A Visão do Cristo Glorificado
Pregação Expositiva em Apocalipse 1:12,17 – “E virei-me para ver quem falava comigo… E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último.”
💡 Como usar este Esboço de Pregação (Apocalipse 1:12-17)
📋 Tipo de Pregação: Expositiva
🎯 Finalidade: Ensino e consagração — Esta mensagem expõe a visão que João teve do Senhor Jesus glorificado na ilha de Patmos. Cada elemento da descrição revela algo sobre a natureza e a obra de Cristo exaltado. É ideal para cultos de adoração, estudos sobre Apocalipse, ou momentos em que a igreja precisa ter uma visão renovada de quem é o Senhor Jesus — não mais o carpinteiro sofredor, mas o Rei da Glória.
Contexto: João, o último apóstolo vivo, estava exilado em Patmos, uma ilha-presídio no Mar Egeu. Estava ali por causa do evangelho. Todos os seus companheiros já haviam morrido. Nessa condição de isolamento e sofrimento, ele recebeu a revelação de Jesus Cristo. A visão que ele teve transformou completamente sua perspectiva — e pode transformar a nossa também. Recomenda-se a leitura de Apocalipse 1:9-20.
Introdução
João estava em Patmos. Uma pequena ilha rochosa no Mar Egeu, usada pelo Império Romano como presídio para os piores criminosos. João não era criminoso — era apóstolo. Estava ali por causa do evangelho, porque pregava a Palavra de Deus.
Era o último dos apóstolos. Pedro havia sido crucificado de cabeça para baixo. Paulo, decapitado. Tiago, morto à espada. Um a um, seus companheiros haviam partido. Agora, João estava sozinho, idoso, exilado. Podemos presumir que aguardava apenas a chegada de sua morte.
Foi nessa situação que ele ouviu uma voz. Uma voz como de trombeta, como de muitas águas. E João fez algo que mudou tudo: virou-se. “Virei-me para ver quem falava comigo.”
O que ele viu transformou sua perspectiva completamente. Não era o Jesus que ele conhecia — o carpinteiro de Nazaré, o homem de dores, aquele que havia morrido na cruz. Era Jesus glorificado. O Rei dos reis. O Senhor dos senhores. Aquele que venceu a morte e agora vive para sempre.
Essa visão é para nós também. O Senhor Jesus ainda fala. A pergunta é: vamos nos virar para vê-lo? Vamos permitir que nossa visão dele seja transformada?
1. A Postura de João: Virar-se Para Ver (v. 12)
“E virei-me para ver quem falava comigo”
Versículo de referência: “Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 2:7)
João ouviu uma voz e tomou uma decisão: virou-se. Não ignorou o chamado. Não continuou olhando na direção em que estava. Mudou de posição para ver quem falava.
Essa atitude é fundamental. O Senhor sempre tem falado com o homem, mas é necessária uma postura de resposta. É preciso virar-se. Mudar de direção. Prestar atenção.
Quantos ouvem a voz de Deus e não se viram? Continuam olhando para suas preocupações, seus problemas, suas distrações. O Senhor chama, mas eles não respondem. A voz está lá, mas eles não mudam de posição para vê-lo.
O conselho do Senhor para nós é esse: vire-se. Mude a direção da sua vida. Pare de olhar para o que não satisfaz e volte-se para aquele que pode transformar tudo.
João estava preso, sozinho, sofrendo. Sua situação externa era terrível. Mas quando ele se virou, viu algo que mudou tudo. Não foi a circunstância que mudou — foi sua visão. E isso fez toda a diferença.
Às vezes, a resposta para nossa situação não está em mudar o ambiente, mas em mudar a direção do olhar. Quando nos viramos para o Senhor Jesus, quando o vemos como Ele realmente é, nossas circunstâncias ganham nova perspectiva.
Você tem se virado para ver o Senhor? Ou continua olhando para seus problemas, suas dores, suas dificuldades? Ele está falando. A voz está aí. Mas você precisa tomar a decisão de se virar. Mude a direção do seu olhar. Volte-se para Ele. E veja o que João viu.
2. A Visão de João: Jesus Glorificado (v. 13-15)
“Um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés com um vestido comprido”
Versículo de referência: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Filipenses 2:9)
O que João viu? Viu Jesus, mas diferente. Jesus glorificado. Como nunca o havia visto antes.
João tinha intimidade com o Senhor Jesus. Era o discípulo amado. Recostava a cabeça em seu peito. Andou com Ele por três anos. Viu-o cansado, com fome, chorando. Viu-o na cruz, sangrando, morrendo.
A última imagem que João tinha era terrível: Jesus seminu, pregado em madeiros, gritando “Está consumado”. Um homem de dores, desprezado.
Mas agora, ao se virar, João vê algo completamente diferente:
Os cabelos brancos como lã e como neve — símbolo de sabedoria, eternidade, pureza. Nele encontramos refrigério e descanso, mesmo em Patmos.
Os olhos como chama de fogo — ninguém escapa ao seu olhar. Ele tudo vê, tudo conhece. Penetra os segredos do coração.
O vestido comprido até os pés com cinto de ouro — vestes de rei e sacerdote. Não mais as roupas simples do carpinteiro, não mais o manto rasgado pelos soldados. Agora, vestes de glória e majestade.
Os pés como bronze polido, refinado em fornalha — não mais os pés machucados pelas estradas da Galileia, mas pés de juiz pronto para exercer justiça.
A voz como de muitas águas — não mais o grito de agonia na cruz, mas voz de autoridade que abafa todo argumento humano.
Qual imagem você tem do Senhor Jesus? Apenas o bebê na manjedoura? O homem sofredor na cruz? Ele é muito mais. É o Rei glorificado, vivo, reinando. Atualize sua visão. Veja-o como João viu: majestoso, poderoso, glorioso.
3. A Resposta de João: Cair como Morto (v. 17a)
“E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto”
Versículo de referência: “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.” (Tiago 4:10)
Diante dessa visão, qual foi a reação de João? Caiu a seus pés como morto.
Note: não caiu apenas de joelhos. Caiu como morto. É uma imagem de rendição total, de submissão completa, de morte da própria vontade.
Morto não tem vontade própria. Morto não questiona, não debate, não resiste. Morto não defende seus interesses nem exige seus direitos. Está completamente entregue.
João era apóstolo. Tinha autoridade na igreja. Tinha experiência, conhecimento, história com o Senhor Jesus. Mas diante do Cristo glorificado, tudo isso se desfez. Ele simplesmente caiu. Rendeu-se.
Essa é a postura que o Senhor Jesus espera de nós. Não apenas admiração à distância, não apenas respeito formal. Mas rendição completa. Cair aos seus pés. Entregar o controle. Dizer: “Senhor, governa a minha vida. Não a minha vontade, mas a tua seja feita.”
Quando vemos o Senhor Jesus como Ele realmente é — em sua glória, majestade e poder — a única resposta apropriada é prostração. Não há espaço para orgulho, autossuficiência ou independência. Só há espaço para rendição.
Aplicação prática: Você tem caído aos pés do Senhor Jesus? Ou ainda mantém áreas da vida sob seu próprio controle? Ele quer rendição total. Não parcial, não negociada. Total. Como morto aos seus pés. Entregue sua vontade. Submeta seus planos. Deixe-o governar completamente.
4. O Toque de Jesus: Não Temas (v. 17b)
“E ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último”
Versículo de referência: “Não te assombres, não te atemorizares, porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.” (Josué 1:9)
João caiu como morto. Mas a história não termina aí. O Senhor Jesus fez algo maravilhoso: pôs sobre ele sua destra e disse: “Não temas.”
O mesmo Senhor glorificado, de olhos como fogo e voz como muitas águas, estende a mão e toca João com ternura. O Rei dos reis se inclina para confortar seu servo prostrado.
Que contraste impressionante! A mesma destra que segura as sete estrelas agora repousa sobre João tremendo. A mesma voz que soa como trovão agora sussurra palavras de encorajamento.
“Não temas” — palavras que aparecem repetidamente na Bíblia. Deus sabe que temos medo. Medo do futuro, medo da morte, medo das circunstâncias. E Ele vem até nós e diz: não tema.
“Eu sou o primeiro e o último” — antes de tudo, Ele já existia. Depois de tudo, Ele ainda estará. É o eterno, o soberano, o que tem controle sobre todas as coisas. Se Ele é o primeiro e o último, tudo o que está no meio está sob seu domínio.
João estava em Patmos, preso, esperando a morte. Mas agora tinha uma visão renovada. O Senhor glorificado estava com ele. Não havia razão para temer.
O mesmo Senhor que exige rendição também oferece conforto. Não tema. Seja qual for sua situação — solidão, doença, incerteza, perseguição — Ele está com você. Sua destra está sobre você. E Ele é o primeiro e o último. Confie nele. Descanse nele. Ele governa todas as coisas.
Conclusão
João estava em Patmos — preso, sozinho, envelhecido. Parecia o fim. Mas então ele ouviu uma voz. E tomou uma decisão crucial: virou-se para ver.
O que ele viu transformou tudo. Não era mais o Jesus carpinteiro, o homem de dores, o crucificado. Era o Senhor Jesus glorificado. Cabelos brancos como neve. Olhos como fogo. Vestes de rei. Voz de autoridade. Vivo para sempre.
Diante dessa visão, João fez a única coisa apropriada: caiu como morto aos seus pés. Rendição total. Morte da própria vontade. Submissão completa.
E então, o toque. A destra do Senhor sobre ele. As palavras de conforto: “Não temas. Eu sou o primeiro e o último.”
Essa experiência é para nós também. O Senhor Jesus ainda fala. Ainda se revela. Ainda chama. A pergunta é: vamos nos virar? Vamos vê-lo como Ele realmente é? Vamos cair em rendição aos seus pés?
Quando fazemos isso, descobrimos que o mesmo Senhor glorificado é também o Senhor compassivo. Sua mão nos toca. Sua voz nos conforta. E podemos enfrentar qualquer Patmos, porque Ele está conosco.
Vire-se. Veja-o. Renda-se. E ouça: “Não temas.”
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Por que João estava exilado em Patmos?
João foi exilado para Patmos durante a perseguição do imperador Domiciano (por volta de 95 d.C.). Patmos era uma pequena ilha rochosa no Mar Egeu, usada como colônia penal pelo Império Romano. João foi enviado para lá “por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Apocalipse 1:9). Ele era o último apóstolo vivo, e foi durante esse exílio que recebeu a revelação que se tornou o livro de Apocalipse.
2. O que significam os elementos da descrição de Jesus glorificado?
Cada elemento revela algo sobre Cristo: os cabelos brancos representam sabedoria e eternidade; os olhos como fogo indicam seu conhecimento penetrante e juízo; as vestes longas e cinto de ouro mostram realeza e sacerdócio; os pés como bronze polido simbolizam firmeza e julgamento; a voz como muitas águas representa autoridade absoluta. Juntos, pintam um retrato do Senhor Jesus como Rei, Juiz e Deus soberano.
3. Por que João caiu “como morto” e não apenas de joelhos?
A expressão “como morto” indica rendição total, não apenas reverência. Morto não tem vontade própria, não resiste, não questiona. Diante da glória plena de Cristo, a única resposta apropriada é prostração completa. Outros personagens bíblicos tiveram reações semelhantes diante de manifestações divinas: Isaías (Isaías 6:5), Ezequiel (Ezequiel 1:28), Daniel (Daniel 10:8-9).
4. O que significa Jesus dizer “Eu sou o primeiro e o último”?
É uma declaração de divindade e eternidade. Em Isaías 44:6, Deus diz: “Eu sou o primeiro e eu sou o último, e fora de mim não há Deus.” Ao usar essa expressão, Jesus está se identificando como Deus eterno. Ele existia antes de tudo e existirá depois de tudo. Isso significa que tudo o que acontece entre o princípio e o fim está sob seu controle soberano.
5. Como posso ter uma experiência semelhante à de João hoje?
Você pode “virar-se” para ver Jesus através da Palavra de Deus, da oração e da adoração. O Espírito Santo revela Cristo a nós quando buscamos com sinceridade. Não precisamos de uma visão sobrenatural como João teve — temos as Escrituras que revelam o mesmo Cristo glorificado. A chave é a postura: disposição para ouvi-lo, rendição para obedecê-lo, fé para confiar nele mesmo quando as circunstâncias são difíceis como Patmos.
Mais Esboço de Pregação
- Eu, JOÃO – Apocalipse 1:9-11; 19
- Quem falava comigo – Apocalipse 1:12-17
- Jesus Glorificado – Apocalipse 1:10-19





