Esboço de Pregação Expositiva em Lucas 17:11-19 – “E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.”
📋 Tipo de Pregação: Expositiva
🎯 Finalidade: Evangelística e de ensino — Esta mensagem é excelente para cultos evangelísticos, pois apresenta a diferença entre receber bênção e receber salvação. Também serve para ensinar a igreja sobre gratidão verdadeira e o perigo de uma fé focada apenas nas bênçãos, e não no Abençoador.
A narrativa dos dez leprosos é rica em contrastes: dez clamaram, dez foram curados, mas apenas um voltou para agradecer. A tipologia lepra/pecado é clássica e pode ser desenvolvida com base em Levítico 13-14. O ponto central não é apenas a ingratidão dos nove, mas a diferença entre receber cura física e receber salvação. O samaritano recebeu mais que cura — recebeu salvação. Recomenda-se a leitura de Levítico 13-14 e Lucas 17:11-19 como preparação.
Dez homens. Todos leprosos. Todos excluídos da sociedade. Todos sem esperança.
Um dia, eles ouviram que o Senhor Jesus passaria por ali. E clamaram de longe: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!”
O Senhor Jesus os viu. O Senhor Jesus os curou. Todos os dez.
Mas apenas um voltou para agradecer.
Essa história, registrada apenas por Lucas, nos ensina muito sobre gratidão — ou a falta dela. Nos ensina sobre a diferença entre receber uma bênção e reconhecer o Abençoador. Nos ensina sobre a diferença entre cura física e salvação espiritual.
Dez foram curados. Apenas um foi salvo.
Vamos caminhar juntos por essa história e aprender o que significa ser verdadeiramente grato pela graça de Deus.
“E, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe.”
Versículo de referência: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” (Romanos 3:23)
Na Bíblia, poucas doenças carregavam tanto peso quanto a lepra. Não era apenas uma enfermidade física — era uma sentença de morte social, religiosa e emocional.
Levítico 13 detalha as leis sobre a lepra. O leproso era declarado impuro. Tinha que rasgar suas vestes, deixar o cabelo despenteado e gritar “Imundo! Imundo!” sempre que alguém se aproximasse. Era obrigado a viver fora da cidade, longe de todos.
A lepra é um retrato do pecado. Assim como a lepra, o pecado é mais profundo do que aparenta — vai além das ações externas e atinge o coração. Assim como a lepra, o pecado se espalha e contamina outras áreas da vida. Assim como a lepra isolava o doente, o pecado separa o homem de Deus.
Lucas registra um detalhe interessante: entre os dez havia judeus e um samaritano. Normalmente, esses grupos não se misturavam. Mas a lepra os igualou na miséria. O pecado também é um grande nivelador — diante de Deus, todos estão na mesma condição sem Cristo.
Aplicação prática: Antes de encontrar o Senhor Jesus, éramos como esses leprosos. Estávamos contaminados pelo pecado, separados de Deus, sem esperança. Reconhecer nossa condição é o primeiro passo. Você já entendeu a gravidade do pecado na sua vida? Só quem reconhece que está doente busca o médico. Só quem sabe que está perdido clama por salvação.
“E, vendo-os, disse-lhes: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.”
Versículo de referência: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5:8)
O Senhor Jesus os viu. Não apenas viu a aparência externa — viu a necessidade profunda do coração. Sob a Lei, aqueles homens deveriam ser evitados. Mas o Senhor Jesus teve compaixão.
Então Ele deu uma ordem estranha: “Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.” Era o procedimento de Levítico 14 — quando um leproso era curado, deveria se apresentar ao sacerdote para ser declarado limpo. Mas havia um problema: eles ainda estavam leprosos! Ir ao sacerdote naquela condição seria inútil.
O Senhor Jesus estava testando a fé deles. Eles obedeceriam mesmo sem ver a cura primeiro?
E eles foram. E o texto diz: “indo eles, ficaram limpos.” No momento em que obedeceram, foram curados. A fé em ação trouxe o milagre. Enquanto caminhavam, a lepra desapareceu de seus corpos.
Imagine a cena. Um olha para as próprias mãos e vê pele nova. Outro toca o rosto e sente a carne restaurada. Anos de sofrimento terminaram em um instante.
Aplicação prática: O Senhor Jesus ainda pede fé antes de vermos o resultado. Ele pede obediência antes da evidência. Você tem esperado ver para crer? A fé verdadeira confia na palavra do Senhor mesmo quando não vê nada ainda. Dê o passo de obediência que Ele está pedindo. A transformação virá no caminho.
“E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz. E caiu aos pés de Jesus, dando-lhe graças; e este era samaritano.”
“Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.” (Salmo 103:2)
Dez foram curados. Nove continuaram seu caminho em direção aos sacerdotes. Mas um parou.
Ele viu que estava são. E em vez de seguir para o templo, voltou. Voltou glorificando a Deus em alta voz. Voltou e se prostrou aos pés do Senhor Jesus. Voltou dando graças.
E Lucas faz questão de registrar: “este era samaritano.” O estrangeiro. O desprezado. O que não pertencia ao povo de Israel. Este foi o único que voltou.
O samaritano entendeu algo que os nove não entenderam. Enquanto eles correram para cumprir o ritual religioso, ele percebeu que o verdadeiro encontro não era com o sacerdote — era com o Senhor Jesus. Os nove foram honrar a Lei. O um voltou para honrar a Graça.
A gratidão dele não era silenciosa. Era louvor em alta voz. Era alegria transbordante. Depois de anos de sofrimento, ele estava limpo. Podia voltar para casa. Podia viver novamente.
Aplicação prática: Você tem voltado para agradecer? É fácil clamar quando estamos em necessidade. É fácil pedir quando estamos desesperados. Mas voltamos depois que a resposta vem? Quantas orações de súplica fazemos para cada oração de gratidão? Não siga em frente sem parar aos pés do Senhor Jesus para agradecer.
“E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.”
“Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17)
O Senhor Jesus fez perguntas que revelam tristeza em sua voz: “Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?”
Deveriam ter sido dez homens prostrados em gratidão. Havia apenas um. Os nove receberam a bênção e partiram. Estavam tão focados na religião, em cumprir o ritual, que esqueceram do Autor da bênção. Queriam a cura. Receberam a cura. Foram embora.
Mas ao samaritano, o Senhor Jesus disse algo diferente: “A tua fé te salvou.” Não disse “te curou” — disse “te salvou.” A palavra grega é diferente. Os dez foram curados fisicamente. Mas apenas um foi salvo.
Todos os dez receberam corpos restaurados. A lepra desapareceu de todos. Fisicamente, estavam iguais. Mas algo diferente aconteceu no coração do samaritano. Ele não recebeu apenas cura externa — recebeu transformação interna.
A gratidão não salvou o samaritano — a fé o salvou. Mas a gratidão era evidência de que algo mais profundo havia acontecido. Sua fé estava no Senhor Jesus, não apenas no que Ele podia dar.
Dez foram curados, um foi salvo. E você? Tem recebido bênçãos de Deus, mas continua sem salvação? Muitos querem as mãos de Deus (o que Ele dá), mas não querem o rosto de Deus (quem Ele é). A maior dádiva não é saúde, emprego ou provisão. A maior dádiva é a salvação. Você já recebeu essa dádiva? Já se prostrou aos pés do Senhor Jesus reconhecendo que precisa mais do que bênçãos — precisa do Salvador?
Dez leprosos. Todos clamaram. Todos foram curados. Apenas um voltou.
Os nove receberam corpos novos e foram embora. O um recebeu um coração novo e ficou aos pés do Senhor Jesus.
“A tua fé te salvou.”
Não foi apenas a fé que clamou por cura — os dez tiveram essa fé. Foi a fé que reconheceu a graça. Foi a fé que voltou para adorar. Foi a fé que se prostrou em gratidão.
Dez foram curados. Um foi salvo.
Pelo que você é grato hoje? Pelas bênçãos materiais? Pela saúde física? Essas coisas merecem gratidão. Mas a maior gratidão é pela graça. Pela salvação que não merecíamos. Pelo amor que nos alcançou quando éramos leprosos espirituais, excluídos, sem esperança.
Não seja como os nove. Não receba a bênção e siga em frente. Volte. Prostre-se. Agradeça.
E ouça o Senhor Jesus dizer a você também: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou.”
Esta é uma pregação expositiva. Os tópicos seguem o desenvolvimento da narrativa de Lucas 17:11-19, explicando cada parte da história na ordem em que aconteceu. A pregação expositiva busca extrair o significado do texto bíblico em seu contexto original e aplicá-lo à vida dos ouvintes.
A lepra compartilha características com o pecado: era mais profunda que a superfície (afetava o interior), se espalhava progressivamente, contaminava tudo ao redor, isolava a pessoa da comunidade e do templo, e levava à morte. As leis de Levítico 13-14 sobre a lepra ilustram como o pecado funciona: contamina, separa de Deus e condena.
O Senhor Jesus testou a fé deles. Levítico 14 prescrevia que o leproso curado se apresentasse ao sacerdote para ser declarado limpo. Mas eles ainda estavam leprosos quando receberam a ordem. O Senhor Jesus queria que obedecessem pela fé, antes de ver o resultado. A cura veio “enquanto iam” — a fé em ação precedeu o milagre.
Todos os dez foram curados fisicamente — a lepra desapareceu de todos. Mas o Senhor Jesus disse apenas ao samaritano: “A tua fé te salvou” (em grego, “sozo” = salvação completa). Os nove receberam corpos novos; o um recebeu também um coração novo. A cura era física; a salvação era espiritual. Gratidão genuína evidenciou fé salvadora.
Primeiro, reconheça a gravidade da sua condição anterior — éramos “leprosos” espirituais sem Cristo. Segundo, contemple a grandeza da graça — fomos curados sem merecer. Terceiro, volte regularmente “aos pés do Senhor Jesus” em oração de gratidão, não apenas de pedidos. Quarto, declare em voz alta as bênçãos recebidas — o samaritano glorificava “em alta voz.” A gratidão cresce quando é expressa.