despenteado, cobrir o lábio superior e clamar “Impuro! Impuro!” (Lv 13:45). Deveriam morar sozinhos, fora do acampamento (Lv 13:46).
O leproso perdia seu nome. Perdia sua história. Tornava-se apenas “o leproso.”
O pecado tem esse mesmo efeito devastador. Ele isola. Exclui. Rouba a identidade.
O jovem que se envolve com drogas vai perdendo os amigos, a confiança da família, as oportunidades. A pessoa que vive em adultério vai se afastando de quem ama. Quem se entrega à mentira vai construindo muros de solidão.
O pecado promete prazer, mas entrega isolamento. Promete liberdade, mas escraviza. Promete vida, mas traz morte.
E assim como o leproso, a pessoa dominada pelo pecado muitas vezes perde sua identidade. Torna-se conhecida pelo seu erro, pelo seu vício, pela sua queda. Não é mais “fulano” – é “o viciado”, “a adúltera”, “o criminoso.”
“…e o adorou, dizendo…” (Mateus 8:2b)
O leproso fez algo extraordinário: aproximou-se de Jesus. Isso era proibido. Ele deveria manter distância. Deveria gritar para afastar as pessoas.
Mas ele se aproximou.
Aquele homem sabia que estava quebrando as regras. A multidão poderia apedrejá-lo. Poderiam expulsá-lo com violência. Era arriscado.
Mas ele tinha ouvido falar de Jesus. Talvez tivesse escutado, de longe, o Sermão do Monte. Talvez soubesse dos milagres. Algo nele disse: “Esta é minha chance.”
A fé sempre envolve ousadia. É preciso coragem para se aproximar de Deus quando tudo ao redor diz que você não é digno, que não é bem-vindo, que não merece.
O mais extraordinário é que Jesus não Se afastou. Não ordenou que o leproso mantivesse distância. Não Se escondeu atrás da multidão.
Jesus deixou o homem se aproximar.
Isso diz muito sobre o coração de Cristo. Ele recebe os excluídos. Acolhe os rejeitados. Não foge de quem a sociedade abandonou.
Se você tem se sentido distante, impuro, indigno – saiba que Jesus não vai te rejeitar. Se você der um passo em direção a Ele, Ele vai te receber.
“Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.” (Mateus 8:2c)
As palavras do leproso revelam um coração dividido entre fé e incerteza.
“Podes tornar-me limpo.” O homem não tinha dúvidas sobre o poder de Jesus. Ele cria que Jesus era capaz de curá-lo.
Isso já era uma fé notável. A lepra era considerada incurável. Na história de Israel, pouquíssimos casos de cura existiam – Miriã, Naamã, e poucos mais. Curar lepra era quase como ressuscitar mortos.
Mas aquele homem cria. Ele tinha certeza de que Jesus podia fazer o impossível.
Ao mesmo tempo, ele duvidava da disposição de Jesus. “Se quiseres.” Ele não sabia se Jesus queria curá-lo.
Podemos entender essa hesitação. Aquele homem havia sido rejeitado tantas vezes. As pessoas fugiam dele. Ninguém queria se envolver. Por que Jesus seria diferente?
Anos de rejeição criam essa ferida na alma. A pessoa começa a acreditar que não merece amor, não merece atenção, não merece cura. Ela até crê que Deus pode ajudar, mas duvida se Ele quer.
Quantas pessoas oram assim? “Senhor, eu sei que Tu podes… mas será que Tu queres? Será que Tu te importas comigo? Será que estou no Teu radar?”
A resposta de Jesus vai destruir essa dúvida para sempre.
“E Jesus, estendendo a mão, tocou-o…” (Mateus 8:3a)
De todas as coisas que Jesus poderia ter feito, esta é a mais surpreendente: Ele tocou o leproso.
Pela lei cerimonial, tocar um leproso tornava a pessoa impura. Jesus estaria Se contaminando. Precisaria passar por rituais de purificação. Ficaria excluído do templo por um tempo.
Ninguém tocava leprosos. Nunca. Por nenhuma razão.
Mas Jesus tocou.
O extraordinário é que Jesus não Se tornou impuro. Ao contrário: Sua pureza se transferiu para o leproso. Em vez de a doença contaminar Jesus, a santidade de Jesus curou o doente.
Isso revela quem Jesus é. Ele não é alguém que precisa se proteger do pecado. Ele é Aquele que vence o pecado. Ele entra em contato com nossa impureza e, em vez de ser contaminado por ela, nos purifica.
Pense naquele homem. Há quanto tempo ninguém tocava nele? Meses? Anos? Décadas?
O toque de Jesus foi mais do que cura física. Foi restauração de humanidade. Foi dizer: “Você não é intocável. Você não é rejeitado. Você é digno de contato humano.”
Jesus ainda toca os intocáveis. Ainda alcança os que ninguém quer alcançar. Ainda estende a mão para os excluídos.
Se você sente que ninguém quer se aproximar de você, que seus erros te tornaram “contaminado demais” – Jesus quer te tocar. A mão que curou o leproso é a mesma mão que hoje alcança você.
“…dizendo: Quero; sê limpo.” (Mateus 8:3b)
Duas palavras. Apenas duas. Mas elas carregam todo o peso do evangelho.
O leproso duvidava: “Se quiseres…” Jesus respondeu diretamente: “Quero.”
Não há hesitação. Não há condições. Não há “vou pensar.” Jesus queria curar aquele homem. Estava disposto. Estava desejoso.
Esta é a revelação mais importante sobre o coração de Deus. Ele quer salvar. Ele quer curar. Ele quer libertar. Ele quer restaurar.
Não é como se Deus estivesse relutante e precisássemos convencê-Lo. Não é como se Ele não quisesse e tivéssemos que implorar até Ele ceder. Ele quer. Sempre quis.
“O Senhor não retarda a sua promessa… não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pe 3:9).
E então veio a ordem: “Sê limpo.” Uma palavra de autoridade. Uma declaração de poder.
Jesus não orou pedindo a Deus que curasse o homem. Ele ordenou a cura. Porque Ele é Deus. Ele tem autoridade sobre a doença, sobre o pecado, sobre a morte.
Quando Jesus fala, as coisas acontecem. Ele disse “sê limpo” e a lepra obedeceu.
“E logo ficou purificado da lepra.” (Mateus 8:3c)
A cura foi imediata. Não gradual. Não parcial. Completa e instantânea.
A palavra “logo” ou “imediatamente” aparece frequentemente nos milagres de Jesus. Ele não demora. Ele não adia. Quando decide agir, age com poder.
Jesus tem pressa em salvar. Ele não quer que você passe mais um dia na condição de pecado e morte. Ele quer te libertar agora.
Imagina a cena. A pele doente, talvez com feridas abertas, deformidades, manchas – tudo desapareceu. Pele nova. Corpo restaurado.
O homem provavelmente olhou para suas mãos, incrédulo. Tocou seu rosto. Examinou seus braços. Estava limpo!
Assim é a salvação. Jesus não faz trabalho pela metade. Quando Ele perdoa, perdoa completamente. Quando Ele transforma, transforma de verdade. Quando Ele liberta, a liberdade é real.
“Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17).
“Disse-lhe Jesus: Olha, não o digas a ninguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.” (Mateus 8:4)
Jesus deu instruções ao homem curado.
Levítico 14 descrevia o ritual para quando um leproso fosse curado. Deveria ir ao sacerdote, ser examinado, passar por rituais de purificação e oferecer sacrifícios. Só então seria oficialmente declarado limpo e poderia voltar à sociedade.
Jesus mandou o homem seguir esse processo. Por quê? Para que a cura fosse oficialmente reconhecida. Para que o homem pudesse voltar à vida normal. Para que houvesse testemunho diante dos sacerdotes de que algo extraordinário havia acontecido.
Jesus não queria apenas curar a lepra. Queria restaurar aquele homem à comunidade. Queria que ele tivesse sua vida de volta – família, trabalho, adoração no templo, tudo.
A salvação em Cristo é assim. Não é apenas perdão de pecados – é restauração de vida. É voltar a ter identidade. É recuperar relacionamentos. É ser reintegrado à família de Deus.
O homem que entrou naquela cena sem nome saiu com uma vida nova pela frente.
Um leproso sem nome aproximou-se de Jesus com fé hesitante: “Se quiseres, podes purificar-me.”
Jesus não Se afastou. Estendeu a mão. Tocou o intocável. E disse as palavras que mudaram tudo: “Quero. Sê limpo.”
E imediatamente, o homem ficou limpo.
Essa história é para você hoje. Talvez você se sinta como aquele leproso. Isolado pelo pecado. Rejeitado pela sociedade. Sem esperança de mudança. Achando que Deus pode até ter poder, mas duvidando se Ele quer te ajudar.
A resposta de Jesus é a mesma para você: “Quero.”
Ele quer te perdoar. Quer te libertar. Quer te restaurar. Quer te dar vida nova.
Você não precisa ficar na solidão do pecado. Não precisa continuar carregando o peso da culpa. Não precisa viver sem nome, sem identidade, sem propósito.
Jesus está estendendo a mão para você agora. Ele não vai te rejeitar. Não vai Se afastar. Ele quer te tocar e te transformar.
A pergunta não é se Ele quer. A pergunta é: você vai deixar?
Aproxime-se dEle. Abra seu coração. E ouça Ele dizer para você: “Quero. Sê limpo.”
O termo hebraico “tsara’at” e o grego “lepra” abrangiam várias doenças de pele, não apenas a hanseníase. Incluía condições que causavam manchas, descamação e feridas. O importante no contexto bíblico era o aspecto cerimonial: a pessoa era considerada impura e excluída da comunidade até ser curada e passar pelo ritual de purificação descrito em Levítico 14.
Jesus demonstrou que Sua pureza era maior que a impureza da doença. Em vez de ser contaminado, Ele purificou o leproso. Isso revela a natureza de Cristo: Ele não precisa Se proteger do pecado – Ele o vence. Ao tocar o leproso, Jesus também mostrou Sua compaixão radical e Sua disposição de alcançar os excluídos.
Jesus frequentemente pedia discrição após os milagres no início de Seu ministério. Isso provavelmente era para evitar que a fama de milagreiro atrapalhasse Seu ensino e missão. As multidões queriam ver milagres, mas Jesus veio para anunciar o Reino e ir à cruz. A ordem também pode ter sido para que o homem primeiro se apresentasse ao sacerdote, regularizando sua situação.
Ao se apresentar ao sacerdote com a cura completa, o homem seria um testemunho vivo do poder de Deus. Os sacerdotes teriam que examinar o caso e atestar oficialmente a cura. Isso serviria como evidência de que algo sobrenatural estava acontecendo em Israel – e apontava para a identidade de Jesus como o Messias.
Deus é poderoso para curar e muitas vezes o faz. Porém, a soberania de Deus significa que Ele age segundo Sua sabedoria, não segundo nossa vontade. O apóstolo Paulo pediu cura três vezes e Deus disse: “A minha graça te basta” (2 Co 12:9). O que podemos afirmar com certeza é que Deus sempre quer nos salvar do pecado. A cura espiritual está sempre disponível para quem se aproxima de Jesus com fé.