Como você entrou Aqui?
Esboço de Pregação Expositiva em Mateus 22:11-14 – “E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.”
Como Usar este Esboço de Pregação
Contexto do texto: Mateus 22:1-14 registra a parábola das bodas do filho do rei, contada por Jesus nos últimos dias de seu ministério terreno. É uma parábola sobre o Reino dos céus, os convidados que rejeitaram o convite, os que foram chamados das ruas, e o homem que entrou sem a veste apropriada.
Significado da veste nupcial: Na cultura judaica antiga, o pai do noivo fornecia vestes especiais aos convidados das bodas. Recusar a veste era uma ofensa grave — significava rejeitar a provisão do anfitrião e apresentar-se com suas próprias roupas.
Tema central: A veste nupcial representa a justiça de Cristo que cobre o pecador. Não podemos entrar na presença de Deus com nossa própria justiça — precisamos da veste que Ele providenciou através do sacrifício de seu Filho.
Textos complementares: Isaías 61:10, Isaías 64:6, Gênesis 3:7, 21, Apocalipse 19:7-8, Romanos 3:21-24, Filipenses 3:9.
Sugestão de uso: Mensagens de autoexame, cultos de Santa Ceia, séries sobre parábolas de Jesus, evangelismo, ou momentos de confrontação espiritual na igreja.
Tipo de Pregação: Expositiva
Introdução
Era uma festa gloriosa. O rei havia preparado tudo para as bodas de seu filho. Os bois e os cevados estavam mortos. As mesas estavam postas. Os músicos estavam prontos. Tudo estava preparado.
Os primeiros convidados rejeitaram o convite — preferiram suas lavouras e seus negócios. Alguns até maltrataram e mataram os servos do rei. Esses foram julgados severamente.
Então o rei enviou seus servos às ruas e encruzilhadas para convidar a todos que encontrassem — bons e maus. E a sala se encheu de convidados.
Tudo parecia perfeito. A festa estava cheia. O noivo estava prestes a chegar. A celebração poderia começar.
Mas então o rei entrou para ver os convidados. E viu algo que não deveria estar ali:
“Viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.” — Mateus 22:11-12
Um homem sem veste. No meio da festa. Cercado de convidados propriamente vestidos. Destacando-se pela ausência do que deveria ter.
E a pergunta do rei ecoa através dos séculos: “Como entraste aqui?”
Essa pergunta é para nós também. Estamos na festa. Estamos na igreja. Mas o Rei está perguntando: “Como você entrou aqui? Com que veste você está?”
📖 A Parábola das Bodas (v. 1-10)
Para entender a pergunta do rei, precisamos compreender a parábola completa.
O Convite Rejeitado (v. 1-7)
Jesus começou a parábola assim:
“O Reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho. E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir.” — Mateus 22:2-3
O rei — Deus Pai — preparou uma festa para seu filho — Jesus. Os primeiros convidados — Israel — foram chamados, mas não quiseram vir.
O rei insistiu. Enviou outros servos. Descreveu a abundância da festa. Mas os convidados “não fizeram caso” — uns foram para suas lavouras, outros para seus negócios, e outros maltrataram e mataram os servos.
Essa foi a história de Israel. Os profetas foram enviados. A mensagem foi proclamada. Mas o povo rejeitou. Alguns ignoraram. Outros perseguiram os mensageiros.
O Novo Convite (v. 8-10)
Diante da rejeição, o rei tomou uma decisão:
“Então disse aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial ficou cheia de convidados.” — Mateus 22:8-10
O convite foi estendido a todos. Das ruas e encruzilhadas. Bons e maus. Qualquer um que quisesse vir.
Isso representa a extensão do evangelho aos gentios. A porta que se abriu para todas as nações. O convite universal da graça.
A festa encheu-se de convidados. De pessoas que nunca imaginaram estar ali. De pecadores transformados em convidados do Rei.
A Provisão da Veste
Um detalhe importante que a parábola pressupõe: na cultura judaica, o anfitrião de uma festa de casamento fornecia vestes especiais aos convidados. Não eram roupas que os convidados traziam de casa — eram fornecidas pelo próprio rei.
Isso significava que todos tinham acesso à veste. Ninguém poderia alegar que não tinha condições de conseguir uma. A veste era dada gratuitamente. Bastava aceitar e vestir.
Recusar a veste era um insulto ao anfitrião. Era dizer: “Sua provisão não é boa o suficiente. Prefiro minhas próprias roupas.”
👁️ O Rei Examina os Convidados (v. 11-12)
“E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste nupcial.”
O Exame do Rei
O rei não ficou distante. Ele entrou na festa. Olhou para os convidados. Examinou cada um.
Isso nos ensina algo importante: Deus vê. Ele não fica longe, apenas enviando convites. Ele entra. Observa. Examina. Conhece cada um que está em sua festa.
O salmista escreveu:
“O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.” — Salmo 14:2
Deus está olhando. Não para condenar arbitrariamente, mas para ver quem realmente pertence à festa. Quem está vestido apropriadamente. Quem aceitou sua provisão.
O Homem sem Veste
No meio de todos os convidados, o rei viu um que se destacava — pela ausência. Não tinha veste nupcial.
Esse homem havia sido convidado. Estava na festa. Ocupava um lugar à mesa. Externamente, parecia pertencer àquele ambiente.
Mas faltava o essencial. A veste que o rei havia providenciado. A cobertura que o tornaria aceitável na presença do noivo.
Ele estava ali com suas próprias roupas. Com sua própria justiça. Com aquilo que ele mesmo havia providenciado.
A Pergunta do Rei
“Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial?”
O rei o chamou de “amigo” — não de “filho.” Era alguém conhecido, mas não pertencente à família. Alguém que tinha proximidade, mas não intimidade verdadeira.
A pergunta não era de ignorância — o rei sabia a resposta. Era uma pergunta de confrontação. Uma oportunidade de explicação. Um momento de verdade.
“Como entraste aqui?” — Com que direito? Com que base? Com que cobertura?
O Silêncio Revelador
“E ele emudeceu.”
O homem não teve resposta. Não havia o que dizer. Não podia alegar que não sabia sobre a veste — todos os outros estavam vestidos. Não podia alegar que não teve acesso — a veste era fornecida gratuitamente. Não podia alegar injustiça — ele mesmo havia rejeitado a provisão do rei.
Emudeceu. O silêncio da culpa. O silêncio de quem sabe que não tem defesa.
Diante do trono de Deus, nenhum argumento humano prevalecerá. Nenhuma desculpa será aceita. Nenhuma justificativa própria será suficiente.
👗 O Significado da Veste Nupcial
O que representa a veste nupcial? A Bíblia nos dá pistas claras.
As Vestes de Folhas — A Justiça Própria
Quando Adão e Eva pecaram, a primeira coisa que fizeram foi tentar se cobrir:
“Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.” — Gênesis 3:7
Folhas de figueira. Cobertura improvisada. Solução humana para um problema espiritual.
Mas folhas de figueira secam. Rasgam. Não duram. Não cobrem adequadamente.
Essa é a imagem da justiça própria. Das obras humanas tentando cobrir o pecado. Do esforço do homem para se apresentar diante de Deus.
Isaías declarou:
“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia.” — Isaías 64:6
Nossas melhores obras, nossas maiores realizações, nossos mais sinceros esforços — diante de Deus, são como trapos imundos. Não servem como veste nupcial.
As Vestes de Peles — A Provisão de Deus
Mas Deus não deixou Adão e Eva com suas folhas de figueira:
“E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.” — Gênesis 3:21
Deus providenciou a cobertura. Mas para fazer túnicas de peles, um animal precisou morrer. Sangue precisou ser derramado. Uma vida precisou ser dada.
Ali, no Éden, já estava o princípio do evangelho. O homem não pode se cobrir adequadamente. Deus precisa providenciar. E a provisão envolve sacrifício.
A Veste da Salvação — Cristo
A veste nupcial representa a justiça de Cristo que cobre o pecador.
“Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me vestiu de vestes de salvação, me cobriu com o manto de justiça.” — Isaías 61:10
Vestes de salvação. Manto de justiça. Não produzidas por nós — recebidas de Deus.
Paulo escreveu:
“E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.” — Filipenses 3:9
Não a minha justiça — a justiça de Deus. Não obras da lei — fé em Cristo.
Para Deus nos dar essa veste, Jesus foi sacrificado. Assim como um animal morreu para vestir Adão e Eva, o Cordeiro de Deus morreu para nos vestir com sua justiça.
Apocalipse — As Vestes dos Santos
O livro de Apocalipse confirma esse simbolismo:
“Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.” — Apocalipse 19:7-8
A noiva está vestida de linho fino — as justiças dos santos. Não justiças produzidas por eles, mas justiças recebidas de Cristo e vividas em obediência.
⚖️ O Julgamento (v. 13-14)
“Disse então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”
A Sentença
O homem sem veste não foi apenas retirado da festa — foi lançado nas trevas exteriores. Lugar de pranto e ranger de dentes. Lugar de tormento eterno.
Pode parecer severo. Ele estava na festa, afinal. Havia respondido ao convite. Estava presente.
Mas presença não é o suficiente. Estar no culto não é o suficiente. Frequentar a igreja não é o suficiente.
A pergunta não é “você está aqui?” — é “como você entrou aqui?”
Muitos Chamados, Poucos Escolhidos
Jesus concluiu: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.”
O convite é amplo. Vai às ruas e encruzilhadas. Alcança bons e maus. Muitos são chamados.
Mas poucos são escolhidos. Não porque Deus seja arbitrário, mas porque poucos aceitam a provisão Dele. Muitos querem entrar com suas próprias vestes. Muitos querem a festa, mas não querem a veste do rei.
Os escolhidos são os que aceitaram a veste. Os que abandonaram suas folhas de figueira. Os que se vestiram com a justiça de Cristo.
❓ A pergunta para Você
O rei está perguntando hoje: “Como você entrou aqui?”
Você está na Festa?
Primeiro, verifique: você está na festa? Respondeu ao convite? Veio quando foi chamado?
Muitos ainda estão nas lavouras e nos negócios. Preferem as coisas do mundo ao convite do Rei. Não fizeram caso.
Se você ainda não respondeu ao convite, hoje é o dia. O Rei está chamando. A festa está preparada. Venha.
Com que veste você está?
Segundo, verifique: com que veste você está? Com sua própria justiça ou com a justiça de Cristo?
Você está tentando se apresentar diante de Deus com suas boas obras? Com sua religiosidade? Com seus esforços? Isso são folhas de figueira. Não servem.
Ou você está vestido com a veste da salvação? Coberto com o manto da justiça de Cristo? Dependente não de si mesmo, mas do sacrifício Dele?
Você usa os recursos da Graça?
A veste de salvação não é algo que vestimos uma vez e guardamos no armário. É algo que usamos diariamente. Mantemos limpa. Cuidamos.
Os recursos da graça são como o cuidado com a veste: oração, clamor, a Palavra revelada, os dons espirituais, o louvor, a comunhão com os irmãos.
Não usar esses recursos é negligenciar a veste. É se achar autossuficiente. É voltar às folhas de figueira.
Conclusão
“Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu.”
O Senhor hoje está examinando sua igreja. Não de longe — Ele entrou para ver os convidados. Está olhando para cada um. Está fazendo a pergunta.
Estar no culto de corpo presente não é suficiente. Frequentar a igreja não é suficiente. Conhecer a doutrina não é suficiente.
A pergunta é: com que veste você está?
Se você está tentando se apresentar com sua própria justiça, com suas próprias obras, com seus próprios méritos — você está sem veste nupcial. E quando o Rei perguntar, você emudecerá.
Mas se você está vestido com a justiça de Cristo — se abandonou sua justiça própria e se cobriu com o sacrifício Dele — você tem a resposta:
“Estou aqui porque fui eleito pela graça. Estou vestido porque o Rei providenciou minha veste. Vivo diariamente a justificação pelo sangue de Jesus.”
“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:2
O Rei está perguntando: como você entrou aqui?
Que você tenha a resposta certa.
Mais Esboço de Pregação
- Onde estás? v. 2 – Gênesis 3:9-10
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- A túnica e o éfode – 1 Samuel 2:18-1





