A Visão do Cristo Glorificado
Pregação Expositiva em Apocalipse 1:17 – “E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último.”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Base: Apocalipse 1:9-18
Como Usar esta Pregação
- Apocalipse 1 apresenta Cristo glorificado – bem diferente do Jesus humilde dos Evangelhos. O contraste é intencional e poderoso.
- Os símbolos da visão têm raízes no Antigo Testamento, especialmente em Daniel 7 e 10.
- A mensagem enfatiza tanto a majestade de Cristo quanto Sua proximidade amorosa – Ele é glorioso, mas também conforta.
Introdução
João era o último dos apóstolos. Todos os seus companheiros já haviam morrido – a maioria como mártires. Pedro, crucificado de cabeça para baixo. Tiago, decapitado. Os outros, espalhados e mortos por causa do evangelho.
E João? João estava preso. Exilado na ilha de Patmos – um rochedo árido no Mar Egeu que servia como presídio para os piores criminosos do Império Romano. Seu crime? Pregar a Palavra de Deus e dar testemunho de Jesus.
Podemos imaginar João ali, idoso, sozinho, cercado pelo mar, aguardando talvez apenas a chegada de sua própria morte. Os anos de ministério haviam ficado para trás. Os dias de caminhar com Jesus pela Galileia eram memórias distantes.
Mas então, num dia do Senhor, algo extraordinário aconteceu.
João ouviu uma voz. Uma voz poderosa como trombeta. Uma voz como o som de muitas águas. E quando se virou para ver quem falava com ele, o que viu mudou tudo.
Ele viu Jesus. Mas não o Jesus que conhecera. Não o carpinteiro de Nazaré. Não o homem de dores. Ele viu o Cristo glorificado – e caiu a Seus pés como morto.
João Se Vira Para Ver
“E virei-me para ver quem falava comigo.” (Apocalipse 1:12a)
A voz que chamou
João estava “em espírito no dia do Senhor” quando ouviu atrás de si uma grande voz, como de trombeta (v.10). A voz ordenou que ele escrevesse o que via e enviasse às sete igrejas da Ásia.
Era uma voz familiar? Talvez. Mas era também uma voz transformada. Não era mais a voz do mestre galileu que ele conhecera. Era a voz do Cristo ressurreto, glorificado, reinando.
A postura de João
O texto diz: “E virei-me para ver quem falava comigo.”
João tomou uma postura. Não ignorou a voz. Não permaneceu de costas. Ele se virou. Mudou de direção. Quis ver quem falava.
O Senhor sempre tem falado com o homem. A questão é: nós nos viramos para ver? Nós mudamos a direção do nosso olhar para encontrá-Lo?
João poderia estar absorto em sua situação – preso, sozinho, idoso. Mas quando a voz soou, ele se virou. E o que ele viu transformou seu exílio em revelação.
O Cristo Glorificado
“E, havendo-me virado, vi sete castiçais de ouro; e no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem.” (Apocalipse 1:12b-13a)
No meio dos castiçais
A primeira coisa que João viu foram sete castiçais de ouro. E no meio deles, alguém “semelhante ao Filho do homem.”
Os castiçais representam as sete igrejas (v.20). E Jesus está no meio delas. Ele não está distante, observando de longe. Está presente, caminhando entre Seu povo.
O Cristo glorificado não abandonou Sua igreja. Mesmo exaltado à destra do Pai, Ele permanece presente entre os Seus.
Um Jesus diferente
João conhecia Jesus intimamente. Era o discípulo que reclinava a cabeça no peito do Mestre durante a última ceia. Quando os outros discípulos queriam saber algo, pediam a João que perguntasse a Jesus.
João vira Jesus em muitas situações: ensinando multidões, acalmando tempestades, ressuscitando mortos. Vira-O também na cruz – ensanguentado, seminu, abandonado.
A última imagem que João tinha de Jesus era a de um homem sofrido. Um homem de dores. Uma raiz de terra seca, sem parecer nem formosura.
Mas agora, décadas depois, João vê algo completamente diferente. Vê Jesus na glória. E a visão é avassaladora.
Os Detalhes da Glória
“Vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.” (Apocalipse 1:13b)
Cada detalhe da aparência de Cristo carrega significado profundo.
As vestes de realeza
Jesus vestia uma roupa comprida até aos pés e um cinto de ouro no peito. Eram vestes de realeza e de sumo sacerdote.
Durante seu ministério terreno, Jesus tinha apenas um vestido – tão simples que os soldados o dividiram por sortes na crucificação. Não tinha parecer nem formosura. Era pobre entre os pobres.
Agora João O vê vestido como Rei. Como Senhor. Como o Sumo Sacerdote eterno que intercede por nós.
Cabelos brancos como a neve
“A sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve.” (Apocalipse 1:14a)
Essa descrição remete a Daniel 7:9, onde o “Ancião de Dias” é descrito com “cabelos da sua cabeça como a pura lã.”
Os cabelos brancos simbolizam eternidade, sabedoria e santidade. Jesus é o Eterno – sem começo nem fim. É o Santo – puro e imaculado.
O jovem carpinteiro de Nazaré agora se revela como o Deus eterno que existe antes de todas as coisas.
Olhos como chama de fogo
“Os seus olhos eram como chama de fogo.” (Apocalipse 1:14b)
Os olhos de fogo representam onisciência e julgamento. Nada escapa ao olhar de Cristo. Ele vê através de todas as aparências, todas as máscaras, todos os segredos.
Para a igreja de Tiatira, Jesus se apresenta como “aquele que tem os olhos como chama de fogo” (Apocalipse 2:18) – e então revela que conhece suas obras, seu amor, sua fé, mas também sua tolerância ao pecado.
Ninguém pode escapar ao olhar de Jesus. Ele tudo vê, de tudo sabe. Isso é aterrador para quem vive em pecado, mas consolador para quem é fiel – Ele também vê nossas lágrimas, nossas lutas, nossa perseverança.
Pés como bronze polido
“Os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha.” (Apocalipse 1:15a)
João estava acostumado a ver os pés de Jesus feridos – cortados pelas pedras dos caminhos da Palestina, perfurados pelos cravos da cruz.
Agora ele vê pés de bronze reluzente, refinados pelo fogo. Bronze representa julgamento e firmeza. Os pés de Cristo pisarão sobre todo inimigo. Ele vem para estabelecer justiça.
Voz como muitas águas
“A sua voz era como a voz de muitas águas.” (Apocalipse 1:15b)
A última vez que João ouvira a voz de Jesus foi o grito terrível na cruz: “Está consumado!” Uma voz de agonia, de sacrifício, de morte.
Agora a voz é como o rugir de uma cachoeira – poderosa, majestosa, impossível de ignorar. Quando você está perto de uma grande cachoeira, não ouve mais nada além dela. Assim é a voz de Cristo – ela abafa qualquer outra voz, qualquer argumento humano.
Rosto como o sol
“O seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.” (Apocalipse 1:16b)
Pedro, Tiago e João haviam visto um vislumbre dessa glória no Monte da Transfiguração, quando “o seu rosto resplandeceu como o sol” (Mateus 17:2). Mas ali foi momentâneo.
Agora, na eternidade, a glória é permanente. Cristo brilha com luz própria – Ele é a luz do mundo em sentido absoluto.
A Reação de João
“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto.” (Apocalipse 1:17a)
Caiu como morto
João não conseguiu permanecer de pé. Diante da glória de Cristo, suas forças o abandonaram. Ele caiu prostrado, “como morto.”
Este era o discípulo amado. O que tinha mais intimidade com Jesus. O que reclinava no peito do Mestre. E mesmo ele, diante da glória plena de Cristo, não conseguiu se manter de pé.
Quando Isaías viu a glória de Deus, disse: “Ai de mim, que vou perecendo!” (Isaías 6:5). Quando Daniel teve visão semelhante, “não ficou força em mim… caí com o rosto em terra” (Daniel 10:8-9).
A reação adequada à glória de Deus é prostração. É reconhecimento de nossa pequenez diante de Sua grandeza. É rendição.
O que significa “como morto”
Morto não tem vontade própria. Morto não questiona, não debate, não resiste. Morto está completamente entregue.
João, diante de Cristo glorificado, deixou de lado toda sua vontade para submeter-se à vontade de Jesus. Não havia mais espaço para agenda própria. Só restava rendição total.
É assim que Jesus nos quer: aos Seus pés, rendidos, dizendo: “Senhor, governa a minha vida. Não a minha vontade, mas a Tua seja feita.”
O Toque que Restaura
“E ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém.” (Apocalipse 1:17b-18)
A mão que conforta
Jesus não deixou João prostrado em terror. Ele colocou Sua mão direita sobre ele. A mesma mão que curou leprosos, que abençoou crianças, que foi pregada na cruz – agora toca João para confortá-lo.
O Cristo glorificado é majestoso, mas não é distante. É terrível em Sua glória, mas terno em Seu amor. Ele não nos esmaga com Sua grandeza – Ele nos levanta com Sua graça.
“Não temas”
As primeiras palavras de Jesus ao João prostrado foram: “Não temas.”
Quantas vezes essa expressão aparece na Bíblia! O Deus que é glorioso demais para ser contemplado é também o Deus que diz: “Não tenha medo.”
João não precisava temer. Não porque a glória de Cristo fosse menor do que parecia. Mas porque aquele Cristo glorioso era o mesmo Jesus que o amava, que morreu por ele, que o chamava de amigo.
A declaração de identidade
Jesus se identifica: “Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre.”
- O primeiro e o último – Eterno, sem começo nem fim.
- O que vivo – Ressurreto, vitorioso.
- Fui morto – Ele realmente morreu na cruz. Não foi aparência.
- Vivo para todo o sempre – A morte não pôde segurá-Lo. Ele venceu.
E mais: “Tenho as chaves da morte e do inferno” (v.18). Ele tem autoridade absoluta sobre a morte. Ele decide quem entra e quem sai.
Conclusão
João estava preso em Patmos. Sozinho. Idoso. Aguardando talvez a morte.
E então ouviu uma voz. Virou-se para ver quem falava. E viu Jesus – não mais o carpinteiro sofrido, mas o Rei glorificado.
Viu os cabelos brancos da eternidade. Os olhos de fogo que tudo veem. Os pés de bronze que julgam. A voz de muitas águas que abafa toda voz humana. O rosto brilhante como o sol na sua força.
E caiu como morto.
Mas Jesus o tocou. Disse: “Não temas.” E revelou-se como o Primeiro e o Último, o que esteve morto mas vive para sempre, o que tem as chaves da morte e do inferno.
O exílio de João se transformou em revelação. O rochedo de Patmos se tornou porta do céu.
E nós? Temos ouvido a voz de Cristo? Temos nos virado para vê-Lo? Ou continuamos de costas, absortos em nossas circunstâncias?
O mesmo Jesus que se revelou a João quer se revelar a você. O mesmo Cristo glorificado caminha no meio de Sua igreja hoje. Ele vê você. Ele conhece você. Ele chama você.
Vire-se. Veja quem fala com você. E caia a Seus pés – não em terror, mas em rendição. Deixe que Ele governe sua vida. Deixe que Ele faça em você a Sua vontade.
E ouça Ele dizer: “Não temas. Eu sou o primeiro e o último. Eu vivo. E porque eu vivo, você também viverá.”
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que João estava exilado em Patmos?
João foi exilado pelo Império Romano por causa de sua fé e pregação. Patmos era uma pequena ilha rochosa no Mar Egeu usada como colônia penal. O imperador Domiciano (81-96 d.C.) perseguiu intensamente os cristãos, e João, já idoso, foi banido para lá. Foi nesse exílio que ele recebeu as visões do Apocalipse.
2. Por que a descrição de Jesus em Apocalipse 1 é tão diferente dos Evangelhos?
Nos Evangelhos, vemos Jesus em Sua humilhação – Ele se esvaziou de Sua glória para se tornar homem e morrer por nós. Em Apocalipse, vemos Jesus em Sua exaltação – ressurreto, glorificado, reinando. É o mesmo Jesus, mas agora revelado em Sua glória plena, que havia sido velada durante o ministério terreno.
3. O que significam os símbolos na descrição de Cristo?
Cada elemento tem significado: os cabelos brancos representam eternidade e santidade (cf. Daniel 7:9); os olhos de fogo, onisciência e julgamento; os pés de bronze, firmeza e capacidade de julgar; a voz como águas, autoridade e poder; as vestes longas e cinto de ouro, realeza e sacerdócio. Os símbolos comunicam a majestade total de Cristo.
4. Por que João caiu “como morto” se ele conhecia Jesus tão bem?
Conhecer Jesus em Sua humanidade não preparou João para contemplar Sua glória plena. Mesmo os mais íntimos de Deus, quando confrontados com Sua majestade, ficam prostrados (Isaías 6; Daniel 10; Ezequiel 1). A reação adequada à glória divina é prostração – reconhecimento de nossa pequenez e rendição total.
5. O que significa Jesus ter “as chaves da morte e do inferno”?
Significa que Jesus tem autoridade absoluta sobre a morte e o mundo dos mortos. Ele venceu a morte através de Sua ressurreição e agora controla seu poder. Para os crentes, isso é consolo – a morte não tem a última palavra. Para os incrédulos, é advertência – terão que prestar contas a Ele.
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