Volte a Siloé – Pregação
Esboço de Pregação em Isaías 8:6 – “Porquanto este povo desprezou as águas de Siloé que correm brandamente, e alegrou-se com Rezim e com o filho de Remalias.”
Como Usar este Esboço de Pregação
Este material vai ajudar você a pregar sobre o perigo de abandonar a confiança em Deus e buscar socorro em outras fontes.
Leia Isaías 7 e 8 para entender a situação política de Judá naquele momento. Leia também João 9 para ver a conexão com o tanque de Siloé no ministério de Jesus.
Fale sobre as “alianças” que as pessoas fazem hoje — com dinheiro, relacionamentos, poder, ou qualquer coisa que tome o lugar de Deus.
Tempo de pregação: Completo: 35-45 minutos. Resumido: 20-25 minutos.
Dica: Esta mensagem é excelente para cultos de avivamento, campanhas de consagração ou quando a igreja precisa ser chamada de volta à dependência de Deus.
Tipo de Pregação: Textual-Expositiva
Introdução
O povo de Judá estava com medo.
Para entender o texto de hoje, precisamos voltar um pouco na história. Israel, o reino do norte, tinha se aliado com a Síria para atacar Judá, o reino do sul. O rei de Israel era Peca, filho de Remalias. O rei da Síria era Rezim. Juntos, eles queriam derrubar o rei Acaz de Judá e colocar outro rei no lugar.
Quando Acaz soube dessa aliança, ficou apavorado:
“E deu-se aviso à casa de Davi, dizendo: A Síria se aliou com Efraim. Então se moveu o coração de Acaz, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento.” — Isaías 7:2
O coração do rei e do povo tremeu como árvores no vento. O medo tomou conta de todos.
O que Acaz deveria ter feito? Confiar no Senhor. Deus até mandou o profeta Isaías falar com ele: “Acautela-te, e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração” (Isaías 7:4). Deus prometeu que aquela aliança não ia dar certo. Os inimigos seriam derrotados.
Mas Acaz não confiou em Deus. Em vez de buscar o Senhor, ele mandou mensageiros ao rei da Assíria pedindo socorro. Pegou ouro e prata do templo e mandou como presente para comprar a ajuda de um rei pagão.
Foi nesse contexto que Deus falou através de Isaías:
“Porquanto este povo desprezou as águas de Siloé que correm brandamente, e alegrou-se com Rezim e com o filho de Remalias.” — Isaías 8:6
As águas de Siloé eram um pequeno canal que levava água para Jerusalém. Não era um rio caudaloso, impressionante. Era um fluxo brando, tranquilo, constante. Representava a provisão de Deus — discreta, fiel, suficiente.
Mas o povo desprezou essa água mansa. Preferiu confiar em alianças humanas. E Deus chamou isso de desprezo.
I. Siloé — A Provisão que Deus Oferece
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.” — Salmo 23:1-2
Siloé era um tanque que recebia água através de um canal construído nos tempos antigos. Essa água vinha da fonte de Giom e abastecia Jerusalém. O nome Siloé significa “enviado” — a água era enviada através do canal até a cidade.
A água de Siloé era simples, mas essencial. Não era um rio grande e barulhento. Não impressionava quem olhava. Corria brandamente, sem chamar atenção. Mas era essa água simples que mantinha Jerusalém viva. Sem ela, a cidade não sobreviveria.
Assim é a provisão de Deus na nossa vida. Às vezes não é espetacular. Não vem com fogos de artifício. Não impressiona quem está de fora. Mas é fiel. É constante. É suficiente.
Deus age muitas vezes de forma discreta. Ele não precisa fazer show para provar que está presente. A água de Siloé corria em silêncio, mas fazia seu trabalho. Deus trabalha assim também. Às vezes esperamos grandes milagres e não percebemos as bênçãos diárias que Ele derrama sobre nós.
O maná no deserto caía todo dia, de manhã. Era simples, repetitivo, sem novidade. Mas sustentou o povo por quarenta anos. A viúva de Sarepta recebeu farinha e azeite que não acabavam — não um depósito cheio de uma vez, mas provisão diária. Deus gosta de trabalhar assim: de forma constante, branda, fiel.
A provisão de Deus exige confiança. A água de Siloé era suficiente para Jerusalém. Mas só servia quem confiasse nela. Quem achasse pouco, quem quisesse algo mais impressionante, ia buscar em outro lugar.
Acaz olhou para Siloé e achou pouco. Achou que precisava de algo maior — o exército da Assíria. E foi buscar socorro no lugar errado.
Para a nossa vida: Como você tem olhado para a provisão de Deus? Tem reconhecido as bênçãos diárias? Ou tem achado pouco o que Ele oferece? A água de Siloé pode parecer simples, mas é tudo que você precisa.
II. O Desprezo — O Erro de buscar Socorro em outro Lugar
“Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” — Jeremias 17:5
O texto diz que o povo “desprezou” as águas de Siloé. Essa palavra é forte. Não foi apenas negligência ou esquecimento. Foi rejeição deliberada. Olharam para o que Deus oferecia e disseram: “Não quero isso.”
Desprezar a Deus é trocar o certo pelo incerto. As águas de Siloé eram garantidas. Corriam há gerações. Nunca falharam. Mas o povo preferiu confiar em Rezim e no filho de Remalias — reis humanos, alianças políticas, acordos que podiam mudar a qualquer momento.
E não parou aí. Acaz foi mais longe: buscou a Assíria, um império pagão, violento, que mais tarde se tornaria o instrumento do próprio juízo de Deus contra Israel. O socorro que ele buscou se tornou sua destruição.
O desprezo começa no coração. Ninguém acorda um dia e decide abandonar a Deus. É um processo. Começa com pequenas dúvidas. Continua com pequenas escolhas erradas. Vai crescendo até que a pessoa olha para o Senhor e acha pouco.
O povo de Judá não acordou odiando a Deus. Mas foi aos poucos deixando de confiar. Foi aos poucos buscando outras fontes. Foi aos poucos se acostumando a viver sem depender do Senhor. Até que o desprezo ficou evidente.
O que desprezamos mostra o que valorizamos. Quando alguém despreza a água simples de Siloé, está dizendo que quer algo mais impressionante. Quando alguém despreza a direção de Deus, está dizendo que confia mais no próprio julgamento. Quando alguém despreza a Palavra, está dizendo que outras vozes são mais importantes.
Com o que você tem se alegrado? O texto diz que o povo “alegrou-se com Rezim”. Acharam que a aliança humana era motivo de festa. Celebraram o acordo político. Mas estavam celebrando a própria ruína.
Para a nossa vida: O que você tem buscado no lugar de Deus? Dinheiro? Relacionamentos? Posição? Sucesso? Nenhuma dessas coisas é má em si mesma. Mas quando tomam o lugar da confiança em Deus, viram ídolos. E ídolos sempre decepcionam.
III. O Convite — Volte a Siloé
“E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.” — João 9:7
Centenas de anos depois de Isaías, Jesus estava em Jerusalém. Encontrou um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram de quem era a culpa — do homem ou dos pais. Jesus respondeu que não era culpa de ninguém, mas para que as obras de Deus se manifestassem.
Então Jesus fez algo interessante. Cuspiu no chão, fez lodo com a saliva, passou nos olhos do cego e disse: “Vai, lava-te no tanque de Siloé” (João 9:7).
Por que Siloé? De todos os lugares em Jerusalém, por que Jesus mandou o homem ir exatamente ali?
Siloé significa “o Enviado”. João faz questão de explicar isso no texto. Jesus é o Enviado do Pai. Quando o cego foi a Siloé e se lavou, ele estava, de certa forma, indo ao Enviado. E quando foi ao Enviado, seus olhos se abriram.
O cego obedeceu e foi transformado. Ele não questionou. Não pediu explicação. Não reclamou da distância. O texto diz simplesmente: “Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.” A obediência simples trouxe o milagre.
O convite de Deus permanece: volte a Siloé. O povo de Judá desprezou as águas de Siloé. Mas Deus não desistiu de chamar. Séculos depois, Jesus ainda está dizendo: “Vá a Siloé. Volte para a fonte. Lave-se nas águas que você desprezou.”
Talvez você tenha se afastado de Deus. Talvez tenha buscado socorro em outros lugares. Talvez tenha achado pouco o que o Senhor oferecia. Mas Ele ainda está chamando. A água de Siloé ainda está correndo. Brandamente, fielmente, esperando você voltar.
Voltar a Siloé é voltar à dependência de Deus. É reconhecer que as alianças humanas falharam. Que o dinheiro não trouxe paz. Que o sucesso não preencheu o vazio. É olhar para a água simples que Deus oferece e dizer: “Isso é suficiente para mim.”
Para a nossa vida: O que você precisa lavar em Siloé? Que cegueira precisa ser curada? Que área da sua vida está seca porque você abandonou a fonte? Jesus está dizendo hoje: “Vai, lava-te em Siloé.” Obedeça. Vá. E você vai voltar vendo.
Conclusão
“Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas.” — Isaías 55:1
A história de Isaías 8 é triste. Um povo que tinha acesso à água de Siloé preferiu buscar rios estrangeiros. Um rei que podia confiar em Deus preferiu confiar na Assíria. E o resultado foi desastre.
Mas a história de João 9 é diferente. Um homem cego ouviu o convite de Jesus, foi a Siloé, se lavou, e voltou enxergando. A mesma água que foi desprezada por uns trouxe cura para outro.
A diferença não estava na água. Estava na resposta das pessoas.
Deus ainda oferece Siloé hoje. Ainda oferece suas águas que correm brandamente. Não são espetaculares. Não impressionam quem busca show. Mas são fiéis. São suficientes. São vida.
Se você está longe, volte. Não importa há quanto tempo você se afastou. Não importa quantas alianças erradas você fez. A água de Siloé ainda corre. Deus ainda espera.
Se você está perto, valorize. Não despreze a provisão diária de Deus. Não ache pouco o que Ele oferece. Não troque o certo pelo incerto.
Se você está cego, vá lavar-se. Jesus ainda manda ir a Siloé. Ainda oferece cura para quem obedece. Vá. Lave-se. E você vai voltar vendo.
As águas de Siloé correm brandamente. Mas correm. E estão esperando por você.
Volte a Siloé.





