Pregação Expositiva em João 5:17 – “E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
📋 Tipo de Pregação: Expositiva
🟢 Ideal para: Cultos de evangelização, mensagens sobre a graça de Deus, estudos sobre a obra redentora de Cristo.
Dicas de Uso:
João 5 nos apresenta uma cena impressionante: um tanque chamado Betesda, cercado por cinco alpendres (varandas cobertas), onde jazia uma multidão de enfermos — cegos, coxos e paralíticos. O nome “Betesda” significa “casa de misericórdia”, mas ironicamente aquele lugar estava cheio de pessoas sem esperança, esperando por um milagre que raramente acontecia.
Entre aquela multidão de necessitados, havia um homem que estava enfermo há trinta e oito anos. Quase quatro décadas de sofrimento! Ele não tinha ninguém para ajudá-lo a entrar no tanque quando a água se movia. Enquanto outros corriam para receber cura, ele ficava para trás, sozinho e abandonado.
Mas naquele dia, algo extraordinário aconteceu. O Senhor Jesus chegou a Jerusalém para uma festa dos judeus e, em vez de se juntar às celebrações religiosas, Ele foi direto ao lugar onde os necessitados estavam. E ali, Jesus operou uma cura maravilhosa — no sábado. Essa cura gerou uma grande controvérsia que resultou na declaração poderosa que estudaremos hoje: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
Esta frase curta revela verdades profundas sobre a natureza de Deus, Sua obra contínua de redenção, e como Jesus se relaciona com o Pai. Vamos examinar o contexto dessa declaração e descobrir o que ela nos ensina.
“Depois disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém… Está ali um homem que estava enfermo havia trinta e oito anos. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?” (João 5:1, 5-6)
Jesus chegou a Jerusalém durante uma festa judaica. Enquanto a cidade se enchia de peregrinos e celebrações religiosas, Jesus buscou os esquecidos e marginalizados. Ele foi ao tanque de Betesda, onde os doentes esperavam por uma cura que, segundo a tradição popular, acontecia quando um anjo movia as águas.
Entre aquela multidão de enfermos, Jesus fixou Seu olhar em um homem específico — alguém que estava doente havia trinta e oito anos. Jesus conhecia a história daquele homem. Ele sabia quanto tempo ele sofria, sabia que ele não tinha ninguém para ajudá-lo, e sabia que sua esperança estava quase morta.
Jesus fez uma pergunta que parece óbvia: “Queres ficar são?” Mas essa pergunta revelava algo profundo. Depois de quase quatro décadas de doença, será que aquele homem ainda tinha esperança? Será que ele ainda acreditava que a cura era possível? Jesus não apenas conhecia sua condição física — Ele conhecia sua condição interior.
A resposta do homem revela seu desespero: “Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim” (v. 7). Ele nem respondeu diretamente à pergunta de Jesus. Apenas explicou por que a cura parecia impossível. Ele estava preso em um ciclo de desesperança.
Mas então Jesus pronunciou palavras de poder: “Levanta-te, toma o teu leito, e anda” (v. 8). E imediatamente o homem ficou são, tomou seu leito e andou. Note que isso aconteceu “naquele dia era sábado” (v. 9). Este detalhe pequeno se tornou o centro de uma grande controvérsia.
Jesus ainda hoje busca os necessitados, os esquecidos e os que perderam a esperança. Ele conhece quanto tempo você está enfermo espiritualmente, emocionalmente ou fisicamente. E Ele ainda faz a pergunta: “Queres ficar são?” A cura que Ele oferece não depende de você conseguir entrar no tanque antes dos outros, não depende de seus esforços ou méritos. Depende exclusivamente da Sua palavra de poder.
“Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito… E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.” (João 5:10, 16)
A reação à cura foi surpreendente. Em vez de se alegrarem com a restauração de um homem que sofreu 38 anos, os líderes religiosos se indignaram porque ele carregava seu leito no sábado. Eles não perguntaram: “Como você foi curado?” mas sim: “Por que você carrega sua cama no sábado?”
Observe a inversão de prioridades. Um milagre extraordinário aconteceu — um paralítico de quase quatro décadas andou! — mas tudo o que os fariseus viam era uma violação do sábado. A religião deles estava tão morta que não conseguiam reconhecer a operação viva de Deus bem diante de seus olhos.
Quando descobriram que Jesus operou a cura, começaram a persegui-Lo. O verbo usado aqui indica uma perseguição contínua — eles não pararam de atacá-Lo. E o motivo? “Porque fazia estas coisas no sábado” (v. 16). Note o plural: “estas coisas”. Jesus tinha o hábito de curar no sábado. Não era a primeira vez, nem seria a última.
Por que Jesus insistia em curar no sábado, sabendo que isso provocaria conflito? Porque Ele estava fazendo uma declaração teológica poderosa: o sábado foi criado para o homem, não o homem para o sábado (Marcos 2:27). Deus instituiu o sábado como dia de descanso e restauração, e que melhor dia para restaurar um paralítico do que o sábado? Jesus estava mostrando o verdadeiro propósito do sábado — não legalismo morto, mas vida e libertação.
Quantas vezes a religiosidade nos cega para a operação de Deus? Ficamos tão presos a tradições, regras e formas externas que perdemos de vista o coração de Deus. Ele deseja misericórdia, não sacrifício (Mateus 9:13). Ele quer transformar vidas, não apenas cumprir rituais. Cuidado para não se tornar como os fariseus, criticando a obra de Deus porque ela não se encaixa em suas expectativas religiosas.
“E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (João 5:17)
Esta é a declaração central do nosso texto. Jesus não Se defendeu dizendo: “Eu não violei o sábado.” Em vez disso, Ele fez uma afirmação que chocou Seus ouvintes ainda mais: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
Vamos entender o que Jesus quis dizer. A tradição rabínica ensinava que Deus descansou no sétimo dia da criação e desde então observa o sábado. Mas Jesus corrigiu esse entendimento: Deus não parou de trabalhar! Embora Deus tenha descansado da obra da criação, Ele nunca cessou Sua obra de sustentação, providência e redenção.
Se Deus parasse de trabalhar, mesmo por um dia, o universo entraria em colapso. Deus sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3). Ele faz o sol nascer todos os dias — inclusive no sábado. Ele faz chover sobre justos e injustos — inclusive no sábado. Ele ouve orações, sustenta vidas e opera salvação — inclusive no sábado.
Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora.” A palavra “até agora” significa “até este exato momento”. Deus não trabalhou apenas no passado; Ele continua trabalhando ativamente no presente. E então Jesus acrescentou: “e eu trabalho também.” Jesus Se colocou no mesmo nível de atividade do Pai. Ele reivindica fazer a mesma obra que o Pai faz.
Esta declaração tem duas implicações profundas. Primeira, Jesus afirma Sua divindade ao chamar Deus de “Meu Pai” de forma única e especial, não como qualquer judeu chamaria Deus de Pai, mas como o Filho eterno. Segunda, Jesus afirma que Sua obra de cura e redenção é a continuação da obra do Pai. Ele não está violando o sábado; Ele está cumprindo seu propósito verdadeiro.
Deus não parou de trabalhar em sua vida. Mesmo quando você não vê, mesmo quando parece que nada está acontecendo, Deus continua operando. Filipenses 1:6 nos assegura: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.” O Pai trabalha até agora em sua vida, moldando você, transformando você, preparando você para os Seus propósitos eternos.
“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” (João 5:18)
Os fariseus entenderam perfeitamente o que Jesus estava dizendo. Eles captaram a implicação de Suas palavras. Jesus não estava simplesmente dizendo que Deus é Pai de todos (uma verdade geral). Ele estava dizendo que Deus é “seu próprio Pai” — uma relação única, exclusiva e especial.
E ao dizer “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”, Jesus colocava Sua obra no mesmo nível da obra do Pai. Ele não era apenas um profeta fazendo a vontade de Deus; Ele era o Filho fazendo a mesma obra que o Pai faz, com a mesma autoridade que o Pai tem.
O texto diz claramente: “fazendo-se igual a Deus.” Esta não é uma interpretação que nós, cristãos, colocamos sobre as palavras de Jesus. Os próprios inimigos de Jesus entenderam que Ele reivindicava igualdade com Deus. Por isso “ainda mais procuravam matá-lo”. Agora não era apenas uma questão de violar o sábado — era uma questão de blasfêmia (na visão deles).
Jesus poderia ter recuado e dito: “Vocês me entenderam mal. Eu não quis dizer isso.” Mas Ele não recuou. Nos versículos seguintes (19-30), Jesus expandiu ainda mais essa reivindicação, afirmando que Ele ressuscita os mortos, executa juízo, e deve receber a mesma honra que o Pai recebe. Estas são prerrogativas exclusivas de Deus.
Jesus não é apenas um bom homem, um grande mestre ou um profeta iluminado. Ele é Deus em carne humana. Ele possui a mesma natureza, a mesma autoridade e o mesmo poder do Pai. Por isso Ele pode salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hebreus 7:25). Por isso Ele tem autoridade para perdoar pecados. Por isso toda oração em Seu nome tem poder. Por isso Ele merece nossa adoração absoluta.
A declaração “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” nos revela verdades preciosas sobre Deus e Sua obra redentora. Vemos um Deus que nunca parou de trabalhar em favor da humanidade caída. Mesmo quando o homem descansa, Deus continua operando salvação, sustentando vidas, movendo circunstâncias, e preparando corações.
Vemos um Filho que compartilha a mesma natureza e a mesma missão do Pai. Jesus não veio apenas ensinar sobre Deus; Ele veio revelar Deus e fazer a obra de Deus. Quando Jesus cura o paralítico, Ele não está apenas aliviando sofrimento físico — Ele está demonstrando que Deus trabalha ativamente para restaurar o que o pecado destruiu.
E hoje, através do Espírito Santo, essa obra continua. Deus ainda trabalha para alcançar o perdido, transformar o pecador, curar o enfermo e libertar o cativo. Ele não Se aposentou. Ele não está de férias. Ele trabalha até agora!
A pergunta que Jesus fez ao paralítico ecoa até hoje: “Queres ficar são?” Você quer ser curado espiritualmente? Você quer ser liberto do pecado que o paralisa? Você quer experimentar a obra transformadora de Deus em sua vida?
Não importa quanto tempo você está nessa condição. Não importa quantas vezes você tentou e falhou. Não importa se ninguém está disposto a ajudá-lo. O mesmo Jesus que curou o paralítico de 38 anos ainda trabalha hoje. O mesmo Pai que nunca descansou de Sua obra redentora ainda opera em sua vida.
Levante-se! Tome seu leito e ande! O Deus que trabalha até agora quer trabalhar em você também.
Jesus curava no sábado para revelar o verdadeiro propósito deste dia. Deus instituiu o sábado como dia de descanso e restauração, não como fardo religioso. Curar no sábado demonstrava que Deus deseja libertar e restaurar o homem, não aprisioná-lo em regras legalistas. Jesus declarou em Marcos 2:27: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” Além disso, ao curar no sábado, Jesus revelava Sua identidade divina — Ele faz a mesma obra que o Pai faz, inclusive no sábado.
Significa que Deus não parou de operar após criar o mundo. Embora Ele tenha descansado da obra da criação no sétimo dia (Gênesis 2:2), Ele nunca cessou Sua obra de sustentação, providência e redenção. Deus sustenta todas as coisas (Hebreus 1:3), opera na história humana, responde orações, salva pecadores e transforma vidas. Se Deus parasse de trabalhar mesmo por um momento, o universo entraria em colapso. “Até agora” significa “até este exato momento presente” — Deus continua ativo e operante.
Sim! João 5:18 deixa claro que os judeus entenderam que Jesus reivindicava igualdade com Deus, e Jesus não negou essa compreensão. Pelo contrário, Ele expandiu essa afirmação nos versículos seguintes, declarando que Ele ressuscita mortos (v. 21), executa juízo (v. 22), e deve receber a mesma honra que o Pai (v. 23). Estas são prerrogativas exclusivamente divinas. Jesus não é apenas um profeta ou servo de Deus — Ele é o Filho eterno que compartilha a mesma natureza e autoridade do Pai.
Os fariseus haviam criado uma extensa lista de atividades proibidas no sábado, incluindo carregar cargas. Para eles, o paralítico carregar seu leito violava o sábado. Mas o problema maior era que Jesus desafiava a autoridade deles e sua interpretação da Lei. Além disso, quando Jesus afirmou que “Meu Pai trabalha até agora”, eles entenderam corretamente que Ele reivindicava divindade, o que consideravam blasfêmia. Sua oposição revelava corações duros, mais preocupados com tradições humanas do que com a misericórdia de Deus.
Você pode confiar que Deus trabalha em sua vida porque Ele prometeu completar a obra que começou em você (Filipenses 1:6). Evidências de Sua obra incluem: convicção de pecado (obra do Espírito Santo – João 16:8), crescimento espiritual gradual, transformação de caráter, circunstâncias que O glorificam mesmo quando difíceis, e o testemunho interior do Espírito (Romanos 8:16). Mesmo quando você não sente ou vê mudanças imediatas, Deus continua operando nos bastidores, preparando você para Seus propósitos eternos. Confie que “aquele que começou a boa obra em vós há de completá-la até o dia de Jesus Cristo.”