O Privilégio do acesso a Deus
Esboço de Pregação em Salmos 55:17 – “De tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei e clamarei, e ele ouvirá a minha voz.”
💡 Como usar este Esboço de Pregação (Salmos 55:17)
📋 Tipo de Pregação: Temática
🎯 Finalidade: Ensino e exortação à vida de oração — Esta mensagem ensina sobre o privilégio que temos de acessar a presença de Deus a qualquer momento, contrastando com o sistema do Antigo Testamento onde apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, e apenas uma vez por ano. A obra de Cristo rasgou o véu e nos deu livre acesso. É ideal para cultos de oração, estudos sobre vida devocional ou momentos em que a igreja precisa ser despertada para o privilégio da comunhão com Deus.
O Salmo 55 foi escrito por Davi em um momento de angústia e traição. Em meio à dor, ele declara sua decisão: orarei de manhã, ao meio-dia e à tarde — ou seja, o tempo todo. O pregador deve mostrar que o que era privilégio de poucos no Antigo Testamento agora está disponível para todos os que estão em Cristo. Recomenda-se a leitura de Salmos 55, Hebreus 4:14-16 e Hebreus 10:19-22.
Introdução
Davi estava passando por um dos momentos mais difíceis de sua vida. Havia sido traído por alguém próximo, provavelmente Aitofel, seu conselheiro de confiança. A dor era intensa. O medo era real. E no meio dessa angústia, ele fez uma declaração que ecoa até hoje: “De tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei e clamarei, e ele ouvirá a minha voz.”
Davi decidiu orar. Não uma vez por dia, mas continuamente. De manhã, ao acordar. Ao meio-dia, no calor das atividades. À tarde, ao encerrar o dia. Em todo momento, sua alma se voltaria para Deus.
Mas havia um problema. Na época de Davi, o acesso à presença de Deus era limitado. Existia o tabernáculo, depois o templo, com seus rituais e restrições. O lugar mais sagrado — o Santo dos Santos — só podia ser acessado pelo sumo sacerdote, e apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação.
Hoje, porém, algo mudou. O véu foi rasgado. O acesso foi aberto. E nós, que estamos em Cristo, podemos entrar na presença de Deus não apenas uma vez por ano, mas a qualquer momento. De manhã, ao meio-dia, à tarde, de madrugada — a hora que quisermos.
Nesta mensagem, vamos entender o privilégio que temos e sermos desafiados a usá-lo.
1. O Acesso Limitado do Antigo Testamento (Êxodo 25:8-9)
“E me farão um santuário, e habitarei no meio deles”
Versículo de referência: “E o véu vos fará separação entre o santuário e o lugar santíssimo.” (Êxodo 26:33)
No Antigo Testamento, Deus ordenou que Israel construísse um tabernáculo — uma tenda sagrada onde Ele habitaria no meio do povo. Era um projeto detalhado, com significado em cada elemento.
O tabernáculo tinha três partes: o átrio exterior, o Lugar Santo e o Santo dos Santos. No Santo dos Santos ficava a Arca da Aliança, símbolo da presença de Deus. Um véu grosso separava esse lugar do resto do tabernáculo.
Para que o culto acontecesse, eram necessários elementos específicos: um cordeiro sem defeito para o sacrifício, o templo como lugar de adoração, o sumo sacerdote como mediador, e o dia determinado. O povo comum não podia se aproximar livremente de Deus. Havia barreiras, rituais, intermediários.
O sumo sacerdote era o único que podia entrar no Santo dos Santos, e isso acontecia apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação. Ele entrava com sangue de animais para fazer propiciação pelos pecados do povo. Era um momento solene e temido.
Esse sistema mostrava algo importante: o pecado separa o homem de Deus. A santidade de Deus exige purificação. O acesso à sua presença não é automático — precisa ser aberto por um sacrifício.
🟠 Você já parou para pensar no privilégio que tem? Os israelitas não podiam simplesmente “conversar com Deus” quando quisessem. Havia barreiras. Havia distância. Hoje, muitos cristãos têm acesso livre à presença de Deus, mas não usam esse privilégio. Tratam a oração como obrigação, não como privilégio. Reconheça o que você tem. Pessoas no passado dariam tudo por esse acesso.
2. O Véu Rasgado pela Morte de Cristo (Mateus 27:51)
“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo”
Versículo de referência: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne.” (Hebreus 10:19-20)
Quando o Senhor Jesus morreu na cruz, algo extraordinário aconteceu no templo de Jerusalém. O véu que separava o Santo dos Santos — aquele véu grosso que impedia o acesso à presença de Deus — se rasgou de alto a baixo.
Não foi um rasgo de baixo para cima. Foi de cima para baixo. Foi Deus quem rasgou. Foi Ele quem abriu o caminho.
O Senhor Jesus se tornou tudo o que o sistema antigo apontava. Ele é o Cordeiro sem mancha. Ele é o Sumo Sacerdote que entrou no santuário celestial com seu próprio sangue. Ele é o Templo verdadeiro. Ele é o nosso descanso.
Agora, pelo sangue do Senhor Jesus, temos livre acesso à presença do Pai. Não precisamos de outro mediador. Não precisamos esperar um dia específico. Podemos nos aproximar “com confiança do trono da graça” a qualquer momento.
O que o sumo sacerdote fazia uma vez por ano, tremendo de medo, nós podemos fazer todos os dias com ousadia e alegria. Não por nossos méritos, mas pelo sangue de Cristo.
🟠 O véu foi rasgado. O caminho está aberto. Mas você tem entrado? Muitos vivem como se o véu ainda estivesse lá — distantes de Deus, achando que não são dignos de se aproximar. Mas o sangue de Cristo te purificou. Você pode entrar. De manhã, ao meio-dia, à tarde. A qualquer hora. Não desperdice esse acesso.
3. O Privilégio de Orar a Qualquer Momento (Salmos 55:17)
“De tarde, e de manhã, e ao meio-dia, orarei”
Versículo de referência: “Orai sem cessar.” (1 Tessalonicenses 5:17)
Davi declarou que oraria de manhã, ao meio-dia e à tarde. Ele não esperaria um momento especial ou um lugar sagrado. Em todo tempo, sua alma buscaria a Deus.
No Antigo Testamento, isso era uma expressão de fé extraordinária. Davi não era sacerdote. Não podia entrar no Santo dos Santos. Mas ele sabia que Deus o ouvia. Ele confiava que, mesmo com todas as limitações do sistema, o Senhor estava atento ao seu clamor.
Quanto mais nós, que vivemos após a cruz! O sumo sacerdote entrava uma vez por ano. Nós podemos entrar todos os dias. Todas as horas. Todos os momentos.
Isso transforma nossa vida de oração. Não precisamos esperar o culto de domingo para falar com Deus. Não precisamos estar em um lugar especial. Podemos orar no trânsito, no trabalho, na cozinha, no quarto. A presença de Deus está acessível em todo lugar, a todo momento.
Dentro da Arca da Aliança havia três itens: as tábuas da Lei (representando a Palavra do Pai), o maná (representando Cristo, o Pão da Vida) e a vara de Arão que floresceu (representando a vida pelo Espírito Santo). A Trindade estava simbolizada ali. E agora, pela obra de Cristo, temos comunhão plena — não uma vez por ano, mas continuamente.
🟠 Como está sua vida de oração? Você tem aproveitado o acesso que possui? Decida como Davi: orarei de manhã, ao meio-dia e à tarde. Faça da oração o ritmo da sua vida. Não espere a crise para buscar a Deus. Busque-o em todo tempo. Ele está pronto para ouvir.
4. A Certeza de Ser Ouvido (Salmos 55:17b)
“E ele ouvirá a minha voz”
Versículo de referência: “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5:14)
A declaração de Davi termina com uma certeza: “Ele ouvirá a minha voz.” Não é “talvez ouça” ou “espero que ouça”. É uma afirmação de fé. Deus ouve.
Essa certeza não se baseia em quem Davi era. Ele era pecador, como todos nós. Tinha falhas, erros, quedas. Mas sua confiança estava no caráter de Deus, não em seus próprios méritos.
Para nós, essa certeza é ainda maior. Não nos aproximamos de Deus com base em nossa justiça, mas com base na justiça de Cristo. O sangue do Senhor Jesus nos purifica e nos dá acesso. Quando oramos “em nome de Jesus”, estamos nos apresentando com a credencial dele, não com a nossa.
A carta aos Hebreus nos encoraja a nos aproximar “com confiança do trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça para socorro em tempo oportuno” (Hebreus 4:16). Não é um trono de julgamento — é um trono de graça. Não vamos para sermos condenados — vamos para receber misericórdia.
Deus está pronto para ouvir. Ele não está ocupado demais. Não está distraído. Não está irritado conosco. Ele é um Pai amoroso que deseja comunhão com seus filhos. Basta clamarmos.
🟠 Você ora com confiança ou com dúvida? Muitos oram achando que Deus provavelmente não vai ouvir, que não são importantes o suficiente. Mas a Bíblia diz que Ele ouve. Não porque somos dignos, mas porque Cristo nos tornou dignos. Ore com fé. Creia que Ele está ouvindo. E espere a resposta — ela virá, no tempo e da forma que o Pai sabe ser melhor.
Conclusão
No Antigo Testamento, o acesso a Deus era restrito. Havia um véu separando o povo da presença divina. Apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos, e apenas uma vez por ano, com sangue de animais.
Mas quando o Senhor Jesus morreu na cruz, tudo mudou. O véu se rasgou de alto a baixo. O caminho foi aberto. O acesso foi liberado.
Agora, pelo sangue de Cristo, podemos entrar na presença de Deus a qualquer momento. De manhã, ao meio-dia, à tarde, de madrugada. Não precisamos de intermediários humanos. Não precisamos de rituais elaborados. Temos um Sumo Sacerdote que vive para interceder por nós e que nos convida a nos aproximar com confiança.
Que privilégio! Pessoas no passado dariam tudo por esse acesso. Mas nós o temos — e muitas vezes não o usamos.
Davi, mesmo com todas as limitações de sua época, declarou: “Orarei e clamarei, e ele ouvirá a minha voz.” Quanto mais nós, que vivemos após a cruz, devemos viver em oração constante!
O trono da graça está aberto. O Pai está esperando. O véu foi rasgado.
A pergunta é: você vai entrar?
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Por que o véu do templo se rasgou quando Jesus morreu?
O véu simbolizava a separação entre Deus e a humanidade causada pelo pecado. Quando o Senhor Jesus morreu, Ele pagou o preço pelos nossos pecados e removeu essa separação. O rasgo de cima para baixo indica que foi Deus quem abriu o caminho, não o homem. Agora, pelo sangue de Cristo, temos livre acesso à presença do Pai (Hebreus 10:19-20).
2. O que havia dentro da Arca da Aliança e qual seu significado?
A Arca continha três itens: as tábuas da Lei (representando a Palavra e a vontade do Pai), o maná (representando Cristo, o Pão da Vida que alimenta nossa alma) e a vara de Arão que floresceu (representando a vida e direção pelo Espírito Santo). Juntos, esses elementos apontavam para a Trindade e para a obra completa de salvação que temos em Cristo.
3. O que significa ter “ousadia” para entrar no santuário?
A palavra grega traduzida como “ousadia” (parresia) significa liberdade de falar, confiança, acesso livre. Não é arrogância, mas confiança baseada na obra de Cristo. Não entramos na presença de Deus com medo de sermos rejeitados, mas com a certeza de que somos aceitos por causa do sangue de Jesus. É a confiança de um filho que sabe que é amado pelo Pai.
4. Posso orar em qualquer lugar ou preciso de um lugar especial?
Você pode orar em qualquer lugar. Após a cruz, não existe mais um local físico sagrado onde Deus habita exclusivamente. O Senhor Jesus disse que os verdadeiros adoradores adoram “em espírito e em verdade” (João 4:23-24). Você pode orar no quarto, no carro, no trabalho, na rua — onde estiver. A presença de Deus está acessível em todo lugar para quem está em Cristo.
5. Como posso ter certeza de que Deus ouve minhas orações?
A certeza vem da Palavra de Deus, não dos nossos sentimentos. A Bíblia afirma que Deus ouve os que se aproximam dele pela fé em Cristo (1 João 5:14, Hebreus 4:16). Não somos ouvidos por sermos bons ou merecedores, mas porque Cristo nos deu acesso. Ore com fé na promessa de Deus, não em suas emoções. Ele ouve, mesmo quando você não “sente” que Ele está ouvindo.
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