Esboço de Pregação em Jó 19:25 – “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.”
Tipo de Pregação: Textual
Tempo estimado de leitura: 12 minutos
Texto Base: Jó 19:23-27
Imagine perder tudo em um único dia. Seus filhos. Seus bens. Sua saúde. Sua reputação. Imagine ainda ser acusado por seus amigos de ter causado tudo isso por algum pecado oculto.
Essa era a situação de Jó.
Ele havia sido um homem íntegro, temente a Deus, abençoado em todas as áreas. Mas em um dia terrível, mensageiros chegaram um após outro trazendo notícias devastadoras: os bois e jumentas foram roubados; fogo do céu consumiu as ovelhas; os caldeus levaram os camelos; um vento forte derrubou a casa e matou todos os seus filhos.
Depois, Jó foi ferido com úlceras malignas da cabeça aos pés. Sua esposa sugeriu que ele amaldiçoasse a Deus e morresse. Seus três amigos vieram “consolá-lo”, mas passaram a acusá-lo, insistindo que tanto sofrimento só poderia ser castigo por pecados graves.
No capítulo 19, Jó está no fundo do poço. Sente-se abandonado por Deus, rejeitado pelos amigos, desprezado até pelos servos. Sua carne apodrece sobre os ossos. Ele implora: “Compadecei-vos de mim, amigos meus, porque a mão de Deus me tocou” (v.21).
E então, no meio dessa escuridão absoluta, Jó faz uma das declarações de fé mais extraordinárias de toda a Bíblia:
“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.”
De onde veio essa certeza? Como alguém em tanto sofrimento pode afirmar algo tão glorioso? Vamos explorar essa declaração e descobrir a esperança que ela oferece para nós hoje.
“Ah, se as minhas palavras fossem escritas! Ah, se fossem gravadas num livro! E que, com pena de ferro e com chumbo, para sempre fossem esculpidas na rocha!” (Jó 19:23-24)
Antes de fazer sua grande declaração, Jó expressa um desejo profundo: que suas palavras fossem preservadas para sempre.
Jó queria que o que estava prestes a dizer fosse gravado em rocha – o meio mais permanente de registro na antiguidade. Ele sabia que estava prestes a declarar algo importante demais para ser esquecido.
E foi exatamente isso que aconteceu. Suas palavras foram preservadas – não em rocha, mas em algo ainda mais duradouro: as Escrituras Sagradas. Milhares de anos depois, ainda lemos e somos fortalecidos por essa declaração de fé.
O que torna essa declaração ainda mais notável é o momento em que foi feita. Jó não entendia por que estava sofrendo. Não tinha as respostas. Seus amigos o acusavam. Deus parecia silencioso.
Mas mesmo sem entender, Jó creu. Mesmo no escuro, afirmou sua fé. Essa é a natureza da verdadeira confiança em Deus – ela permanece mesmo quando não temos explicações.
“Porque eu sei…” (Jó 19:25a)
A declaração de Jó começa com certeza absoluta: “Eu sei.”
Não era “eu acho”, “eu espero”, “talvez”. Era “eu sei.” Jó tinha convicção inabalável no coração.
Essa certeza não vinha de circunstâncias favoráveis – as circunstâncias eram terríveis. Não vinha de confirmação dos amigos – eles o acusavam. Não vinha de sentimentos positivos – Jó estava em agonia.
A certeza de Jó vinha de sua experiência pessoal com Deus. Ele conhecia o Senhor. Tinha caminhado com Ele por anos. E esse relacionamento era a base de sua fé.
Muitas pessoas têm fé quando tudo vai bem. Quando a saúde está boa, o dinheiro está entrando, a família está em paz – é fácil crer. Mas e quando tudo desmorona?
A fé de Jó foi testada no fogo mais intenso. E permaneceu. Ele perdeu filhos, bens, saúde, reputação – mas não perdeu sua fé no Deus vivo.
Essa é a fé que precisamos cultivar. Uma fé que não depende de circunstâncias. Uma fé que diz “eu sei” mesmo quando não entende.
“…que o meu Redentor…” (Jó 19:25b)
Jó não disse apenas “um Redentor” ou “o Redentor”. Disse “meu Redentor.” É pessoal. É íntimo. É relacional.
A palavra hebraica usada aqui é “goel” – o mesmo termo usado para o parente resgatador nas leis de Israel.
O goel era o parente próximo que tinha a responsabilidade de:
O goel era o defensor, o protetor, o resgatador da família. Era aquele que intervinha quando alguém estava em situação desesperadora.
Os amigos de Jó o acusavam. A sociedade o rejeitava. Parecia que não havia ninguém para defendê-lo.
Mas Jó sabia que tinha um Goel – não na terra, mas no céu. Tinha um Redentor que interviria em seu favor. Alguém que o defenderia, que resgataria sua causa, que vindicaria sua inocência.
Para nós, cristãos, esse Redentor tem nome: Jesus Cristo.
Ele Se fez nosso parente – tornou-Se homem, tomando nossa natureza. E como nosso Goel, Ele nos resgatou da escravidão do pecado. Pagou o preço com Seu próprio sangue. Defendeu nossa causa diante do Pai.
Pedro escreveu: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados… mas com o precioso sangue de Cristo” (1 Pedro 1:18-19).
Você pode dizer como Jó: “Meu Redentor”? Não um Redentor distante e impessoal, mas o seu Redentor, que o conhece, que o ama, que morreu por você?
“…vive…” (Jó 19:25c)
O Redentor de Jó não era uma esperança morta. Era um Deus vivo.
Os povos ao redor de Israel adoravam ídolos – estátuas de madeira, pedra e metal. Deuses que não veem, não ouvem, não falam, não agem.
Mas o Deus de Jó era diferente. Ele vive. Ele age. Ele ouve. Ele intervém.
Jó estava sofrendo, mas seu Deus não estava morto. Estava vivo – e isso fazia toda a diferença.
Para nós, essa declaração ganha significado ainda mais profundo à luz da ressurreição.
Jesus morreu na cruz. Foi sepultado. Mas ao terceiro dia, ressuscitou. O túmulo está vazio. Cristo vive!
Porque Ele vive, nossa fé não é em vão. Porque Ele vive, temos esperança além da morte. Porque Ele vive, podemos enfrentar o amanhã.
Paulo proclamou: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé… Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos” (1 Coríntios 15:17, 20).
O Redentor vive. Essa é a base de toda a nossa esperança.
“…e que por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19:25d)
A declaração de Jó aponta para o futuro. Há uma esperança escatológica aqui.
Jó cria que, no final, seu Redentor se levantaria para vindicá-lo. Mesmo que morresse sem ver justiça nesta vida, sabia que haveria um acerto de contas. Seu Redentor teria a última palavra.
A expressão “se levantará sobre a terra” pode significar que o Redentor se colocará de pé como advogado, como defensor, para declarar a inocência de Jó e encerrar o caso.
Os versículos seguintes ampliam essa esperança de forma extraordinária:
“E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outros” (Jó 19:26-27).
Jó cria que, mesmo depois que seu corpo se desfizesse, ele veria a Deus. Em sua própria carne. Com seus próprios olhos. Pessoalmente.
Isso é esperança de ressurreição! Milênios antes de Cristo ressuscitar, Jó vislumbrou essa verdade gloriosa: a morte não é o fim. Há vida além do túmulo. Veremos a Deus face a face.
Para nós, essa esperança se cumpre na segunda vinda de Cristo. Ele se levantará sobre a terra – não como servo sofredor, mas como Rei glorioso.
“Porque o Senhor mesmo descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).
O Redentor vive. E Ele voltará. Essa é a esperança que nos sustenta em todas as provações.
O que a declaração de Jó significa para nós hoje?
Jó nos ensina que é possível manter a fé mesmo quando não entendemos o que está acontecendo. Ele não tinha as respostas. Não sabia por que sofria. Mas sabia em quem cria.
Quando você passar por provações – e passará – lembre-se: seu Redentor vive. Ele não o abandonou. Ele está trabalhando mesmo quando você não vê.
A morte não é o fim para quem está em Cristo. Assim como Jó, podemos ter certeza: veremos a Deus. Em nossa própria carne. Com nossos próprios olhos.
Essa esperança transforma a forma como enfrentamos a morte – a nossa e a dos que amamos. Não é um adeus eterno. É um “até logo.”
Jó disse “meu Redentor.” Não basta saber que existe um Salvador. É preciso que Ele seja o seu Salvador. Pessoal. Íntimo. Seu.
Você pode dizer isso? “Meu Redentor vive”? Se ainda não pode, hoje é o dia de entregar sua vida a Ele e torná-Lo seu.
Jó estava no fundo do poço. Havia perdido tudo. Seus amigos o acusavam. Deus parecia silencioso. Tudo ao redor era escuridão.
Mas no meio dessa escuridão, brilhou uma luz de fé extraordinária:
“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.”
Jó não sabia quando o alívio viria. Não sabia como Deus agiria. Não tinha respostas para suas perguntas. Mas tinha uma certeza: seu Redentor estava vivo.
E essa certeza foi suficiente.
Para nós, essa certeza é ainda mais gloriosa. Sabemos quem é o Redentor: Jesus Cristo. Sabemos que Ele morreu e ressuscitou. Sabemos que Ele voltará. Sabemos que O veremos face a face.
Não importa o que você está enfrentando hoje. Não importa quão escura está a noite. Não importa quão profundo é o vale.
Seu Redentor vive.
E porque Ele vive, você pode ter esperança. Você pode resistir. Você pode vencer.
Agarre-se a essa verdade. Declare com Jó: “Eu sei que o meu Redentor vive!”
E um dia, você O verá. Com seus próprios olhos. Face a face. Para sempre.
Os versículos 26-27 indicam que Jó esperava ver Deus “em sua carne” e com “seus próprios olhos” mesmo depois que sua pele fosse consumida. Isso sugere esperança de vida além da morte. Embora a doutrina da ressurreição não estivesse plenamente desenvolvida no Antigo Testamento, textos como este mostram lampejos dessa esperança. O Novo Testamento confirma e completa o que Jó vislumbrou.
O goel era o parente próximo responsável por resgatar familiares em dificuldades: comprar de volta terras perdidas, libertar parentes vendidos como escravos, vingar sangue derramado, ou casar-se com viúvas para preservar a linhagem. Boaz foi goel de Rute. Jó aplica esse conceito a Deus – um Redentor celestial que interviria em seu favor.
A certeza de Jó não vinha das circunstâncias, mas de seu relacionamento com Deus. Ele conhecia o Senhor pessoalmente. Havia caminhado com Ele por anos. Essa experiência de fé sustentou sua confiança mesmo quando tudo ao redor desmoronava. A verdadeira fé não depende de entender – depende de conhecer Aquele em quem confiamos.
Jesus é o cumprimento pleno do conceito de Redentor. Ele Se fez nosso parente (tornou-Se homem), pagou o preço do nosso resgate (Seu sangue), nos libertou da escravidão do pecado, e intercede por nós diante do Pai. Além disso, Ele ressuscitou – o Redentor vive! E voltará para nos ressuscitar também.
A fé de Jó foi construída antes da crise, em anos de comunhão com Deus. Cultive seu relacionamento com o Senhor nos dias bons – através da Palavra, oração e obediência. Quando a crise vier, você terá reservas espirituais. Além disso, lembre-se das verdades que conhece sobre Deus, mesmo quando não sente. E declare em voz alta: “Meu Redentor vive!” A fé se fortalece quando é expressa.
O desamparo de Jesus – Isaías 54:7-8
Equilíbrio do Servo – Filipenses 1:6
Sei passar necessidades e ter em abundância – Filipenses 4: 11-14
CONSELHO DO ESPÍRITO SANTO – Jó 5:8-9