Jesus no Antigo Testamento
Estudo Bíblico em João 5:39 – Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.
Tipo de Estudo: Panorâmico/Tipológico — a presença de Cristo revelada em todo o Antigo Testamento
Texto Base: João 5:39
Textos de Apoio: Lucas 24:27,44; Josué 5:13-15; Hebreus 7:1-3; Gênesis 37-50; Gênesis 28:16-19; 1 Coríntios 11:23-26; Salmo 24:7-10
Finalidade: Ensino — mostrar que o Antigo Testamento aponta para Cristo do começo ao fim, e ajudar o crente a enxergar o Senhor Jesus ao ler as Escrituras, aprofundando a sua comunhão com Ele.
Como usar este Estudo
Este estudo é adequado para Escola Bíblica Dominical de adultos, grupos de discipulado e encontros de estudo panorâmico das Escrituras. Ele oferece uma chave de leitura para toda a Bíblia: enxergar Cristo no Antigo Testamento. É importante distinguir, ao longo do estudo, entre as tipologias confirmadas pelo Novo Testamento (que afirmamos com segurança) e os paralelos devocionais (belos retratos de Cristo, mas apresentados com humildade). Recomenda-se que os participantes tenham uma Bíblia em mãos para acompanhar as passagens.
Finalidade: Ensino — aprender a enxergar Cristo no Antigo Testamento e aprofundar a comunhão com Ele através das Escrituras.
Introdução
O Senhor Jesus fez uma afirmação surpreendente sobre o Antigo Testamento.
Ele estava falando aos líderes religiosos da Sua época — os fariseus, saduceus e escribas, os responsáveis pela religião judaica. Esses homens conheciam profundamente as Escrituras. Eram os doutores da Lei, os intérpretes das Escrituras, os que estudavam o Antigo Testamento a vida inteira.
E, no entanto, o Senhor Jesus lhes disse: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.” (João 5:39)
Repara no que Ele estava dizendo. Aqueles homens conheciam as Escrituras de cor, mas estavam perdendo o ponto central: tudo o que estava escrito no Antigo Testamento apontava para Ele, para o Senhor Jesus. Eles tinham o conhecimento, mas não enxergavam Cristo nas próprias Escrituras que estudavam.
E o Senhor Jesus repetiu essa verdade em outro momento. Depois da ressurreição, caminhando com dois discípulos, Ele “começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lucas 24:27). E disse que era necessário cumprir-se tudo o que estava escrito a Seu respeito “na lei de Moisés, e nos profetas, e nos salmos” (Lucas 24:44).
Ou seja, o próprio Senhor Jesus afirmou que o Antigo Testamento inteiro fala dEle. Isso é uma verdade gloriosa. Quando abrimos o Antigo Testamento, não estamos lendo apenas leis, histórias e profecias antigas — estamos, de várias formas, encontrando o Senhor Jesus.
Neste estudo, vamos aprender a enxergar Cristo no Antigo Testamento, através de algumas figuras que apontam para Ele. Veremos que algumas dessas ligações são confirmadas diretamente pelo Novo Testamento, e outras são belos retratos que a igreja tem contemplado ao longo dos séculos.
1. O Antigo Testamento testifica de Cristo
O primeiro ponto é entender o princípio geral: todo o Antigo Testamento aponta para Cristo.
Muitas vezes, ao lermos o Antigo Testamento, pensamos: “isso é só a Lei, são histórias antigas, não tem muito a ver comigo”. Mas quando lemos com os olhos da fé, começamos a enxergar o Senhor Jesus ali. E, quando isso acontece, o Antigo Testamento deixa de ser apenas uma lei distante e pesada, e se torna um lugar de encontro com o Senhor. Ele nos fala através dessas páginas, e experimentamos a Sua presença.
Como o Antigo Testamento aponta para Cristo? De várias formas:
Através de profecias diretas — passagens que anunciam explicitamente a vinda do Messias, o Seu nascimento, o Seu sofrimento, a Sua morte e ressurreição. Isaías 53, por exemplo, descreve com detalhes o Servo sofredor que carregaria os nossos pecados.
Através de figuras e tipos — pessoas, objetos e acontecimentos que prefiguram Cristo, funcionando como “sombras” que apontam para a realidade que viria nEle. O cordeiro da Páscoa, por exemplo, aponta para Cristo, “o Cordeiro de Deus” (João 1:29).
E através de aparições — momentos em que o próprio Deus se manifesta de formas que muitos entendem apontar para o Filho.
É importante ter equilíbrio ao ler o Antigo Testamento dessa forma. Devemos enxergar Cristo onde a Escritura de fato o revela, sem forçar significados que o texto não tem. As tipologias mais seguras são aquelas que o próprio Novo Testamento confirma. Outras são paralelos que a igreja tem contemplado com proveito, e que devemos apresentar com humildade, como retratos que nos ajudam a entender Cristo, e não como afirmações categóricas.
O Senhor Jesus, sendo eterno, está presente em todo o Antigo Testamento. Antes de vir ao mundo como homem, Ele já existia e já agia. João 1:1 diz: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” Ele não passou a existir em Belém — Ele sempre existiu. Por isso, faz sentido que o Antigo Testamento inteiro aponte para Ele.
Aplicação prática desta seção
Ao ler o Antigo Testamento, você tem buscado enxergar Cristo, ou tem lido apenas como histórias e leis antigas? O próprio Senhor Jesus disse que as Escrituras testificam dEle. Peça a Deus que abra os seus olhos para enxergar o Senhor Jesus ao ler o Antigo Testamento, e a sua leitura se tornará um encontro vivo com Ele.
2. Cristo como o Príncipe do exército do Senhor
Uma das aparições mais marcantes que muitos entendem apontar para Cristo está no livro de Josué, diante dos muros de Jericó.
Josué estava se preparando para conquistar Jericó, e o texto conta: “E sucedeu que, estando Josué junto a Jericó, levantou os seus olhos, e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na sua mão uma espada nua; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?” (Josué 5:13)
Josué, como guerreiro que era, perguntou naturalmente de que lado aquele homem estava. E a resposta foi surpreendente: “E disse ele: Não; mas venho agora como príncipe do exército do Senhor.” (Josué 5:14)
Repara na reação de Josué. Ele “se prostrou com o rosto em terra, e o adorou” (v.14). E o versículo seguinte revela quem era aquele “homem”: Ele ordena que Josué tire as sandálias, porque o lugar era santo (v.15) — exatamente o que Deus disse a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3:5). Um simples anjo não aceitaria adoração (como vemos em Apocalipse 22:8-9), mas este aceita, e trata o lugar como santo por causa da Sua presença.
Por isso, muitos cristãos ao longo da história entenderam essa aparição como uma manifestação do próprio Deus, e alguns especificamente como uma aparição do Filho antes da encarnação — o que chamamos de uma “cristofania”. Essa é uma interpretação respeitável e comum.
A palavra “príncipe” aqui significa “principal”, “comandante”. Aquele que apareceu a Josué era o Comandante do exército do Senhor — o Senhor forte e poderoso na guerra.
E essa figura de Deus como o guerreiro poderoso aparece em outras passagens. O Salmo 24:8 pergunta e responde: “Quem é este Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra.” E o versículo 10: “Quem é este Rei da Glória? O Senhor dos Exércitos; ele é o Rei da Glória.”
Isso nos ensina algo precioso. No Novo Testamento, conhecemos o Senhor Jesus principalmente como o homem manso e humilde, o peregrino da Galileia, o profeta de Nazaré, aquele que se entregou aos soldados romanos sem se defender, que foi trocado por Barrabás. Vemos Ele descendo da Sua glória e se fazendo homem frágil por nós.
Mas quando abrimos o Antigo Testamento, vemos também a Sua glória — o Seu poder eterno, a Sua majestade. Vemos o Rei da Glória, o poderoso na guerra, aquele que vai à frente nas lutas do Seu povo. As duas visões se completam: o Senhor Jesus é ao mesmo tempo o Cordeiro que se entrega e o Rei glorioso; o humilde que morreu por nós e o poderoso que vence por nós.
Que consolo saber que o mesmo Senhor que se humilhou por amor a nós é o Rei forte e poderoso que vai à frente nas nossas batalhas! Ele é o Comandante do exército do Senhor, e Ele luta por nós.
Aplicação prática desta seção
Você tem enxergado o Senhor Jesus apenas como o Cordeiro manso, ou também como o Rei poderoso que luta por você? Nas suas batalhas, lembre-se de que o mesmo Senhor que se entregou por amor é o Comandante forte e poderoso que vai à frente do Seu povo. Ele não apenas morreu por você — Ele também luta por você.
3. Cristo como o Sacerdote eterno em Melquisedeque
Outra figura de Cristo no Antigo Testamento — e esta é confirmada diretamente pelo Novo Testamento — é Melquisedeque, o rei de Salém.
Melquisedeque aparece brevemente em Gênesis 14, como “rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo”, que abençoou Abraão. Um encontro rápido, quase enigmático.
Mas o livro de Hebreus revela que Melquisedeque era uma figura do Senhor Jesus. Hebreus 7:1-3 descreve como Melquisedeque, sem registro de genealogia, de princípio ou fim, se torna “semelhante ao Filho de Deus”, permanecendo “sacerdote para sempre”.
E isso não é invenção nossa — é o próprio Novo Testamento quem faz a ligação, baseado no Salmo 110:4, que profetizou sobre o Messias: “tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.”
O que Melquisedeque nos ensina sobre Cristo? Que Ele é o Sacerdote eterno. Diferentemente dos sacerdotes de Israel, que eram muitos porque a morte os impedia de continuar, o Senhor Jesus permanece sacerdote para sempre. Por isso, como diz Hebreus 7:25, Ele “pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.”
Essa é uma das tipologias mais seguras do Antigo Testamento, justamente porque o Novo Testamento a desenvolve tão claramente. Melquisedeque aponta para o nosso Sacerdote eterno, o Senhor Jesus, que intercede por nós continuamente.
Aplicação prática desta seção
Você tem descansado no fato de ter um Sacerdote eterno que intercede por você continuamente? Assim como Melquisedeque apontava para Cristo, o nosso Senhor é o Sacerdote que nunca deixa de interceder, que pode salvar perfeitamente os que se chegam a Deus por Ele. Você tem se chegado a Deus através desse Sacerdote eterno?
4. Cristo retratado na vida de José
Chegamos agora a uma das figuras mais amadas de Cristo no Antigo Testamento: José, filho de Jacó.
É importante entender o estatuto dessa tipologia. O Novo Testamento não chama José formalmente de “tipo” de Cristo. No entanto, o paralelo entre a vida de José e a vida do Senhor Jesus é tão notável e tão consistente que a igreja, ao longo dos séculos, o tem contemplado com grande proveito como um belo retrato de Cristo. Vamos apresentá-lo assim: não como uma afirmação categórica do texto, mas como um retrato que nos ajuda maravilhosamente a entender o Senhor Jesus.
Vejamos os paralelos entre José e Cristo.
José foi amado pelo pai e rejeitado pelos irmãos. José era profundamente amado por seu pai Jacó, mas foi odiado e rejeitado pelos próprios irmãos. Da mesma forma, o Senhor Jesus é o Filho amado do Pai, mas foi rejeitado pelo Seu próprio povo. João 1:11 diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”
José foi vendido e sofreu injustamente. José foi lançado numa cova pelos irmãos, vendido como escravo, levado ao Egito e preso injustamente. O Senhor Jesus também foi traído e vendido (por Judas, por trinta moedas de prata), e sofreu injustamente, sendo condenado sem culpa. Ambos suportaram sofrimento que não mereciam.
José foi exaltado depois do sofrimento. Depois de todo o sofrimento, José foi levantado a uma posição de grande autoridade, tornando-se governador de todo o Egito, submetido apenas ao faraó. Da mesma forma, o Senhor Jesus, depois de sofrer e morrer, foi exaltado por Deus. Filipenses 2:9 diz que “Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.”
José salvou os que o haviam rejeitado. Este é talvez o paralelo mais tocante. Quando os irmãos que o venderam vieram ao Egito com fome, José, agora poderoso, não se vingou — ele os perdoou, os sustentou e salvou a vida deles. E o Senhor Jesus faz o mesmo: Ele salva justamente aqueles que O rejeitaram, oferecendo perdão e vida aos pecadores que mereciam condenação.
Além disso, podemos ver em José reflexos de Cristo em vários papéis. Como rei, ele governava e supria as necessidades de todos que se achegavam a ele — assim como o Senhor Jesus supre todas as nossas necessidades e é o Pão da Vida. Como aquele que intercedia e cuidava dos irmãos, ele aponta para o Senhor Jesus, que intercede por nós ao Pai. E José chegou a falar profeticamente sobre o futuro: pouco antes de morrer, ele disse aos irmãos: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó” (Gênesis 50:24), e pediu que levassem os seus ossos para a terra prometida. Ele confiava na promessa de Deus mesmo diante da morte.
Que retrato lindo de Cristo encontramos na vida de José! O amado rejeitado, que sofre injustamente, é exaltado, e salva os que o traíram. Ao lermos a história de José, podemos contemplar o próprio Senhor Jesus.
Aplicação prática desta seção
Ao contemplar a vida de José, o que ela lhe ensina sobre o Senhor Jesus? Assim como José foi rejeitado, sofreu, foi exaltado e salvou os que o traíram, o Senhor Jesus foi rejeitado, sofreu por nós, foi exaltado e nos salva apesar de O termos rejeitado. Você tem se maravilhado com esse amor que perdoa e salva mesmo os que erraram? E, como José, você tem confiado nas promessas de Deus mesmo diante das dificuldades?
5. Cristo em muitas outras figuras do Antigo Testamento
Além dessas figuras que vimos, o Antigo Testamento está cheio de outras que apontam para o Senhor Jesus. Vale mencionar algumas, para vermos como Cristo está presente em toda a Escritura.
O Senhor Jesus aparece nos vários ofícios que o Antigo Testamento apresenta. Como Rei, vemos figuras da realeza que apontam para o Rei dos reis. Como Profeta, encontramos os profetas que anunciavam a Palavra de Deus, sendo que Davi profetizou muitas das grandes profecias messiânicas. Como Sacerdote, vemos Melquisedeque e o sistema sacerdotal apontando para o nosso Sumo Sacerdote. E na humanidade — no sofrimento, na simplicidade, na dependência de Deus — figuras como José retratam o Senhor Jesus feito homem por nós.
O Senhor Jesus também é retratado em muitos objetos e acontecimentos. Ele é o Cordeiro da Páscoa, cujo sangue livrava da morte. Ele é o maná que alimentava o povo no deserto, pois Ele é o Pão da Vida (o próprio Senhor Jesus fez essa ligação em João 6). Ele é a rocha que dava água ao povo, pois Paulo diz que “a rocha era Cristo” (1 Coríntios 10:4). Ele é a serpente de bronze levantada no deserto, para que os que olhassem vivessem, como Ele mesmo disse em João 3:14.
E há um lugar especial onde nos lembramos de tudo isso: a Ceia do Senhor. Paulo ensinou em 1 Coríntios 11:23-26 que, ao tomarmos o pão e o cálice, anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha. A Ceia nos aponta para trás — para o sacrifício de Cristo — e para frente — para a promessa de que Ele voltará e cearemos com Ele na eternidade.
Assim como somos peregrinos nesta terra, aguardando a nossa “Canaã celestial”, cada vez que tomamos a Ceia lembramos dessa promessa: o Senhor nos salvará deste mundo e nos levará para estar com Ele para sempre.
Tudo isso mostra a riqueza do Antigo Testamento. Ele não é apenas uma coleção de histórias e leis antigas — é um livro que, do começo ao fim, aponta para o Senhor Jesus. Quanto mais aprendemos a enxergar Cristo ali, mais rica se torna a nossa leitura e mais profunda a nossa comunhão com Ele.
Aplicação prática desta seção
Você tem descoberto o Senhor Jesus nas muitas figuras do Antigo Testamento — o Cordeiro, o maná, a rocha, os ofícios de rei, profeta e sacerdote? Cada uma delas nos ensina algo sobre quem Ele é. Ao ler o Antigo Testamento com essa perspectiva, a sua leitura se torna um tesouro de descobertas sobre Cristo. Você tem lido as Escrituras buscando conhecer mais profundamente o Senhor Jesus?
Perguntas para discussão em Grupo
- O Senhor Jesus disse aos líderes religiosos que as Escrituras “testificam dele”, mas eles não enxergavam isso. Por que é possível conhecer muito a Bíblia e ainda assim não enxergar Cristo nela? Como podemos evitar esse erro?
- Vimos a diferença entre tipologias confirmadas pelo Novo Testamento (como Melquisedeque) e paralelos devocionais (como José). Por que é importante ter esse cuidado ao interpretar o Antigo Testamento? Como manter o equilíbrio entre enxergar Cristo e não forçar significados que o texto não tem?
- No Antigo Testamento vemos a glória e o poder de Cristo (como o Príncipe do exército), enquanto no Novo Testamento vemos a Sua humildade (o Cordeiro que se entrega). Como essas duas visões do Senhor Jesus se completam? O que cada uma nos ensina?
- A vida de José é um retrato notável de Cristo — rejeitado, sofrendo, exaltado e salvando os que o traíram. Qual desses paralelos mais toca o seu coração, e por quê?
- Como o hábito de enxergar Cristo no Antigo Testamento pode transformar a sua leitura da Bíblia e a sua comunhão com o Senhor?
Aplicações Práticas
Para o estudo pessoal
Escolha uma história ou passagem do Antigo Testamento e leia-a buscando enxergar o que ela revela sobre Cristo. Comece pelas ligações mais seguras (as que o Novo Testamento confirma) e peça a Deus que abra o seu entendimento. Anote o que descobrir sobre o Senhor Jesus. Com o tempo, essa prática transformará a sua leitura de todo o Antigo Testamento.
Para o testemunho
Compreender que toda a Bíblia aponta para Cristo é uma ferramenta poderosa no evangelismo. Ao mostrar como o Antigo Testamento anunciava e prefigurava o Senhor Jesus séculos antes da Sua vinda, você demonstra a unidade e a inspiração das Escrituras, e aponta as pessoas para Cristo, o centro de toda a revelação de Deus.
Para a adoração
Ao contemplar como o Senhor Jesus está presente em todo o Antigo Testamento — em profecias, figuras e aparições —, deixe que essa descoberta produza adoração. Que Deus tenha planejado a redenção desde o princípio, revelando o Seu Filho ao longo de toda a história, é motivo de louvor. Adore o Cristo eterno, que sempre existiu e sempre agiu em favor do Seu povo.
Para a vida em comunidade
Valorizem, como igreja, o ensino de toda a Escritura, e não apenas do Novo Testamento. Ao estudarem o Antigo Testamento juntos, busquem enxergar Cristo, com equilíbrio e fidelidade ao texto. E, na celebração da Ceia do Senhor, lembrem-se de que ela aponta para o sacrifício de Cristo e para a promessa da Sua volta, unindo toda a história da redenção num só ato de comunhão.
Conclusão
O Senhor Jesus disse aos líderes religiosos da Sua época: “Examinais as Escrituras… e são elas que de mim testificam.”
Eles conheciam profundamente o Antigo Testamento, mas perderam o ponto central: tudo apontava para Cristo. E o nosso estudo nos mostrou como o Senhor Jesus está presente em todo o Antigo Testamento.
Vimos que o Antigo Testamento testifica de Cristo — através de profecias, figuras e aparições, ele aponta para o Senhor Jesus do começo ao fim.
Vimos Cristo como o Príncipe do exército do Senhor — o Rei da Glória, forte e poderoso, que vai à frente nas batalhas do Seu povo.
Vimos Cristo como o Sacerdote eterno em Melquisedeque — uma tipologia confirmada pelo Novo Testamento, que nos mostra o nosso Sacerdote que intercede por nós para sempre.
Vimos Cristo retratado na vida de José — o amado rejeitado, que sofre, é exaltado e salva os que o traíram; um belo retrato do Senhor Jesus.
E vimos Cristo em muitas outras figuras — o Cordeiro, o maná, a rocha, os ofícios de rei, profeta e sacerdote —, mostrando a riqueza do Antigo Testamento.
Ao aprendermos a enxergar Cristo no Antigo Testamento, com equilíbrio e fidelidade, descobrimos que toda a Bíblia é sobre Ele. As Escrituras testificam do Senhor Jesus, do primeiro livro ao último. E quanto mais O enxergamos ali, mais rica se torna a nossa leitura e mais profunda a nossa comunhão com Ele.
Que possamos, então, abrir o Antigo Testamento não apenas para conhecer histórias e leis antigas, mas para encontrar o Senhor Jesus. Que os nossos olhos sejam abertos, como os dos discípulos de Emaús, para enxergar Cristo em todas as Escrituras. E que essa descoberta maravilhosa aprofunde o nosso amor e a nossa adoração ao Salvador, que sempre existiu e que se revela a nós em toda a Palavra de Deus.
Porque, do Gênesis ao Apocalipse, a figura central é sempre o Senhor Jesus.
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