Pregação Expositiva em Efésios 1:4–5 – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.”
🟢 Ideal para: Cultos evangelísticos, estudos sobre a doutrina da salvação, mensagens de gratidão e adoração, séries sobre a carta aos Efésios, e para fortalecer a segurança da fé dos crentes.
Dicas de Uso:
A carta aos Efésios é uma das mais ricas do Novo Testamento. Paulo, preso em Roma, escreve aos crentes de Éfeso para mostrar quão grande é a salvação que receberam. Logo no primeiro capítulo, ele apresenta uma lista impressionante de bênçãos espirituais que pertencem a todo aquele que está em Cristo.
Nos versículos 4 e 5, Paulo toca em um dos temas mais profundos da Escritura: a eleição divina. Ele revela que o plano de salvação não começou quando cremos, nem quando o Senhor Jesus morreu na cruz, nem mesmo quando Adão pecou. O plano começou antes da fundação do mundo, no coração do Pai.
Isso muda completamente a forma como entendemos a salvação. Ela não é uma reação de emergência do Senhor diante do pecado humano. É um plano eterno, pensado com amor, executado com perfeição, e oferecido a nós como um presente.
“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3).
Paulo começa afirmando: “Nos elegeu nele antes da fundação do mundo.” Essa declaração é impressionante. Antes de existir terra, céu, sol, lua ou estrelas, o Pai já havia pensado em nós. Antes de Adão ser formado do pó, antes do jardim do Éden, o plano de salvação já estava definido.
A palavra “elegeu” significa escolheu, separou para si. E essa escolha não foi feita com base em algo que faríamos no futuro. Não foi porque o Senhor previu que seríamos pessoas boas ou merecedoras. A escolha foi feita “segundo o beneplácito de sua vontade”, como diz o versículo 5. Ou seja, foi uma decisão livre e soberana do Pai, motivada pelo Seu amor.
Isso significa que a salvação começa com o Senhor, não conosco. Nós estávamos mortos em nossos delitos e pecados, como Paulo dirá no capítulo 2. Pessoas mortas não podem escolher nada. Foi o Senhor que tomou a iniciativa de nos buscar, nos chamar e nos dar vida.
Quando entendemos isso, nossa atitude muda. Deixamos de nos orgulhar da nossa fé como se fosse mérito nosso, e passamos a agradecer ao Pai por ter nos amado primeiro. A salvação é presente, não conquista.
“Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
Paulo continua explicando o propósito da eleição: “Para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.” O Senhor não nos escolheu apenas para nos livrar do inferno. Ele nos escolheu para nos transformar.
A palavra “santos” significa separados, consagrados. O Senhor nos separou do mundo para pertencermos a Ele. Não somos mais escravos do pecado, da carne ou do diabo. Somos propriedade exclusiva do Pai, comprados pelo sangue do Senhor Jesus.
A palavra “irrepreensíveis” significa sem mancha, sem defeito. É a mesma palavra usada para descrever os animais que eram oferecidos em sacrifício no Antigo Testamento. Eles precisavam ser perfeitos, sem nenhuma imperfeição. O Senhor quer que vivamos de tal forma que não haja acusação legítima contra nós.
Isso não significa que alcançamos a perfeição nesta vida. Mas significa que a direção da nossa vida mudou. Antes, caminhávamos para longe do Senhor. Agora, caminhamos em direção a Ele. O Espírito Santo trabalha em nós dia após dia, nos moldando à imagem do Senhor Jesus.
A santificação não é opcional para o crente. Ela é o propósito da nossa eleição. Fomos escolhidos para ser santos. Quem foi verdadeiramente salvo deseja viver de forma que agrade ao Senhor.
“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Tessalonicenses 4:3).
O versículo 5 acrescenta: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo.” A palavra “predestinou” significa determinou de antemão, estabeleceu previamente. O Senhor não apenas nos escolheu; Ele determinou qual seria o nosso destino: seríamos filhos.
Na cultura romana da época de Paulo, a adoção era um ato legal muito sério. Quando alguém era adotado, recebia todos os direitos de um filho legítimo. Todas as dívidas anteriores eram canceladas. O adotado recebia um novo nome, uma nova família, uma nova herança.
É exatamente isso que acontece conosco. Éramos estranhos, separados de Deus, sem direito algum às promessas. Mas pelo Senhor Jesus, fomos adotados na família do Pai. Agora temos um novo Pai, uma nova identidade, uma nova herança.
Romanos 8:15-17 desenvolve esse tema: “Recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo.”
Não somos servos contratados. Não somos escravos comprados. Somos filhos amados. E como filhos, temos livre acesso ao Pai. Podemos nos aproximar Dele com confiança, sabendo que Ele nos recebe com amor.
“Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus” (1 João 3:1).
Paulo faz questão de deixar claro que tudo isso acontece “por Jesus Cristo” ou “em Cristo”. Essa expressão aparece repetidamente em Efésios 1. Fomos abençoados “em Cristo” (v.3), eleitos “nele” (v.4), predestinados “por Jesus Cristo” (v.5), aceitos “no Amado” (v.6).
Não existe salvação fora do Senhor Jesus. Não existe eleição fora Dele. Não existe adoção fora Dele. Ele é o único mediador entre Deus e os homens. É somente através Dele que temos acesso ao Pai.
O Senhor Jesus disse em João 14:6: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Essa exclusividade não é arrogância; é realidade. Só o Senhor Jesus podia pagar o preço do nosso resgate. Só Ele tinha a perfeição necessária para ser o sacrifício pelos nossos pecados.
Quando tentamos chegar ao Pai por outro caminho, seja por obras, religiosidade, filosofia ou qualquer outro meio, estamos rejeitando o único caminho que funciona. É como tentar atravessar um abismo sem usar a ponte. O resultado é a queda.
Mas quando vamos ao Pai através do Senhor Jesus, somos recebidos com braços abertos. Porque o Pai vê em nós o mérito do Seu Filho. Somos aceitos não por causa do que somos, mas por causa de quem Ele é.
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2:5).
Paulo encerra o versículo 5 com uma expressão importante: “Segundo o beneplácito de sua vontade.” A palavra “beneplácito” significa boa vontade, prazer, satisfação. O Senhor nos salvou porque quis, porque Lhe agradou fazer isso.
Isso elimina qualquer base para orgulho humano. Não fomos salvos porque éramos melhores que outros. Não fomos escolhidos porque merecíamos. Fomos salvos pela pura graça do Senhor, por uma decisão livre Dele, motivada pelo Seu amor.
Efésios 2:8-9 confirma: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.”
A graça é favor imerecido. É receber o que não merecemos. E essa graça flui do coração do Pai que, em Sua soberania, decidiu nos amar quando não havia nada de amável em nós.
Alguns se incomodam com a ideia de um Deus soberano que escolhe. Mas deveríamos nos alegrar profundamente. Porque se dependesse de nós, nunca escolheríamos o Senhor. Estávamos tão cegos pelo pecado, tão mortos espiritualmente, que jamais buscaríamos a salvação por conta própria.
Foi a graça soberana que nos alcançou. Foi o amor do Pai que nos buscou. E por isso, toda a glória pertence a Ele.
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo” (Efésios 2:4-5).
Diante de verdades tão gloriosas, qual deve ser a nossa resposta? Paulo nos dá a resposta no próprio texto. O versículo 6 diz: “Para louvor da glória da sua graça.” A eleição, a predestinação, a adoção, tudo foi feito para que o Senhor seja glorificado.
Nossa primeira resposta deve ser gratidão. Quando entendemos que não merecíamos nada e recebemos tudo, o coração transborda em louvor. Não louvamos porque somos obrigados, mas porque não conseguimos conter a alegria.
Nossa segunda resposta deve ser santidade. Como vimos, fomos eleitos “para que fôssemos santos”. A pessoa que realmente entendeu a graça não usa a graça como desculpa para pecar. Pelo contrário, o amor do Senhor a constrange a viver de forma que O agrade.
Nossa terceira resposta deve ser humildade. Se a salvação é presente, não há motivo para nos exaltarmos. Se foi o Senhor que nos escolheu, não podemos olhar para os que ainda não creem com superioridade. Devemos olhar com compaixão e orar para que o Senhor também os alcance.
A doutrina da eleição, quando bem entendida, não produz arrogância. Produz adoração, santidade e evangelismo. Adoramos porque fomos amados sem merecer. Buscamos santidade porque esse é o propósito da nossa eleição. E evangelizamos porque sabemos que o Senhor tem outros escolhidos que ainda precisam ouvir o Evangelho.
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).
Efésios 1:4-5 nos revela verdades que transformam a forma como entendemos a salvação. Ela não é um acidente, não é uma reação de emergência, não é resultado dos nossos esforços. É um plano eterno do Pai, executado pelo Filho, aplicado pelo Espírito Santo.
Fomos eleitos antes da fundação do mundo. Fomos predestinados para sermos filhos. Fomos chamados para a santidade. E tudo isso aconteceu por Jesus Cristo, segundo a boa vontade do Pai.
Essa salvação é um presente. O maior presente que alguém pode receber. Mas um presente precisa ser aceito para ser desfrutado. O Senhor Jesus já fez tudo o que era necessário. A obra está completa. Agora cabe a cada pessoa responder com fé.
Se você ainda não entregou sua vida ao Senhor Jesus, hoje é o dia. Reconheça que é pecador, creia que Ele morreu por você e ressuscitou, e receba-O como seu Salvador e Senhor. E se você já é salvo, viva à altura dessa salvação. Seja santo, porque o Senhor que o chamou é santo.
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).
O Senhor ordenou tanto a eleição quanto os meios pelos quais os eleitos serão salvos. E o meio principal é a pregação do Evangelho. Romanos 10:14 pergunta: “Como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” O Senhor usa a proclamação da Palavra para chamar os Seus escolhidos. Não sabemos quem são os eleitos, por isso pregamos a todos. E temos a certeza de que a Palavra não voltará vazia.
O convite do Evangelho é genuíno para todos. “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13). Ninguém que buscar sinceramente o Senhor será rejeitado. O problema é que, por causa do pecado, ninguém busca o Senhor por conta própria. É a graça que nos capacita a crer. Quem perece, perece por causa dos seus próprios pecados, não porque o Senhor o impediu de crer.
A Escritura nos dá marcas que identificam os verdadeiros crentes: fé genuína no Senhor Jesus, arrependimento dos pecados, amor aos irmãos, desejo de santidade, perseverança na fé. Se essas marcas estão presentes em sua vida, você pode ter confiança de que é um filho de Deus. 2 Pedro 1:10 nos encoraja: “Procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição.”
Significa que o Senhor determinou de antemão que todos os que cressem no Senhor Jesus seriam recebidos em Sua família como filhos legítimos. A adoção nos dá todos os direitos de filhos: acesso ao Pai, herança eterna, proteção divina, e o Espírito Santo como selo e garantia. Não somos filhos de segunda classe; somos filhos amados com todos os privilégios.
Ela deve produzir profunda gratidão, pois você foi amado antes de existir. Deve produzir humildade, pois você não se salvou a si mesmo. Deve produzir segurança, pois quem o Senhor escolheu, Ele guarda até o fim. Deve produzir santidade, pois você foi eleito para ser santo. E deve produzir zelo evangelístico, pois o Senhor usa Seus filhos para alcançar outros que Ele também escolheu.