👑 Jesus, o Filho do Homem
Pregação Expositiva em Salmos 80:17 – “Seja a tua mão sobre o varão da tua destra, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.”
Ficha Técnica
Tipo: Expositiva (Messiânica)
Texto: Salmos 80:17
Textos de apoio: Salmos 110:1; Gálatas 4:4; Daniel 7:13-14; Mateus 28:18; Filipenses 2:9-11; Hebreus 4:15; Hebreus 7:25; João 1:12,14
Tema: No clamor pela restauração de Israel, o salmista pede a mão de Deus sobre o “varão da destra”, o “filho do homem” fortalecido por Deus. À luz do Novo Testamento, essa figura aponta para Cristo — divino e humano, fortalecido por Deus para nos redimir.
Finalidade: Ensino e evangelística — apresentar o Senhor Jesus como o Filho do Homem, que une em Si a autoridade divina e a solidariedade humana, e que intercede por nós.
Uso sugerido: Cultos de ensino sobre a pessoa de Cristo, cultos evangelísticos e ocasiões em que se deseja exaltar quem é o Senhor Jesus. Linguagem simples.
Introdução
O Salmo 80 é um clamor pela restauração de Israel.
O salmista descreve o povo de Deus como uma videira que Deus mesmo plantou, tirando-a do Egito e firmando-a na terra prometida (v.8-11). Mas agora essa videira estava arrancada, devastada, sofrendo (v.12-16). E, no meio dessa dor, o salmista clama por restauração.
E no ápice dessa súplica, ele faz um pedido interessante: “Seja a tua mão sobre o varão da tua destra, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.” (v.17)
No contexto imediato, essa expressão se refere ao povo de Israel, ou ao rei que representava a nação — aquele que Deus havia escolhido e fortalecido. Mas, quando lemos esse versículo à luz do Novo Testamento, encontramos nele uma figura que aponta para algo maior: o Cristo que viria, o verdadeiro “Filho do Homem” fortalecido por Deus para salvar o Seu povo.
E o mais notável é que essa expressão — “filho do homem” — se tornou justamente o título que o Senhor Jesus mais usou para Si mesmo. Ele o usou mais de oitenta vezes nos Evangelhos. Era o Seu título preferido, aquele com que Se identificava.
Esse versículo, então, nos ajuda a contemplar duas verdades sobre o Senhor Jesus. Ele é o “varão da destra” — aquele que está à direita do Pai, compartilhando a Sua autoridade divina. E Ele é o “filho do homem” — aquele que se fez plenamente humano, nascido de mulher, para se identificar conosco.
O salmista, sem a plena revelação que temos hoje, vislumbrava de longe o Cristo que viria. Nós, porém, conhecemos claramente Aquele que é o Alfa e o Ômega. Vamos contemplar quem é Jesus, o Filho do Homem.
1. “O varão da tua destra” — a autoridade divina de Cristo
Cristo está à direita do Pai, com toda a autoridade e poder
“Seja a tua mão sobre o varão da tua destra.” (Salmos 80:17)
A expressão “varão da destra”, ou “homem à tua direita”, remete a uma posição de honra, poder e autoridade. Estar à direita de um rei era ocupar o lugar de maior distinção e compartilhar da sua autoridade.
E, quando olhamos para o Novo Testamento, vemos como isso se aplica ao Senhor Jesus de forma gloriosa.
O Senhor Jesus, ressuscitado, está à direita do Pai. Marcos 16:19 diz que, depois de ressuscitar, Ele “foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.” E Salmos 110:1, uma das passagens mais citadas pelo Novo Testamento a respeito de Cristo, diz: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita.” O Senhor Jesus ocupa o lugar de suprema honra e autoridade ao lado do Pai.
E lá, à direita do Pai, Ele intercede por nós. Romanos 8:34 diz que Cristo “está à direita de Deus, e também intercede por nós.” Ele não está ali apenas em posição de honra, mas ativamente atuando em nosso favor, orando por nós, defendendo a nossa causa diante do Pai.
Além disso, o Senhor Jesus recebeu toda a autoridade. Ele mesmo declarou em Mateus 28:18: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” E Filipenses 2:9-11 mostra como o Pai O exaltou: “Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho.”
Isso nos lembra a história de José. Quando o Egito enfrentou uma grande crise de fome, José foi elevado à direita de Faraó, com autoridade sobre todo o reino, para salvar o povo na crise (Gênesis 41:40-43). De forma semelhante, Cristo, à direita do Pai, é a nossa provisão e a nossa salvação — aquele que tem autoridade e poder para nos salvar.
O Senhor Jesus nos concede a salvação, e a Sua obra redentora nos transforma de dentro para fora. Ele não apenas nos perdoa, mas nos dá uma vida nova, cheia da alegria do Espírito Santo. Esse é o poder do “varão da destra” atuando em nós.
Que consolo saber que Aquele que está à direita do Pai, com toda a autoridade do céu e da terra, é o mesmo que intercede por nós e nos salva! O nosso Salvador não é fraco nem limitado — Ele tem todo o poder, e usa esse poder em nosso favor.
Você tem confiado na autoridade e no poder do Senhor Jesus, que está à direita do Pai? Ele não é um salvador limitado — recebeu todo o poder no céu e na terra, e usa esse poder para nos salvar e interceder por nós. Nas suas lutas, você tem lembrado que tem, ao seu lado, Aquele que tem toda a autoridade? Descanse no poder do “varão da destra”, que está sempre atuando em seu favor.
2. “O filho do homem” — a humilhação que conquistou a glória
Cristo se fez plenamente humano para se identificar conosco e nos salvar
“…sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.” (Salmos 80:17)
Se de um lado o Senhor Jesus é o “varão da destra”, com autoridade divina, do outro Ele é o “filho do homem” — plenamente humano. E vale perguntar: por que o Senhor Jesus insistiu tanto nesse título, “Filho do Homem”, usando-o mais que qualquer outro?
Há razões profundas.
Primeiro, esse título revela a Sua solidariedade conosco. Ao se chamar “Filho do Homem”, o Senhor Jesus se identificava com a humanidade. Ele experimentou de verdade o que é ser humano. Sentiu fome (Mateus 4:2). Sentiu cansaço — João 4:6 diz que Ele, “cansado do caminho”, assentou-se junto ao poço. Sentiu sede, chegando a dizer na cruz “tenho sede” (João 19:28). Ele conheceu a dor, a tristeza, a tentação. Ele não ficou distante da nossa condição — Ele a assumiu por completo.
Segundo, esse título tem cumprimento profético. Em Daniel 7:13-14, o profeta tem uma visão de “um como o filho do homem” que vem com as nuvens do céu e recebe domínio, glória e um reino eterno. Quando o Senhor Jesus se chamava “Filho do Homem”, Ele estava se identificando com essa figura gloriosa de Daniel — aquele que receberia o domínio eterno de Deus. O título, portanto, unia a humildade (ser homem) com a glória (o reino eterno).
E terceiro, esse título aponta para a Sua vitória sobre a morte. Foi como homem que o Senhor Jesus enfrentou e venceu a morte por nós. 1 Coríntios 15:21-22 diz: “por um homem veio a morte, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.” Ele precisou se fazer homem para nos representar e vencer a morte em nosso lugar.
Que humilhação gloriosa! 2 Coríntios 8:9 diz que Ele, “sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis.” O Verbo eterno, que era Deus (João 1:1), “habitou entre nós” (João 1:14). Ele não veio como um anjo, mas como homem — para poder ser o nosso Sumo Sacerdote compassivo.
Hebreus 4:15 diz: “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” Porque o Senhor Jesus se fez homem e experimentou as nossas lutas, Ele nos entende profundamente. Quando levamos as nossas dores a Ele, encontramos Alguém que compreende, porque passou por elas.
Você tem se achegado ao Senhor Jesus sabendo que Ele entende as suas lutas? Como o Filho do Homem, Ele experimentou a fome, o cansaço, a dor e a tentação. Ele não é um Deus distante e indiferente, mas o Sumo Sacerdote compassivo que se compadece das nossas fraquezas. Nas suas dificuldades, você tem levado tudo a Ele, sabendo que Ele compreende? O Filho do Homem se fez como nós para poder nos socorrer.
3. “Que fortaleceste para ti” — a missão do Filho do Homem
A força de Cristo não foi para dominar, mas para redimir
“…que fortaleceste para ti.” (Salmos 80:17)
O versículo diz que Deus “fortaleceu” o filho do homem “para si” — ou seja, para os Seus propósitos. E é importante entender que tipo de força era essa. A força do Senhor Jesus não foi uma força de dominação, para subjugar os outros, mas uma força de redenção, para nos salvar.
Vemos essa força se manifestar de formas surpreendentes.
Houve fortaleza na tentação. Quando o diabo O tentou no deserto, o Senhor Jesus resistiu com firmeza, vencendo cada tentação com a Palavra de Deus (Mateus 4:1-11). Ele foi forte onde nós somos fracos, vencendo as tentações que nos derrotam.
Houve poder na fraqueza. Isso pode parecer contraditório, mas é uma verdade profunda. O Senhor Jesus manifestou o Seu maior poder no momento de maior fraqueza aparente — na cruz. É o princípio que Paulo aprendeu: “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9). Onde parecia derrota, houve a maior vitória.
E houve vitória na cruz. O grande momento de força do Filho do Homem não foi um ato de dominação, mas o Seu sacrifício. Na cruz, Ele declarou: “Está consumado!” (João 19:30). A obra da redenção estava completa. A maior demonstração de força foi entregar-se por nós.
Isso nos lembra de Davi diante de Golias. Davi não venceu o gigante com armadura e armas poderosas, mas com fé no Senhor. Ele disse: “eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos” (1 Samuel 17:45). A vitória veio pela fé, não pela força humana.
Da mesma forma, o Senhor Jesus venceu o pecado e a morte não com exércitos nem com poder de dominação, mas com amor sacrificial. A Sua força foi a força do amor que se entrega, do sacrifício que redime. Ele foi fortalecido por Deus não para conquistar tronos terrenos, mas para conquistar a nossa salvação na cruz.
Que tipo de força é essa, que se manifesta no servir, no sacrificar-se, no entregar-se? É a força de Deus, que é diferente da força do mundo. O mundo mede a força pela capacidade de dominar; Deus a mede pela capacidade de amar e se doar. E foi com essa força que o Senhor Jesus nos redimiu.
Você tem compreendido que a maior força não está em dominar, mas em amar e se sacrificar, como fez o Senhor Jesus? Ele foi fortalecido por Deus não para subjugar, mas para redimir. E essa mesma força — que vence na tentação, que se aperfeiçoa na fraqueza, que triunfa pelo amor — está disponível para você. Você tem buscado essa força em Cristo, ou tentado vencer as suas batalhas com a força limitada do mundo?
4. “Para que ele nos resgatasse” — a nova filiação em Cristo
Cristo nos fortalece dando-nos uma nova identidade, natureza e herança
“…o filho do homem que fortaleceste para ti.” (Salmos 80:17)
Há um propósito lindo no fato de o Filho do Homem ter sido fortalecido por Deus: era para nos resgatar e nos transformar. Cristo nos fortalece dando-nos três coisas maravilhosas.
Primeiro, uma nova identidade. Antes de Cristo, éramos “filhos da ira”, segundo Efésios 2:3 — sob a condenação, longe de Deus. Mas em Cristo, tornamo-nos “filhos de Deus”. João 1:12 diz: “mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus.” Que mudança de identidade! De condenados a filhos amados de Deus. O Filho do Homem se fez como nós para que nós nos tornássemos filhos de Deus.
Segundo, uma nova natureza. Cristo não apenas muda a nossa posição diante de Deus, mas transforma o que somos por dentro. 2 Coríntios 5:17 declara: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Não somos apenas perdoados, mas transformados — recebemos uma vida nova, uma natureza nova.
E terceiro, uma nova herança. Como filhos de Deus, tornamo-nos herdeiros. Romanos 8:17 diz: “e, se filhos, também herdeiros; herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo.” Compartilhamos da herança eterna que Cristo conquistou. Que privilégio incomparável!
Há um contraste triste que ilustra o valor dessa herança. Esaú desprezou a sua primogenitura, vendendo-a por um simples prato de comida (Gênesis 25:34). Ele trocou algo de valor eterno por algo passageiro e imediato. Mas o Senhor Jesus, o Primogênito (Colossenses 1:15), fez o oposto: em vez de desprezar, Ele nos concedeu graciosamente a herança eterna. O que Esaú jogou fora, Cristo nos deu de presente.
Isso mostra a grandeza da obra do Filho do Homem. Ele não veio apenas nos salvar da condenação, mas nos elevar à condição de filhos de Deus, com uma nova natureza e uma herança eterna. A força que Deus lhe deu foi usada para nos transformar completamente — da ira à filiação, do velho ao novo, da perdição à herança.
Você já recebeu a nova identidade, a nova natureza e a nova herança que Cristo oferece? Em Cristo, deixamos de ser “filhos da ira” e nos tornamos filhos de Deus, novas criaturas, co-herdeiros de Cristo. Você tem vivido na consciência dessa transformação gloriosa, ou ainda vive como se fosse o velho homem? E cuidado para não fazer como Esaú — não despreze a herança eterna que Cristo conquistou para você, trocando-a pelas coisas passageiras deste mundo.
Conclusão
O salmista clamou: “Seja a tua mão sobre o varão da tua destra, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.” E, à luz do Novo Testamento, esse versículo nos leva a contemplar quem é o Senhor Jesus, o Filho do Homem.
Vimos que Ele é o “varão da destra” — aquele que está à direita do Pai, com toda a autoridade divina, e que intercede por nós. O nosso Salvador tem todo o poder do céu e da terra, e o usa em nosso favor.
Vimos que Ele é o “filho do homem” — aquele que se fez plenamente humano, experimentou as nossas lutas, e se tornou o nosso Sumo Sacerdote compassivo. Ele nos entende, porque passou pelo que passamos.
Vimos que Ele foi fortalecido por Deus para uma missão de redenção — não uma força de dominação, mas o poder do amor sacrificial, que venceu na tentação, se aperfeiçoou na fraqueza e triunfou na cruz.
E vimos que a Sua obra nos transforma — dando-nos uma nova identidade (de filhos da ira a filhos de Deus), uma nova natureza (nova criatura em Cristo) e uma nova herança (co-herdeiros com Cristo).
Jesus, como Filho do Homem, entende as nossas lutas (Hebreus 4:15); e como varão da destra, tem poder para nos salvar. Ele é o Intercessor que clama por nós à direita do Pai (Hebreus 7:25). É o Juiz que voltará nas nuvens (Atos 1:11). E é a esperança de todo coração quebrantado.
Se você ainda não conhece Aquele que une em Sua pessoa o céu e a terra — o divino e o humano —, este é o convite: clame hoje, como o cego de Jericó clamou, “Filho do Homem, tem misericórdia de mim!”. Ele ouve, Ele entende, e Ele tem poder para salvar.
E se você já O conhece, lembre-se de quem está ao seu lado: Aquele que se fez como nós para nos salvar, que está à direita do Pai intercedendo por nós, e que nos deu a herança eterna de filhos de Deus. Viva na certeza dessa graça, e descanse no Filho do Homem, o varão da destra, que foi fortalecido por Deus — para nos resgatar.
🟢 Gostaria de ler mais Pregações de Salmos?
⬇️ Acesse o link abaixo
➡️ Pregações do Livro de Salmos
Mais Esboço de Pregação
Gostou deste esboço?
Receba os novos sermões em primeira mão, direto no seu navegador.





