Mateus

O vinho novo em odres velhos – Mateus 9:14-17

O Evangelho exige Transformação

Pregação Expositiva em Mateus 9:14-17 – “Mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.”


💡 Como usar este Esboço de Pregação

📋 Tipo de Pregação: Expositiva

🟢 Ideal para: Cultos de ensino, estudos sobre o Evangelho de Mateus, séries sobre os ensinos de Jesus, estudos bíblicos em células e pequenos grupos

⏱️ Tempo estimado: 35-40 minutos

🎯 Finalidade: Ensino e edificação — expor o texto bíblico e mostrar que o evangelho não é reforma religiosa, mas transformação completa


Introdução

Estamos diante de um texto muito importante no Evangelho de Mateus. O Senhor Jesus acabara de chamar Mateus, o cobrador de impostos, para ser Seu discípulo. Logo depois, estava comendo na casa de Mateus com outros publicanos e pecadores. Os fariseus criticaram essa atitude. E agora, os discípulos de João Batista chegam com uma pergunta sobre o jejum.

O contexto é de confronto entre o novo e o velho. De um lado, a religião tradicional dos fariseus, cheia de rituais e aparências. Do outro lado, o Senhor Jesus trazendo algo completamente diferente. Os discípulos de João estavam no meio, tentando entender o que estava acontecendo.

A pergunta sobre o jejum parece simples, mas abriu a porta para Jesus ensinar uma verdade fundamental: o evangelho não veio para reformar a velha religião. O evangelho é vida completamente nova. Não se mistura o novo com o velho. Não se coloca remendo novo em roupa velha. Não se coloca vinho novo em odres velhos.

Vamos expor este texto versículo por versículo e entender o que o Senhor Jesus quis ensinar aos discípulos de João e a nós hoje.


I. A Pergunta sobre o Jejum (v. 14)

“Então vieram ter com ele os discípulos de João, perguntando: Por que é que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?” — Mateus 9:14

Os discípulos de João Batista vieram a Jesus com uma pergunta sincera. Eles observaram que tanto eles quanto os fariseus praticavam o jejum regularmente, mas os discípulos de Jesus não faziam o mesmo. Isso os deixou confusos.

O jejum era uma prática comum entre os judeus piedosos. A Lei de Moisés exigia jejum apenas no Dia da Expiação (Levítico 16:29). Porém, os fariseus haviam criado uma tradição de jejuar duas vezes por semana, às segundas e quintas-feiras. Eles faziam isso para demonstrar sua devoção a Deus. Os discípulos de João também jejuavam, pois João pregava arrependimento e vida de renúncia.

A pergunta revela a mentalidade daquela época. Para eles, a religião verdadeira se media por práticas externas. Quanto mais rituais alguém cumpria, mais santo parecia. Quanto mais jejuava, mais piedoso era considerado. Os discípulos de Jesus não seguiam esse padrão e isso causava estranheza.

É importante notar que a pergunta não era má. Os discípulos de João não estavam atacando Jesus. Eles queriam entender. Porém, a pergunta mostrava que ainda pensavam dentro dos moldes da religião tradicional. Eles ainda não tinham compreendido que Jesus estava trazendo algo completamente novo.


II. A Resposta sobre a Presença do Noivo (v. 15)

“Respondeu-lhes Jesus: Podem porventura ficar tristes os convidados às núpcias, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo, e então hão de jejuar.” — Mateus 9:15

O Senhor Jesus respondeu com uma pergunta. Ele usou a figura de uma festa de casamento. Nos tempos bíblicos, o casamento era a maior celebração que existia. A festa durava vários dias e era tempo de grande alegria. Ninguém jejuava durante um casamento. Seria completamente inadequado.

Jesus se apresentou como o noivo. Essa era uma afirmação muito forte. No Antigo Testamento, Deus é apresentado como o esposo de Israel (Isaías 54:5; Oseias 2:19-20). Ao se chamar de noivo, Jesus estava declarando Sua divindade. Ele é Deus entre Seu povo.

Os discípulos são os convidados da festa. Enquanto o noivo está presente, é tempo de alegria, não de tristeza. O jejum estava associado ao luto e à aflição. Não combinava com a presença do Messias. Era tempo de celebração porque o Reino de Deus havia chegado.

Porém, Jesus também anunciou que viria um tempo de jejum. Ele disse: “Dias virão em que lhes será tirado o noivo.” Essa foi uma referência à Sua morte. Quando Jesus fosse crucificado, os discípulos ficariam tristes e jejuariam. E após Sua ascensão, o jejum voltaria a ter seu lugar na vida da igreja, como forma de buscar a Deus em tempos de necessidade.

Jesus não aboliu o jejum. Ele ensinou que há tempo certo para tudo.


III. A Ilustração do Remendo Novo (v. 16)

“Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a rotura.” — Mateus 9:16

Depois de responder sobre o jejum, Jesus usou duas ilustrações para ensinar algo mais profundo. A primeira é sobre o remendo de pano novo em roupa velha.

Todos naquela época sabiam que isso não funcionava. O pano novo ainda não havia encolhido. Quando a roupa fosse lavada, o remendo encolheria e puxaria o tecido velho, rasgando-o ainda mais. O conserto se tornaria um estrago maior.

O que Jesus quis ensinar? Que o evangelho não é um remendo para consertar a velha religião. Muitos queriam pegar os ensinos de Jesus e adicionar ao sistema religioso dos fariseus. Queriam misturar a graça com o legalismo. Queriam combinar a liberdade do evangelho com as tradições humanas. Isso não funciona.

O vestido velho representa a religião baseada em obras, rituais e esforço humano para agradar a Deus. O remendo novo representa o evangelho da graça. Quando tentamos misturar os dois, o resultado é desastroso. A rotura fica maior. A pessoa não consegue viver nem a velha religião nem a vida nova em Cristo.

O evangelho não veio para melhorar a religião. O evangelho veio para substituí-la. Não é reforma. É transformação completa. Precisamos abandonar a velha mentalidade legalista para viver a liberdade que Cristo oferece. Como Paulo escreveu: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).


IV. A Ilustração do Vinho e dos Odres (v. 17)

“Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.” — Mateus 9:17

A segunda ilustração é ainda mais clara. Os odres eram recipientes feitos de couro de animal, usados para armazenar vinho. O vinho novo ainda passava por fermentação, produzindo gases que expandiam o recipiente.

Um odre novo era flexível. Ele conseguia se expandir junto com a fermentação sem se romper. Mas um odre velho já estava ressecado e endurecido. Se vinho novo fosse colocado nele, a pressão da fermentação faria o odre estourar. O resultado seria a perda tanto do vinho quanto do odre.

O vinho novo representa o evangelho, a nova vida que Jesus veio trazer. O odre representa o recipiente que recebe essa vida, ou seja, a pessoa, sua mente e seu coração. Para receber o evangelho e conservá-lo, é preciso ser um odre novo. É preciso uma mente renovada e um coração transformado.

Os fariseus eram odres velhos. Estavam endurecidos em suas tradições. Não tinham flexibilidade para receber o que Jesus ensinava. Por isso rejeitaram o Messias. Seus corações rígidos não suportaram a novidade do evangelho.

Jesus ensina que, para conservar a bênção do evangelho, precisamos ser renovados. Paulo disse: “Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento” (Romanos 12:2). Não podemos manter a velha mentalidade e esperar viver a vida nova em Cristo. Deus quer nos fazer odres novos para que possamos receber tudo o que Ele tem para nós.


Conclusão

Neste texto, o Senhor Jesus respondeu uma pergunta sobre jejum, mas ensinou algo muito maior. Ele mostrou que o evangelho não é um ajuste na velha religião. O evangelho é vida completamente nova.

Primeiro, Jesus ensinou que há tempo para alegria e tempo para jejum. Enquanto Ele estava presente, era tempo de celebração. Depois de Sua partida, o jejum teria seu lugar. O importante é fazer as coisas no tempo certo e com o coração certo, não por ritual ou aparência.

Segundo, Jesus ensinou que não se mistura o novo com o velho. Não se coloca remendo novo em roupa velha. Não se coloca vinho novo em odres velhos. Quem tenta fazer isso perde tanto o novo quanto o velho. O evangelho exige transformação completa, não reforma superficial.

A pergunta para nós hoje é: como estamos recebendo o evangelho? Estamos tentando adicionar Jesus à nossa velha maneira de viver? Estamos querendo as bênçãos de Deus sem permitir que Ele nos transforme? Ou estamos nos tornando odres novos, com mente renovada e coração flexível nas mãos do Senhor?

Que Deus nos ajude a abandonar a velha mentalidade religiosa e abraçar plenamente a vida nova que o Senhor Jesus nos oferece. Que sejamos odres novos, prontos para receber tudo o que o Pai tem para nós. E que o vinho novo do evangelho seja conservado em nossas vidas para a glória de Deus!


FAQ — Perguntas Frequentes

1. Jesus proibiu o jejum nesta passagem?

Não. O Senhor Jesus não proibiu o jejum. Ele mesmo jejuou por quarenta dias (Mateus 4:2) e ensinou como jejuar corretamente (Mateus 6:16-18). O que Jesus ensinou foi que há tempo certo para cada coisa. Enquanto Ele estava presente fisicamente com os discípulos, era tempo de alegria. Após Sua partida, o jejum voltaria a ter seu lugar. A igreja primitiva praticava o jejum (Atos 13:2-3; 14:23).

2. O que significa na prática ser um “odre novo”?

Ser um odre novo significa ter a mente e o coração renovados pelo Espírito Santo. Na prática, envolve abandonar velhos padrões de pensamento pecaminoso, deixar tradições humanas que contradizem a Palavra de Deus, e estar aberto para aprender e crescer. É um processo contínuo de transformação que acontece quando nos submetemos diariamente à obra do Espírito em nós (Romanos 12:2; Efésios 4:22-24).

3. Quem escreveu o Evangelho de Mateus e qual seu propósito?

O Evangelho de Mateus foi escrito pelo apóstolo Mateus, também chamado Levi, que era cobrador de impostos antes de seguir Jesus. Seu evangelho foi escrito principalmente para leitores judeus e tem como propósito apresentar Jesus como o Messias prometido nas Escrituras do Antigo Testamento. Por isso Mateus cita muitas profecias e mostra como Jesus as cumpriu.

4. Por que os fariseus jejuavam duas vezes por semana?

A Lei de Moisés exigia jejum apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação (Levítico 16:29). Os fariseus criaram a tradição de jejuar às segundas e quintas-feiras como demonstração extra de piedade. Esses dias foram escolhidos porque, segundo a tradição, Moisés subiu ao monte Sinai numa quinta-feira e desceu numa segunda-feira. Porém, esse jejum frequente tornou-se mais um ritual para aparentar santidade do que uma busca sincera por Deus.


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