Nem Todo o que Me Diz: Senhor, Senhor
Pregação Expositiva em Mateus 7:21-23 – “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.”
📋 Tipo de Pregação: Expositiva
💡 Como usar este Esboço de Pregação (Mateus 7:21-23)
🟢 Ideal para: Cultos evangelísticos, mensagens sobre conversão, campanhas de avivamento, estudos sobre salvação pela graça.
Dicas de Uso:
- Contextualize o Sermão da Montanha: Explique que Jesus está concluindo o maior sermão já pregado, e estas são palavras de advertência solene para garantir que Seus ouvintes não se enganem quanto à salvação.
- Equilibre advertência com esperança: Embora o texto seja sério, não use tom de condenação que gere apenas medo. Mostre que Jesus adverte porque ama e deseja que todos sejam genuinamente salvos.
- Enfatize a diferença entre religiosidade e relacionamento: Use exemplos práticos de pessoas que fazem atividades religiosas mas não conhecem pessoalmente o Senhor Jesus.
- O Apelo: Convide os ouvintes a examinarem honestamente sua relação com Cristo. Pergunte: “Você tem uma profissão de fé ou um relacionamento vivo com o Senhor Jesus?” Ofereça oportunidade para decisões genuínas.
Introdução
Estamos chegando ao final do Sermão da Montanha, o discurso mais famoso que o Senhor Jesus já proferiu. Nos capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, Jesus ensinou sobre o verdadeiro caráter do Reino de Deus. Ele falou sobre bem-aventuranças, sobre ser sal e luz, sobre a Lei e sua verdadeira interpretação, sobre oração, jejum, ansiedade, e sobre julgar os outros.
Agora, ao concluir este sermão magistral, Jesus profere palavras de advertência solene. Ele não quer que ninguém se engane quanto à salvação. Ele não deseja que pessoas sinceras descubram tarde demais que estavam equivocadas sobre sua relação com Deus. Por isso, Ele fala claramente, sem rodeios, sobre uma verdade alarmante: nem todos que O chamam de “Senhor” realmente O conhecem.
Estas palavras podem soar duras aos nossos ouvidos modernos. Vivemos numa época em que a tolerância é valorizada acima da verdade, e muitos preferem mensagens que confortam a mensagens que confrontam. Mas o amor verdadeiro não esconde a verdade — ele a proclama com clareza, mesmo quando dói.
O Senhor Jesus amava Seus ouvintes demais para deixá-los enganados. E Ele nos ama demais hoje para permitir que vivamos em falsa segurança espiritual. Vamos examinar cuidadosamente esta passagem, versículo por versículo, e permitir que o Espírito Santo nos mostre a verdade.
1. A Advertência Solene: Nem Todo (v. 21a)
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus.” (Mateus 7:21a)
Jesus começa com uma declaração que deve ter chocado Seus ouvintes: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus.” Observe que Ele não disse “ninguém”, mas “nem todo”. Isso significa que haverá pessoas que O chamam de Senhor, que usam a linguagem religiosa correta, que frequentam lugares de adoração, mas que nunca entrarão no Reino dos céus.
A repetição “Senhor, Senhor” indica intensidade e aparente sinceridade. Estas pessoas não estão brincando com religião — elas parecem levar a fé a sério. Elas usam o título correto para Jesus. Reconhecem Sua autoridade verbalmente. Mas Jesus diz que isso não é suficiente.
“Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos. Ou não reconhecem que Jesus Cristo está em vocês? A menos que vocês sejam reprovados!” (2 Coríntios 13:5)
Por que esta advertência é tão importante? Porque é possível ter religiosidade sem conversão genuína. É possível conhecer a linguagem da fé sem conhecer o Autor da fé. É possível frequentar a igreja durante anos, cantar os hinos, orar as orações, dar os dízimos, e ainda assim nunca ter nascido de novo.
Jesus não está dizendo que chamar Ele de “Senhor” é errado. O problema não está no título, mas na ausência de realidade espiritual por trás do título. Confessar Jesus como Senhor é essencial (Romanos 10:9), mas essa confissão deve brotar de um coração transformado, não apenas de lábios religiosos.
Você chama Jesus de “Senhor”? Muitos o fazem. Mas a pergunta mais importante é: Jesus é realmente o Senhor da sua vida? Há uma diferença enorme entre dizer “Senhor, Senhor” e verdadeiramente viver sob Seu senhorio. Tiago 2:19 nos lembra que até os demônios creem em Deus e tremem — mas não são salvos. Crença intelectual não é o mesmo que fé salvadora.
2. A Condição Verdadeira: Fazer a Vontade do Pai (v. 21b)
“…mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mateus 7:21b)
Depois de dizer quem não entrará no Reino, Jesus declara quem entrará: “aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” Esta frase levanta uma pergunta crucial: Jesus está ensinando salvação por obras? Precisamos fazer coisas boas para ganhar o céu?
Absolutamente não! A Bíblia é clara: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Então, o que Jesus quer dizer com “fazer a vontade do Pai”?
“E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:39-40)
A vontade do Pai é que vejamos o Filho e creiamos nEle! A vontade do Pai é que depositemos nossa fé exclusivamente na obra consumada de Cristo na cruz. Quando Jesus fala em “fazer” a vontade do Pai, Ele não está se referindo a obras meritórias, mas à obediência da fé — o ato de confiar plenamente em Cristo para salvação.
Mas aqui está o ponto crucial: fé genuína sempre produz obediência. Tiago 2:17 nos ensina: “a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” Jesus não está dizendo que obras salvam — Ele está dizendo que obras evidenciam salvação genuína. Aquele que verdadeiramente crê em Cristo naturalmente deseja obedecer ao Pai.
Sua vida reflete obediência ao Pai? Não estamos falando de perfeição — todos falhamos diariamente. Mas estamos falando de direção. Sua vida está caminhando em direção a Cristo ou se afastando dEle? Você deseja agradar ao Pai ou vive satisfazendo apenas seus próprios desejos? Fé genuína transforma o coração e muda a direção da vida.
3. A Alegação Surpreendente: Obras em Seu Nome (v. 22)
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” (Mateus 7:22)
Jesus agora descreve uma cena futura — “naquele dia”, o dia do juízo final. Ali, muitas pessoas se apresentarão diante dEle com alegações impressionantes. Note que Jesus disse “muitos” — não poucos, mas muitos! Isso deveria nos fazer pausar e refletir seriamente.
Observe as três alegações que essas pessoas fazem. Primeira: “não profetizamos nós em teu nome?” Eles pregaram, ensinaram, proclamaram verdades espirituais. Segunda: “em teu nome não expulsamos demônios?” Eles realizaram libertações espirituais. Terceira: “em teu nome não fizemos muitas maravilhas?” Eles operaram milagres, sinais e prodígios.
“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mateus 24:24)
Estas são atividades espirituais extraordinárias! Estes não eram pessoas que simplesmente frequentavam a igreja ocasionalmente. Eles estavam profundamente envolvidos em ministério ativo. Pregavam sermões, expulsavam demônios, realizavam milagres — tudo em nome de Jesus!
E aqui está o ponto chocante: Jesus diz que mesmo assim eles não O conheciam! Como isso é possível? Como alguém pode fazer tantas obras poderosas em nome de Jesus e ainda estar perdido? A resposta está no versículo 23 — eles “praticavam a iniquidade”. Por fora havia atividade religiosa impressionante, mas por dentro havia um coração não regenerado.
Isso nos ensina uma verdade assustadora: é possível ter dons espirituais sem ter salvação genuína. É possível pregar verdades sem viver essas verdades. É possível estar tão ocupado trabalhando “para” Jesus que nunca se toma tempo para conhecer Jesus pessoalmente.
Você está ocupado com atividades religiosas? Isso é maravilhoso! A igreja precisa de servos fiéis. Mas cuidado: atividade não garante salvação. Você pode cantar no coral, ensinar na escola dominical, trabalhar em evangelismo, participar de todas as reuniões, e ainda assim estar perdido. A questão não é “o que você faz para Jesus”, mas “você conhece Jesus pessoalmente?”
4. A Declaração Terrível: Nunca Vos Conheci (v. 23)
“E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7:23)
Chegamos às palavras mais terríveis de toda esta passagem: “Nunca vos conheci.” Jesus não diz “Eu conheci vocês, mas vocês Me abandonaram.” Ele não diz “Vocês eram salvos, mas perderam a salvação.” Ele diz claramente: “Nunca vos conheci.”
A palavra “conhecer” aqui não significa conhecimento intelectual. Jesus, sendo Deus, conhece todas as coisas e todas as pessoas. O que Ele quer dizer é que nunca teve um relacionamento pessoal e salvador com essas pessoas. Elas O conheciam de longe, através de atividades religiosas, mas Ele nunca as conheceu intimamente.
“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.” (2 Timóteo 2:19)
E então Jesus pronuncia a sentença mais terrível que alguém pode ouvir: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” Apesar de todas as suas obras religiosas, apesar de profetizarem, expulsarem demônios e fazerem milagres, Jesus os chama de “praticantes da iniquidade.” Por quê? Porque viviam em pecado enquanto faziam atividades religiosas. Tinham aparência de piedade, mas negavam o poder dela (2 Timóteo 3:5).
A frase “apartai-vos de mim” indica separação eterna. Há apenas um lugar no universo onde as pessoas estarão eternamente separadas da presença manifesta de Deus, e esse lugar é o inferno. 2 Tessalonicenses 1:8-9 descreve: “tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder.”
Amigo, não há palavras mais tristes do que estas: “Nunca vos conheci.” Imagine estar diante do Senhor Jesus esperando ouvir “Bem-aventurado, servo bom e fiel”, mas em vez disso ouvir “Nunca te conheci; aparta-te de mim.” Você conhece Jesus pessoalmente? Não estou perguntando se você conhece sobre Jesus, ou se você faz obras religiosas, ou se você frequenta a igreja. Estou perguntando: você tem um relacionamento pessoal com o Senhor Jesus Cristo?
Conclusão
O Senhor Jesus concluiu o Sermão da Montanha com esta advertência solene porque Ele nos ama demais para nos deixar enganados. Ele não quer que ninguém descubra tarde demais que estava equivocado sobre a salvação.
Vamos resumir as verdades cruciais desta passagem:
Primeira verdade: Não basta chamar Jesus de “Senhor” — Ele precisa verdadeiramente ser o Senhor da sua vida. Confessar com os lábios deve refletir a realidade do coração.
Segunda verdade: A vontade do Pai não é obras religiosas, mas fé genuína em Seu Filho. A salvação vem exclusivamente através de crer no Senhor Jesus Cristo e em Sua obra consumada na cruz.
Terceira verdade: Atividade religiosa, por mais impressionante que seja, não garante salvação. Você pode fazer muitas coisas em nome de Jesus e ainda assim não conhecê-Lo pessoalmente.
Quarta verdade: Jesus conhece os que são verdadeiramente Seus. Não podemos enganá-Lo com aparências externas. Ele vê o coração.
A pergunta que cada um de nós deve responder hoje é esta: “Eu realmente conheço Jesus, ou apenas conheço sobre Ele?” Há uma diferença enorme entre religiosidade e relacionamento, entre profissão de fé e possessão de fé, entre atividade cristã e vida cristã genuína.
Se há dúvida em seu coração hoje sobre sua salvação, não ignore essa dúvida. O Espírito Santo pode estar usando este sermão para mostrar que você precisa de conversão genuína. Romanos 10:9-10 declara: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.”
A salvação não vem por obras que fazemos, mas pela fé no que Cristo fez. Ele morreu na cruz pelos nossos pecados, foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia. Quando depositamos nossa fé exclusivamente nEle, somos salvos. E quando somos verdadeiramente salvos, nossa vida muda — não para ganhar salvação, mas porque já a recebemos.
Não espere até “aquele dia” para descobrir se você realmente conhece Jesus. Examine seu coração hoje. Verifique sua fé agora. E se descobrir que sua religião é apenas exterior, sem realidade interior, clame a Cristo hoje mesmo. Ele prometeu: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).
Que nenhum de nós ouça naquele dia: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim.” Que todos possamos ouvir: “Bem-aventurado, servo bom e fiel; entra no gozo do teu Senhor” (Mateus 25:21).
❓ Perguntas Frequentes sobre a Pregação
1. Esta passagem ensina que podemos perder a salvação?
Não! Jesus disse claramente “nunca vos conheci” — não “conheci vocês mas agora não conheço mais.” Essas pessoas nunca foram genuinamente salvas desde o início. Elas tinham aparência de religiosidade e faziam atividades em nome de Jesus, mas nunca experimentaram conversão verdadeira. A Bíblia ensina a segurança do crente genuíno em João 10:28-29: “E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.” O problema aqui não é salvos que se perderam, mas pessoas que nunca foram salvas embora pensassem que eram.
2. Como posso saber se minha conversão é genuína?
A Bíblia nos dá vários testes de fé genuína: (1) Você ama a Cristo e deseja agradá-Lo? (1 João 4:19); (2) Há mudança real em sua vida desde que se converteu? (2 Coríntios 5:17); (3) O Espírito Santo testifica com seu espírito que você é filho de Deus? (Romanos 8:16); (4) Você luta contra o pecado ou vive nele tranquilamente? (1 João 3:9); (5) Você ama os irmãos na fé? (1 João 3:14). Se há dúvida genuína, Paulo nos encoraja: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé” (2 Coríntios 13:5). É melhor examinar agora do que descobrir tarde demais.
3. Por que Jesus disse “muitos” em vez de “poucos” se apresentarão com essas alegações?
Isso revela uma verdade solene: haverá muitas pessoas na igreja visível que não fazem parte da igreja invisível (os verdadeiramente salvos). Jesus ensinou em Mateus 22:14: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.” A parábola do trigo e do joio (Mateus 13:24-30) também mostra que crescerão juntos até a colheita. Isso não deve nos levar ao desespero, mas à vigilância. Devemos examinar nossa própria salvação e não presumir que estar envolvido em atividades religiosas garante entrada no céu.
4. É possível fazer milagres e ainda estar perdido?
Sim, esta passagem deixa isso claro. Atividade sobrenatural não prova conversão genuína. Judas Iscariotes estava entre os doze que Jesus enviou a pregar, curar e expulsar demônios (Mateus 10:1-8), mas ele nunca foi genuinamente salvo — Jesus o chamou de “filho da perdição” (João 17:12). Até mesmo o anticristo fará grandes sinais e prodígios (2 Tessalonicenses 2:9). Dons espirituais e manifestações sobrenaturais não substituem um coração regenerado. O que importa não é poder fazer coisas em nome de Jesus, mas conhecer Jesus pessoalmente.
5. Se obras não salvam, por que Jesus enfatiza “fazer a vontade do Pai”?
Jesus não está contradizendo a salvação pela graça através da fé. Ele está distinguindo entre fé morta (apenas intelectual) e fé viva (que transforma a vida). Tiago 2:17 explica: “a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” Fazer a vontade do Pai começa com crer em Cristo (João 6:29, 40), mas fé genuína sempre produz obediência como fruto, não como raiz da salvação. Somos salvos pela fé para as boas obras (Efésios 2:8-10), não pelas boas obras. A diferença é crucial: obras não nos salvam, mas evidenciam que fomos salvos.
Mais Esboços de Pregação
- Sua Salvação é Real? – Salmo 126:1-6
- A vontade do Pai – Gênesis 28:20-21
- Onde a Lei falha – Romanos 4:13-17





