Esboço de Pregação em Jeremias 48:6 – “Fugi, salvai a vossa vida, e sede como a tamargueira no deserto.”
Tipo de Pregação: Textual
Texto Base: Jeremias 48:1-8
Jeremias foi chamado de “profeta chorão” porque chorava pelos pecados do povo. Mas ele também foi profeta das nações – Deus o constituiu para profetizar não apenas sobre Israel, mas sobre os povos ao redor.
No capítulo 48, Jeremias pronuncia juízo sobre Moabe. Os moabitas eram vizinhos de Israel, descendentes de Ló. Haviam se tornado um povo orgulhoso, idólatra, que confiava em seus tesouros e fortalezas.
A destruição viria. Os babilônios arrasariam Moabe assim como haviam arrasado Jerusalém. E no meio desse anúncio de juízo, surge um apelo urgente:
“Fugi, salvai a vossa vida, e sede como a tamargueira no deserto.”
Embora dirigido originalmente aos moabitas, esse apelo ecoa até nós hoje. Vivemos em um mundo que está sob juízo. A destruição espiritual avança. E o chamado permanece: fugi, salva a tua vida, aprende a sobreviver como a tamargueira no deserto.
O que significa ser como essa planta que sobrevive onde nada mais vive? O que significa fugir e salvar a vida em nossos dias? É o que vamos explorar.
“Contra Moabe. Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Ai de Nebo, porque está destruída!” (Jeremias 48:1)
Moabe era uma nação vizinha de Israel, localizada a leste do Mar Morto. Seu povo descendia de Ló, sobrinho de Abraão. Ao longo da história, Moabe oscilou entre aliança e hostilidade com Israel.
No tempo de Jeremias, Moabe havia se tornado orgulhoso e arrogante. O profeta descreve: “Ouvimos a soberba de Moabe, que é mui soberbo; a sua arrogância, e o seu orgulho, e a sua soberba, e a altivez do seu coração” (Jeremias 48:29).
Moabe confiava em suas riquezas, suas fortalezas, seus ídolos. Especialmente em Quemós, o deus nacional dos moabitas. Mas nada disso os salvaria da destruição que viria.
Os babilônios viriam. Cidade após cidade seria destruída. “O destruidor virá a cada cidade, e nenhuma cidade escapará” (Jeremias 48:8).
É nesse contexto que surge o apelo urgente: “Fugi, salvai a vossa vida.” Não havia tempo a perder. A única chance de sobrevivência era fugir – e aprender a viver como a tamargueira no deserto.
“Fugi, salvai a vossa vida…” (Jeremias 48:6a)
A urgência é evidente. “Fugi” é imperativo. Não é sugestão. Não é conselho para considerar. É ordem de evacuação.
Quando a destruição se aproxima, não há tempo para negociação. Não há tempo para apego às coisas que serão destruídas. É preciso fugir.
No contexto original, era fugir da invasão babilônica. Mas para nós, o princípio se aplica espiritualmente.
Há coisas das quais precisamos fugir:
Fugir do pecado – Paulo escreveu: “Fugi da prostituição” (1 Coríntios 6:18). “Fugi da idolatria” (1 Coríntios 10:14). “Foge também das paixões da mocidade” (2 Timóteo 2:22).
Fugir do mundo condenado – O mundo jaz no maligno (1 João 5:19). Há uma destruição vindo. Os que permanecem apegados ao sistema mundano serão destruídos com ele.
Fugir da mentira – Moabe confiava em mentiras: em seus ídolos, em sua força, em sua riqueza. Nada disso era real. Nós também precisamos fugir das ilusões que o mundo oferece.
É questão de sobrevivência. Não é questão secundária. Não é opcional. É vida ou morte.
Jesus disse: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?” (Marcos 8:36). A alma é o que precisa ser salvo. E para isso, às vezes é preciso abandonar tudo o mais.
“Salvai a vossa vida” – é pessoal. Cada um precisa tomar essa decisão por si mesmo. Ninguém pode fugir por você. Ninguém pode salvar sua alma em seu lugar.
Não é fugir das responsabilidades. É fugir do que destrói. É escolher a vida quando a morte se aproxima.
“…e sede como a tamargueira no deserto.” (Jeremias 48:6b)
A segunda parte do versículo oferece uma imagem surpreendente: sejam como a tamargueira no deserto.
A tamargueira é um arbusto resistente que cresce em regiões desérticas e áridas. Algumas traduções trazem “arbusto solitário” ou “zimbro do deserto.”
É uma planta que sobrevive onde outras morreriam. Em meio à areia escaldante, ao sol inclemente, à escassez de água – a tamargueira permanece viva.
A tamargueira tem raízes profundas. Enquanto a superfície é hostil, ela busca água nas profundezas. Onde olhos humanos veem apenas deserto, suas raízes encontram vida.
Ela também é adaptada ao calor. Em vez de murchar sob o sol, ela usa a luz para seu crescimento. Quanto mais sol, mais robusta ela se torna.
Ela capta água que ninguém sabe de onde vem. Tem água na sua própria estrutura. É um milagre de sobrevivência. Ela vai buscar nas profundezas o que não existe na superfície.
Ser como a tamargueira significa:
Sobreviver em ambiente hostil – O cristão vive no “deserto” deste mundo. O ambiente é árido espiritualmente. Há calor das provações, escassez de compreensão, solidão às vezes. Mas como a tamargueira, podemos sobreviver.
Buscar recursos nas profundezas – A tamargueira não depende da chuva superficial. Ela busca água lá embaixo, onde ninguém vê. Assim deve ser nossa vida espiritual: alimentada de fontes profundas – a Palavra, a oração, a comunhão com Deus – não das aparências externas.
Transformar adversidade em crescimento – A tamargueira usa o sol escaldante para crescer. As provações que deveriam nos destruir podem nos fortalecer, se soubermos processá-las pela fé.
Viver do milagre – A tamargueira vive no meio dos cardos, espinhos, areia causticante. Ela vive do que parece impossível. O homem de fé também se alimenta daquilo que ninguém vê.
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano.” (Salmo 92:12)
Na Bíblia, o deserto frequentemente representa o lugar de prova, mas também de encontro com Deus.
Israel passou quarenta anos no deserto. Moisés encontrou Deus no deserto. Elias foi sustentado no deserto. João Batista pregou no deserto. Jesus foi tentado no deserto.
O deserto é onde aprendemos a depender de Deus quando não há nenhum recurso visível. É onde a fé é provada e fortalecida.
A tamargueira no deserto vive do que parece impossível. Ela capta água onde não há água visível. Ela prospera onde nada deveria prosperar.
Assim é a vida de fé. Dependemos do que os olhos não veem. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11:1).
O homem de fé se alimenta daquilo que o mundo não enxerga. Bebe de fontes que não aparecem na superfície. Vive do milagre cotidiano da provisão de Deus.
Fugir para o deserto é esperar na fé. É quando você não tem outro lugar. É se abrigar no Senhor. É viver do milagre.
No deserto, encontrar uma árvore que oferece sombra é motivo de grande alegria para os viajantes exaustos. A tamargueira, mesmo sem dar frutos comestíveis, oferece algo precioso: descanso.
Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei… e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:28-29).
Não é descanso apenas para o corpo físico. É descanso para a alma. É paz interior em meio ao caos exterior. É serenidade quando tudo ao redor está em turbulência.
A igreja deve ser assim no deserto deste mundo: um lugar de descanso para os viandantes cansados. Uma sombra no calor. Um refúgio para quem está exausto da jornada.
O salmista declara que o justo florescerá como a palmeira (Salmo 92:12). A palmeira no deserto produz frutos mesmo sob sol escaldante. Na verdade, é o calor que adoça os frutos.
Assim é o crente provado. Quanto mais luz, quanto mais revelação, mais ele abre suas palmas para receber. Ele cresce ereto. Ele é justo. E no calor das provas, produz frutos adocicados.
Não existe cristianismo sem fé, sem experiência. O homem tem que ser provado nas areias quentes do deserto. E ali, onde tudo parece estéril, a vida de Deus floresce.
“Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude. Alegre-se o campo com tudo o que nele há; então todas as árvores do bosque rejubilarão.” (Salmo 96:11-12)
A profecia de Jeremias é atual para nossos dias. O mundo está dominado por trevas. As estruturas estão sendo destruídas. A família está sob ataque. Os valores estão invertidos.
Mas a igreja tem uma mensagem. Ela não vai aceitar, não vai se conformar com isso. Ela veio ao mundo com um objetivo: mostrar que existe o Espírito Santo, existe uma fé que vem da eternidade.
Nossa vida tem que marcar um espaço nesta existência. Ser a paz em meio ao caos. Ser como a sombra das palmeiras que vive do Sol. Quanto mais luz, quanto mais revelação, mais crescemos.
A igreja é como a palmeira no deserto que abriga os viandantes, os caminhantes exaustos. Oferece descanso, sombra, refrigério. E produz frutos que alimentam os famintos.
O apelo de Jeremias é veemente, é urgente. Ele usa figuras poderosas: o deserto, a tamargueira, a destruição ao redor.
E o chamado ecoa até nós: Fugi! Salvai a vossa vida! Não fiquem onde a destruição virá. Busquem refúgio no Senhor. Aprendam a viver pela fé.
“Fugi, salvai a vossa vida, e sede como a tamargueira no deserto.”
O mundo está sob juízo. A destruição espiritual avança. As mentiras do inimigo capturam multidões. O tempo urge.
O chamado é para fugir. Fugir do pecado. Fugir das ilusões do mundo. Fugir de tudo que está destinado à destruição.
E então, aprender a viver como a tamargueira no deserto:
A fé é isso: viver do milagre. Depender do invisível. Prosperar onde nada deveria prosperar.
Você está preso em algum “Moabe” – algum lugar de falsa segurança que será destruído? Fuja. Salve a sua vida.
Você está no deserto das provações? Seja como a tamargueira. Aprofunde suas raízes. Busque a água que vem de baixo. E permaneça vivo quando tudo ao redor está árido.
O Senhor é nosso refúgio. Nele encontramos vida no deserto. Nele sobrevivemos quando tudo mais perece.
Fugi para Ele. E vivei.
Maranata! O Senhor Jesus vem!
Jeremias 48 é um oráculo de juízo contra Moabe, nação vizinha de Israel a leste do Mar Morto. Os babilônios destruiriam Moabe por causa de seu orgulho e idolatria. O versículo 6 é um chamado urgente para os moabitas evacuarem antes que a destruição chegasse. O profeta usa a imagem da tamargueira para mostrar como sobreviver quando tudo ao redor é destruído.
A tamargueira é um arbusto resistente que cresce em regiões desérticas. Ela sobrevive em condições extremas porque tem raízes profundas que buscam água subterrânea. Vive no meio de cardos, espinhos e areia escaldante. É diferente da tamareira (palmeira que dá tâmaras). A tamargueira representa a capacidade de sobreviver pela fé onde nada mais vive.
Espiritualmente, fugir significa abandonar o pecado, as mentiras do mundo e tudo que está sob juízo divino. Paulo ordenou: “Fugi da prostituição,” “Fugi da idolatria,” “Foge das paixões da mocidade.” É um chamado para sair do sistema mundano condenado e buscar refúgio em Deus. Não é fugir das responsabilidades, mas fugir do que destrói a alma.
A tamargueira capta água onde aparentemente não existe. Ela tem recursos internos que a sustentam quando a superfície é completamente árida. Para o cristão, significa depender de Deus quando não há recursos visíveis. É alimentar-se da Palavra, da oração, da comunhão com Deus – fontes que o mundo não vê mas que sustentam a alma.
A igreja oferece descanso aos viandantes cansados deste mundo. Jesus disse: “Vinde a mim… e encontrareis descanso para as vossas almas.” Em um mundo árido espiritualmente, a igreja deve ser lugar de refrigério, paz e esperança. Assim como o viajante no deserto se alegra ao encontrar sombra, as pessoas exaustas da vida encontram na igreja um refúgio.