O dia que o Senhor fez
Pregação Expositiva em Salmo 118:18-24 – “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.”
Tipo de Pregação: Expositiva
Texto Bíblico: Salmo 118:18-24
Textos Complementares: Hebreus 12:6-11; João 10:9; Hebreus 4:16; Mateus 21:42; Efésios 2:8-9; 2 Coríntios 6:2; Salmo 118:1
Tema Central: O Salmo 118 celebra a obra de Deus em três movimentos: a disciplina que não termina em morte, a porta da salvação aberta para os justos, e o dia da vitória que merece alegria. Tudo isso aponta para a maior obra de Deus — a salvação em Cristo, a pedra rejeitada que se tornou a principal
Versículo-chave: “Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.” (Salmo 118:24)
📖 Como usar este Esboço
Esta pregação é adequada para cultos de celebração, cultos de gratidão, cultos evangelísticos e momentos em que a congregação precisa ser lembrada da fidelidade de Deus e conduzida ao louvor. O Salmo 118 é uma ordem de louvor e gratidão, e sua ligação com Cristo é fortemente confirmada pelo Novo Testamento. A pregação serve tanto para celebrar quanto para chamar à salvação. A linguagem foi mantida simples.
Finalidade: Celebração e evangelística — celebrar a obra de Deus, especialmente a salvação em Cristo, e conduzir o ouvinte a entrar pela porta da salvação e a se alegrar no dia que o Senhor fez.
Introdução
O Salmo 118 é um dos grandes salmos de louvor e gratidão da Bíblia.
Ele começa e termina com a mesma declaração: “Louvai ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.” (v.1) É um salmo que celebra a fidelidade de Deus, a Sua obra de salvação e a vitória que Ele concede ao Seu povo.
E é um salmo profundamente ligado ao Senhor Jesus. O Novo Testamento cita o Salmo 118 várias vezes em referência a Cristo. Quando o Senhor Jesus entrou em Jerusalém, o povo O aclamou com as palavras deste salmo. E o próprio Senhor Jesus aplicou a Si mesmo a imagem da pedra rejeitada que se tornou a principal, tirada deste salmo.
Nos versículos 18 a 24, encontramos três movimentos maravilhosos que celebram a obra de Deus.
Primeiro, a disciplina que não termina em morte. Depois, a porta da salvação aberta para os justos. E por fim, o chamado à alegria no dia que o Senhor fez.
Tudo isso aponta para a maior obra de Deus na história: a salvação que Ele realizou em Cristo. Vamos celebrar cada um desses movimentos.
1. A disciplina que não termina em morte
Deus corrige com propósito, mas não abandona o Seu povo à morte
“Severamente me castigou o Senhor, mas não me entregou à morte.” (Salmo 118:18)
O primeiro movimento reconhece algo que muitos evitam falar: a disciplina de Deus.
O salmista declara: “Severamente me castigou o Senhor.” Ele reconhece que passou por correção, por provação, por momentos difíceis vindos da mão de Deus. Mas completa: “mas não me entregou à morte.” A disciplina foi real, mas teve um limite. Não foi para destruir, foi para corrigir.
Essa é uma verdade importante sobre como Deus trata os Seus filhos. Hebreus 12:6 diz: “porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.” A disciplina de Deus não é sinal de rejeição — é sinal de amor. Um pai que ama corrige o filho para o bem dele.
E o propósito da disciplina é sempre restaurador. Hebreus 12:11 explica: “toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza; mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos que por ela foram exercitados.” A correção dói no momento, mas produz fruto bom depois. Deus disciplina para moldar o caráter, para nos aproximar dEle, para nos conduzir à vitória.
Note o equilíbrio do versículo. Houve castigo — Deus não é indiferente ao pecado e não poupa a correção quando ela é necessária. Mas houve também limite — Ele “não me entregou à morte”. Deus nunca permite que a disciplina destrua o Seu filho. Ele corrige na medida certa, sempre visando a restauração, nunca a destruição.
Isso traz enorme consolo para os momentos difíceis. Quando passamos por provações, podemos ter certeza de que Deus está no controle, que Ele tem um propósito, e que Ele não nos entregará à destruição. Ele está trabalhando em nós, mesmo através da dor.
Você tem enxergado as dificuldades da sua vida como abandono de Deus, ou como correção amorosa com propósito? A disciplina de Deus dói, mas não destrói — ela molda, restaura e conduz à vitória. Se você está passando por um tempo difícil, lembre-se: o Senhor pode castigar, mas não entrega os Seus à morte. Ele está trabalhando em você. Você tem confiado no propósito dEle mesmo na dor?
2. A porta da salvação aberta
Cristo é a porta pela qual os justos entram na presença de Deus
“Esta é a porta do Senhor, pela qual os justos entrarão.” (Salmo 118:20)
O segundo movimento fala de uma porta.
O salmista pede: “Abri-me as portas da justiça; entrarei por elas, e louvarei ao Senhor.” (v.19) E declara: “Esta é a porta do Senhor, pela qual os justos entrarão.” (v.20)
Essa imagem da porta aponta diretamente para o Senhor Jesus. Ele mesmo declarou: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á.” (João 10:9) O Senhor Jesus é a porta pela qual entramos na presença de Deus, na salvação, na vida eterna.
E essa porta foi aberta na cruz. Quando o Senhor Jesus derramou o Seu sangue no Calvário, Ele abriu o caminho de acesso a Deus que estava fechado pelo pecado. A porta da salvação foi escancarada.
Isso representa uma mudança enorme. No Antigo Testamento, o povo precisava de mediadores para se aproximar de Deus — sacerdotes, sacrifícios, rituais. O acesso era limitado e indireto. Mas agora, através do Senhor Jesus, temos acesso direto. Hebreus 4:16 nos convida: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça.”
E repara em quem entra por essa porta: “os justos”. Mas como alguém se torna justo para entrar? Não por méritos próprios. Efésios 2:8-9 deixa claro: “pela graça sois salvos, por meio da fé… não vem das obras, para que ninguém se glorie.” Entramos pela porta não porque merecemos, mas pela graça de Deus, recebida pela fé em Cristo. É Ele quem nos torna justos.
E há um detalhe glorioso logo em seguida, no versículo 22: “A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina.” O Senhor Jesus aplicou esse versículo a Si mesmo (Mateus 21:42). Ele foi a pedra rejeitada pelos homens, mas que Deus tornou a principal — o fundamento de toda a salvação. Rejeitado pelos homens, exaltado por Deus.
Essa porta permanece aberta hoje. Não se fechou. Está de par em par para todos os que desejam entrar pela fé.
Você já entrou pela porta da salvação que o Senhor Jesus abriu? Essa porta não se abre pelos seus méritos, mas pela graça de Deus recebida pela fé. E ela está aberta agora, para você. Se você ainda não entrou, o convite está de pé. E se já entrou, vive como alguém que atravessou a porta — com gratidão e louvor por ter acesso direto à presença de Deus?
3. O chamado à alegria no dia do Senhor
O dia da salvação e da vitória de Deus merece regozijo
“Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.” (Salmo 118:24)
O terceiro movimento é um dos versículos mais conhecidos e celebrados da Bíblia.
“Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele.”
É importante entender qual é esse “dia”. No contexto do salmo, ele se refere ao dia da vitória e da salvação que Deus operou — o dia em que a pedra rejeitada se tornou a principal, o dia em que Deus se fez a salvação do Seu povo (v.21). É o dia da obra poderosa de Deus, o dia da libertação, o dia da salvação. E o salmista convoca todos a se alegrarem nesse dia.
Aplicado à nossa realidade, esse “dia” alcança seu sentido pleno no dia da salvação que Deus realizou em Cristo. A obra que o salmo celebrava de forma antecipada se cumpriu na cruz e na ressurreição do Senhor Jesus. O dia da nossa salvação é, verdadeiramente, o dia que o Senhor fez.
E o versículo é um chamado à alegria. Diante de tudo o que Deus fez — a disciplina que não destrói, a porta aberta, a salvação realizada —, a resposta certa é o regozijo. Não uma alegria superficial que depende das circunstâncias, mas uma alegria fundamentada na obra de Deus, que não muda.
Essa alegria é uma decisão. O salmista não diz “vamos nos alegrar se as coisas estiverem boas”. Ele diz “regozijemo-nos, e alegremo-nos”, como uma escolha, uma convocação. Podemos nos alegrar mesmo em meio às lutas, porque a nossa alegria não está nas circunstâncias, mas na obra de Deus e na salvação que Ele nos deu.
E há também um senso de urgência no “hoje”. 2 Coríntios 6:2 diz: “eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação.” O dia da salvação é hoje. O convite para entrar pela porta, para receber a salvação, para se alegrar na obra de Deus, é para agora. Não se deve adiar.
Cada dia que Deus nos dá está sob a Sua soberana providência. E o maior motivo de alegria é saber que Ele operou a nossa salvação. Esse é o dia que o Senhor fez — e ele merece a nossa alegria e o nosso louvor.
Você tem se alegrado no dia que o Senhor fez, ou tem deixado as circunstâncias roubarem a sua alegria? A alegria no Senhor não depende de tudo estar perfeito — ela se fundamenta na obra de Deus, especialmente na salvação, que não muda. E o convite é para hoje: hoje é o dia de entrar pela porta, hoje é o dia da salvação, hoje é o dia de se alegrar. Você tem vivido com essa alegria?
📊 Tabelas de Síntese
Tabela 1: Os Três Movimentos do Salmo 118:18-24
| Movimento | Versículo | O que celebra |
|---|---|---|
| A disciplina que não destrói | Salmo 118:18 | Deus corrige com amor e propósito, mas não entrega à morte |
| A porta da salvação | Salmo 118:20 | Cristo é a porta pela qual entramos na presença de Deus |
| O dia do Senhor | Salmo 118:24 | O dia da salvação e da vitória merece alegria e louvor |
Tabela 2: Como usar esta pregação
| Contexto | Ênfase sugerida | Aplicação principal |
|---|---|---|
| Culto de celebração | Movimento 3 — o dia do Senhor | A alegria fundamentada na obra de Deus |
| Culto evangelístico | Movimento 2 — a porta | O convite a entrar pela porta da salvação |
| Culto de consolo | Movimento 1 — a disciplina | O propósito de Deus nas provações |
| Culto de gratidão | Todos os movimentos | A celebração da obra completa de Deus |
| Culto sobre a pessoa de Cristo | Movimento 2 — a pedra rejeitada | Cristo rejeitado pelos homens, exaltado por Deus |
Conclusão
O Salmo 118 nos convida a celebrar a obra de Deus, e nos versículos 18 a 24 encontramos três movimentos maravilhosos dessa obra.
A disciplina que não termina em morte: Deus corrige os Seus com amor e propósito, mas nunca os entrega à destruição. Ele trabalha em nós, mesmo através da dor.
A porta da salvação aberta: o Senhor Jesus é a porta pela qual entramos na presença de Deus, aberta na cruz, acessível pela graça mediante a fé. A pedra rejeitada pelos homens tornou-se o fundamento da nossa salvação.
E o chamado à alegria no dia do Senhor: diante de tudo o que Deus fez, a resposta certa é o regozijo — uma alegria fundamentada na Sua obra, que não depende das circunstâncias.
Tudo isso aponta para a maior obra de Deus na história: a salvação realizada em Cristo. O dia da nossa salvação é verdadeiramente o dia que o Senhor fez.
E o convite é para hoje. Hoje é o dia de reconhecer o propósito de Deus nas provações. Hoje é o dia de entrar pela porta da salvação. Hoje é o dia de se alegrar na obra do Senhor.
Que possamos, como o salmista, nos regozijar e nos alegrar no Senhor. Que possamos passar pela porta da salvação que o Senhor Jesus abriu. E que possamos confiar que, assim como Ele nos disciplina com amor, também nos conduzirá à vitória final.
Este é o dia que o Senhor fez. Regozijemo-nos e alegremo-nos nele.
❓ Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O “castigo” do versículo 18 significa que Deus pune Seus filhos com sofrimento?
É preciso distinguir entre punição condenatória e disciplina corretiva. O versículo fala de disciplina — a correção amorosa que visa restaurar e amadurecer, não a punição que visa destruir. Hebreus 12:6 explica que “o Senhor corrige o que ama”, comparando isso à correção de um pai. A própria estrutura do versículo mostra o propósito: Deus castigou, “mas não me entregou à morte” — houve limite e cuidado. Para o cristão, a condenação pelos pecados já foi paga por Cristo (Romanos 8:1); o que resta é a disciplina amorosa do Pai, sempre voltada para o nosso bem.
2. Por que Jesus é chamado de “porta” e o que isso significa?
O Senhor Jesus usou essa imagem de Si mesmo em João 10:9: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á.” A imagem da porta comunica várias verdades: Ele é o único acesso à salvação e à presença de Deus; entrar por Ele traz segurança e salvação; e a porta representa uma passagem de um estado para outro — das trevas para a luz, da morte para a vida. Assim como o Salmo 118:20 fala da porta pela qual os justos entram, o Senhor Jesus é essa porta, aberta na cruz, pela qual qualquer pessoa pode entrar pela fé.
3. O que significa “a pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina”?
Essa imagem, do versículo 22, foi aplicada por Jesus a Si mesmo em Mateus 21:42, e os apóstolos a repetiram (Atos 4:11; 1 Pedro 2:7). “Cabeça da esquina” (ou pedra angular) era a pedra mais importante de uma construção, que sustentava e alinhava toda a estrutura. A imagem significa que o Senhor Jesus foi rejeitado pelos líderes religiosos e pelos homens (“os edificadores”), mas Deus O tornou o fundamento de toda a salvação. O que os homens desprezaram, Deus exaltou ao lugar mais importante. É um retrato profético da rejeição e da exaltação de Cristo.
4. Como me alegrar “no dia que o Senhor fez” quando estou passando por dificuldades?
A alegria a que o versículo chama não é negação das dificuldades nem uma emoção superficial que depende das circunstâncias. É uma alegria fundamentada na obra de Deus — especialmente na salvação —, que permanece firme independentemente do que estamos vivendo. Na prática, isso envolve escolher focar no que Deus já fez (a disciplina que não destrói, a porta aberta, a salvação garantida) em vez de apenas nas circunstâncias presentes. É a mesma alegria de Paulo e Silas, que cantavam louvores na prisão. A fonte dessa alegria não muda, mesmo quando tudo ao redor muda.
5. Este salmo do Antigo Testamento realmente fala de Jesus?
Sim, e não é uma interpretação forçada — é o próprio Novo Testamento que faz essa conexão. O Salmo 118 é um dos mais citados pelo Novo Testamento em referência a Cristo: a pedra rejeitada (v.22) é aplicada a Jesus por Ele mesmo e pelos apóstolos; o “Bendito o que vem em nome do Senhor” (v.26) foi gritado pelo povo na entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém. Portanto, ler este salmo à luz de Cristo é seguir a interpretação que a própria Bíblia estabelece, não uma leitura inventada.
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