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E foi para eira – Rute 3:6


E-Book Pregando sem TRAUMAS

A Fé e Obediência de Rute

Pregação Expositiva em Rute 3:6 – “Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado.”

Biblia thompson

💡 Como usar este Esboço de Pregação (Rute 3:6)

🟢 Ideal para: Cultos evangelísticos, mensagens sobre fé e obediência, estudos sobre tipologia bíblica (Boaz como tipo de Cristo), mostrar como Deus transforma histórias.

Dicas de Uso:

  • Conte a história: Rute é narrativa lindamente construída. Não pule direto para aplicações — deixe a história falar. O contexto é essencial para entender o versículo.
  • Explique a lei do resgatador: A figura do “goel” (parente remidor) é central no livro. Boaz cumpre esse papel para Rute, assim como Cristo é nosso Redentor.
  • Destaque a fé de Rute: Ela era estrangeira, viúva, pobre. Mas confiou no Deus de Israel e obedeceu ao conselho de Noemi. Sua decisão de ir à eira foi passo de fé.
  • Aponte para Cristo: Boaz é tipo de Jesus — o Redentor que tinha direito de resgatar, poder para resgatar, e disposição para resgatar. Ele transforma a história dos que a Ele se achegam.

Introdução

O livro de Rute é uma das mais belas histórias da Bíblia. Em apenas quatro capítulos, acompanhamos a jornada de uma mulher estrangeira que perde tudo — marido, cunhado, sogro — e encontra redenção através de um parente bondoso chamado Boaz.

Rute era moabita. Casou-se com um israelita que havia migrado para Moabe com sua família por causa da fome em Belém. Mas os anos passaram, e a tragédia veio: o sogro morreu, depois o marido, depois o cunhado. Três viúvas ficaram: Noemi e suas duas noras, Rute e Orfa.

Noemi decidiu voltar para Belém. Orfa ficou em Moabe. Mas Rute fez uma declaração extraordinária: “O teu povo é o meu povo, e o teu Deus é o meu Deus” (1:16). Ela deixou sua terra, seus deuses, sua família — e seguiu Noemi para uma terra desconhecida.

Em Belém, Rute trabalhou nos campos, respigando espigas para sustentar a si e à sogra. E “por acaso” foi parar no campo de Boaz — um parente de Elimeleque, sogro de Rute. Um homem que tinha o direito de ser seu resgatador.

O versículo 3:6 marca um momento decisivo: Rute vai à eira, seguindo o conselho de Noemi, para apresentar-se a Boaz como candidata à redenção.

Vamos examinar esta história e ver o que ela nos ensina sobre fé, obediência e o Deus que transforma vidas.


1. O Conselho de Noemi: Direção para Buscar o Resgatador (Rute 3:1-5)

Quem conhece o caminho pode orientar quem busca

“Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus.” (Salmo 143:10)

O capítulo 3 começa com Noemi tomando iniciativa: “Minha filha, porventura não te hei de eu buscar descanso, para que te vá bem?” (v.1).

Noemi conhecia as leis e costumes de Israel. Sabia que existia a lei do resgatador — o “goel” em hebraico. Quando um homem morria sem filhos, um parente próximo podia resgatar a viúva, casar-se com ela e preservar o nome e a herança da família.

Boaz era parente de Elimeleque. Tinha o direito de ser resgatador. E Noemi viu a oportunidade.

Ela orientou Rute: “Lava-te, unge-te, veste os teus melhores vestidos, e desce à eira” (v.3). Depois de Boaz comer e beber, Rute deveria ir, descobrir os pés dele, e deitar-se ali. Quando ele acordasse, diria o que ela deveria fazer.

O conselho parece estranho para nós, mas era culturalmente apropriado. Rute estava se apresentando como candidata à redenção, invocando o direito do resgatador.

E qual foi a resposta de Rute? “Tudo quanto me disseres farei” (v.5). Confiança e obediência. Ela não conhecia todos os costumes de Israel, mas confiava em Noemi, que conhecia. Estava disposta a seguir a orientação.

Assim como Noemi orientou Rute a buscar Boaz, a Palavra de Deus nos orienta a buscar Cristo, nosso Redentor.

Você tem buscado direção na Palavra de Deus? Tem seguido o conselho daqueles que conhecem o caminho? A fé inclui confiança para obedecer, mesmo quando não entendemos tudo.


2. “Foi Para a Eira”: O passo de Fé de Rute (Rute 3:6)

Fé se demonstra em ação

“Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.” (Tiago 2:17)

“Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado.”

Este versículo é breve, mas carregado de significado. Rute não apenas ouviu o conselho — ela foi. Não apenas concordou — ela fez.

A eira era o lugar onde se debulhava o trigo. Boaz estaria lá, supervisionando a colheita e dormindo para guardar o grão. Era lugar público, movimentado durante o dia, mas silencioso à noite.

Para Rute, ir à eira era passo de risco. Ela era estrangeira, viúva, pobre. Estava se colocando em posição vulnerável. E se Boaz a rejeitasse? E se a mal interpretasse? E se houvesse escândalo?

Mas Rute foi. A fé dela se demonstrou em ação.

“Fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado” — obediência completa. Não fez pela metade. Não adaptou ao seu gosto. Seguiu as instruções fielmente.

A fé bíblica não é apenas crença intelectual — é confiança que se traduz em obediência. Abraão creu em Deus e saiu de Ur sem saber para onde ia. Noé creu e construiu a arca. Rute creu e foi para a eira.

Ir à eira era o passo necessário para encontrar o resgatador. Sem esse passo, não haveria redenção.

Que passo de fé Deus está pedindo de você? A fé sem obras é morta. Não basta saber o caminho — é preciso andar nele. Vá para a “eira” que Deus colocou diante de você.


3. Boaz, o Resgatador: Um tipo de Cristo (Rute 3:9-13)

Aquele que tinha direito, poder e disposição para resgatar

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis… que fostes resgatados… mas com o precioso sangue de Cristo.” (1 Pedro 1:18-19)

Quando Boaz acordou à meia-noite e encontrou Rute aos seus pés, perguntou: “Quem és tu?” Ela respondeu: “Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador” (v.9).

Rute invocou o direito do resgatador. E Boaz respondeu com bondade extraordinária: “Bendita sejas tu do Senhor, minha filha… não temas; tudo quanto disseste te farei” (vv.10-11).

Boaz tinha três qualidades necessárias para ser resgatador:

Direito — Era parente próximo. Tinha legitimidade para resgatar. Havia outro parente mais próximo, mas esse renunciou ao direito (capítulo 4).

Poder — Era homem rico, “poderoso e valente” (2:1). Tinha recursos para pagar o preço da redenção.

Disposição — Não se escondeu, não fugiu da responsabilidade. Disse a Rute: “Tudo te farei.” Assumiu seu papel com alegria.

Boaz é tipo de Cristo, nosso Redentor. O Senhor Jesus tinha direito de resgatar — tornou-se nosso parente ao assumir carne humana. Tinha poder — é o Filho de Deus. E tinha disposição — “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis que fostes resgatados, mas com o precioso sangue de Cristo.”

Cristo não hesitou em cumprir Sua missão. Veio para nos resgatar das trevas, do pecado, da morte eterna. E pagou o preço com Sua própria vida.

Você já se achegou ao Redentor? Assim como Rute foi a Boaz, você pode ir a Cristo. Ele tem direito, poder e disposição para resgatar você. Não tema — vá a Ele.


4. A Recompensa da Fé: Uma História transformada (Rute 4:13-17)

Deus transforma lágrimas em alegria e morte em vida

“Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus.” (Romanos 8:28)

A história de Rute termina com redenção completa. Boaz resolveu a questão legal com o outro parente, casou-se com Rute, e ela concebeu um filho.

As mulheres de Belém disseram a Noemi: “Bendito seja o Senhor, que não deixou hoje de te dar um resgatador” (4:14). O menino se chamou Obede. Obede gerou Jessé. Jessé gerou Davi.

Rute, a moabita estrangeira, entrou na linhagem do rei Davi — e, portanto, na linhagem do Senhor Jesus Cristo. Seu nome aparece em Mateus 1:5, na genealogia do Messias.

Que transformação! De viúva estrangeira sem direitos a antepassada do Rei dos reis. De respigadora nos campos a matriarca de uma linhagem real e divina.

Deus governa todas as coisas e apoia aqueles que confiam nEle. O que parecia fim era recomeço. O que parecia tragédia era caminho para bênção. O que parecia morte era semente de vida.

Rute representa todos os que vêm a Cristo pela fé — estrangeiros que se tornam cidadãos do Reino, pobres que recebem herança eterna, perdidos que são achados pelo Redentor.

O Senhor Jesus pode mudar sua história, não importa quão difícil pareça. Ele transforma lágrimas em alegria e morte em vida. Confie no Redentor!

Sua história parece sem esperança? Deus especializa-se em transformar situações impossíveis. Rute perdeu tudo e ganhou mais do que imaginava. Confie no Senhor — Ele pode mudar sua história também.


Conclusão

“Então foi para a eira, e fez conforme a tudo quanto sua sogra lhe tinha ordenado.”

Rute era estrangeira, viúva, pobre. Não tinha direitos em Israel. Mas ela tomou uma decisão: seguir o Deus de Noemi e confiar em Sua provisão.

Quando Noemi a orientou a buscar Boaz, ela obedeceu. Foi para a eira — passo de fé, de risco, de confiança.

E encontrou o resgatador. Boaz tinha direito, poder e disposição para redimi-la. E o fez com alegria.

A história de Rute foi completamente transformada. De viúva a esposa. De estrangeira a parte da família de Deus. De sem esperança a antepassada do Messias.

Boaz é tipo de Cristo, nosso Redentor. Ele veio buscar e salvar o que estava perdido. Ele tem direito de resgatar — tornou-se homem. Tem poder — é Deus. Tem disposição — morreu por nós.

Assim como Rute foi à eira buscar Boaz, você pode ir a Cristo hoje. Não importa sua origem, sua condição, seu passado. O Redentor está disponível.

Vá a Ele. Confie. Obedeça.

E Ele transformará sua história.


FAQ – Perguntas Frequentes

1. O que era a “eira” mencionada no texto?

A eira era um local plano, geralmente ao ar livre, onde se debulhava o trigo — separando os grãos da palha através de pisoteio de animais ou batendo com varas. Durante a colheita, os donos dormiam na eira para proteger o grão de ladrões. Boaz estava lá supervisionando e guardando sua colheita.

2. O que é a lei do resgatador (goel)?

O “goel” era o parente redentor na lei de Israel. Tinha responsabilidade de resgatar propriedades vendidas por parentes empobrecidos (Levítico 25:25) e de casar-se com a viúva de um parente para preservar seu nome e herança (Deuteronômio 25:5-10). Boaz cumpriu esse papel para Rute, resgatando a herança de Elimeleque e casando-se com ela.

3. Por que Boaz é considerado tipo de Cristo?

Porque ele cumpre o papel de resgatador de forma que prefigura a obra de Cristo. Assim como Boaz tinha direito (era parente), poder (era rico) e disposição (aceitou alegremente) para resgatar Rute, Cristo se fez nosso parente (encarnou), tem poder infinito (é Deus), e nos resgatou voluntariamente (morreu por nós). A tipologia é reconhecida pela tradição cristã.

4. O comportamento de Rute na eira era inapropriado?

Não no contexto cultural da época. Rute estava invocando o direito do resgatador de forma reconhecida. “Estender a capa” sobre alguém era símbolo de proteção e compromisso matrimonial (Ezequiel 16:8). Boaz a elogiou por sua atitude virtuosa (3:10-11) e a protegeu de qualquer escândalo, mandando-a embora antes do amanhecer.

5. O que a história de Rute ensina sobre Deus?

Que Deus governa soberanamente e cuida dos que confiam nEle. Rute perdeu tudo, mas Deus estava trabalhando nos bastidores. O que parecia “acaso” (2:3) era providência divina. Deus transformou tragédia em bênção, pobreza em riqueza, estrangeiridade em pertencimento. Ele pode fazer o mesmo por qualquer um que venha a Ele em fé.


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