Esboço de Pregação em Gênesis 35:16-18 – “E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou o seu nome Benoni; mas seu pai o chamou Benjamim.”
Contexto do texto: Gênesis 35 narra o nascimento de Benjamim, o último filho de Jacó. Raquel, sua mãe amada, morreu no parto. Antes de morrer, ela o chamou de Benoni — “filho da minha dor.” Mas Jacó mudou o nome para Benjamim — “filho da minha destra.”
Tipologia: Este texto oferece uma rica tipologia de Cristo e do Espírito Santo. José, o filho mais velho de Raquel, tipifica Jesus. Benjamim, o filho mais novo, tipifica o Espírito Santo Consolador que foi enviado após a morte e ressurreição de Cristo.
Tema central: Para que o Espírito Santo fosse enviado, era necessário que Jesus morresse — daí “filho da minha dor.” Mas Jesus ressuscitou e está à destra do Pai — daí “filho da minha destra.”
Textos complementares: João 16:7, João 14:16-17, Atos 2:32-33, Hebreus 1:3, Gênesis 37 (história de José), Mateus 3:17.
Sugestão de uso: Estudos tipológicos, mensagens sobre o Espírito Santo, Pentecostes, mensagem sobre figuras de Cristo no Antigo Testamento.
Pregação Tipológica
Este sermão parte de Gênesis 35:16-18 e desenvolve uma tipologia bíblica: José como figura de Cristo e Benjamim como figura do Espírito Santo Consolador. O texto narrativo serve como base para revelar verdades sobre a obra redentora de Cristo e o envio do Espírito.
Nota: Uma abordagem expositiva pura focaria no sentido original do texto — a narrativa do nascimento de Benjamim e da morte de Raquel, extraindo princípios do próprio contexto patriarcal. A abordagem tipológica aqui adotada é legítima e edificante, mas vai além do sentido imediato do texto para fazer conexões cristológicas.
Raquel estava morrendo. O parto havia sido difícil — trabalho de dor intenso. E ela sabia que não sobreviveria.
Mas antes de partir, ela deu nome ao filho que nascia. Olhou para aquela criança pela qual estava dando a vida e disse: “Benoni” — filho da minha dor.
Era um nome marcado pela tragédia. Um nome que carregaria para sempre a memória do sofrimento de sua mãe. Um nome de lamento.
Mas Jacó, o pai, fez algo significativo. Ele mudou o nome da criança:
“Chamou o seu nome Benoni; mas seu pai o chamou Benjamim.” — Gênesis 35:18
De “filho da minha dor” para “filho da minha destra.”
O que parece apenas uma história de nascimento e morte esconde uma das mais belas tipologias das Escrituras. Porque nesse episódio, e na relação entre os dois filhos de Raquel — José e Benjamim — encontramos uma figura de Cristo e do Espírito Santo.
Vamos examinar essa história e descobrir as riquezas proféticas que ela contém.
Jacó tinha duas esposas: Lia e Raquel. Raquel era a amada — por ela Jacó trabalhou catorze anos. Mas durante muito tempo, ela foi estéril enquanto Lia gerava filhos.
Finalmente, Deus se lembrou de Raquel e ela concebeu. Seu primeiro filho foi José — que se tornaria o filho favorito de Jacó, o filho amado.
Anos depois, Raquel engravidou novamente. A família estava viajando de Betel em direção a Efrata (Belém) quando ela entrou em trabalho de parto.
“E, havendo ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Efrata, teve um filho Raquel e teve trabalho em seu parto.” — Gênesis 35:16
O texto diz que ela “teve trabalho” — expressão que indica parto difícil, sofrimento intenso. A parteira tentou encorajá-la: “Não temas, porque também este filho terás” (v. 17).
Mas Raquel não resistiu. Enquanto sua alma partia, ela deu nome ao filho: Benoni.
Benoni — em hebraico, significa “filho da minha dor” ou “filho da minha aflição.” Era o nome dado pela mãe moribunda, marcado pelo sofrimento do parto que lhe custou a vida.
Benjamim — em hebraico, significa “filho da minha destra” ou “filho da minha mão direita.” Era o nome dado pelo pai, que transformou a tragédia em honra.
A mãe viu dor. O pai viu posição de honra.
A mãe nomeou pelo sofrimento. O pai nomeou pela glória.
E nessa mudança de nome está escondida uma profecia sobre Cristo e o Espírito Santo.
Antes de entender Benjamim, precisamos entender José. Porque os dois filhos de Raquel formam uma unidade tipológica.
José era o filho amado de Jacó:
“E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice.” — Gênesis 37:3
Jesus é o Filho amado do Pai:
“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” — Mateus 3:17
Os irmãos de José tinham inveja dele:
“Vendo, pois, seus irmãos que seu pai o amava mais do que a todos os seus irmãos, odiaram-no.” — Gênesis 37:4
Jesus foi traído por seus próprios irmãos — o povo judeu — por inveja:
“Porque sabia que por inveja o tinham entregado.” — Mateus 27:18
José foi vendido por seus irmãos por vinte moedas de prata aos midianitas:
“E venderam José por vinte moedas de prata aos ismaelitas.” — Gênesis 37:28
Jesus foi vendido por trinta moedas de prata aos romanos:
“Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata.” — Mateus 26:15
Os irmãos de José sujaram sua túnica com sangue de um animal e a mostraram ao pai. Jacó concluiu que José estava morto:
“E ele a reconheceu e disse: É a túnica de meu filho; uma fera o comeu; certamente José foi despedaçado.” — Gênesis 37:33
Mas José não estava morto. Estava vivo no Egito, governando como o segundo no poder, logo abaixo de Faraó.
Jesus foi crucificado. Suas vestes ficaram sujas de sangue. Foi tido como morto. Mas Ele está vivo — ressuscitou e governa sobre todas as coisas:
“Eu sou o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre.” — Apocalipse 1:18
Agora podemos entender Benjamim. Enquanto José tipifica Cristo, Benjamim tipifica o Espírito Santo Consolador.
Quando Jacó pensou que José estava morto, ele ficou inconsolável:
“E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas, para o consolarem; ele, porém, recusou ser consolado.” — Gênesis 37:35
Mas Jacó tinha outro filho de Raquel — Benjamim. E enquanto chorava por José, ele se apegou a Benjamim. O filho mais novo se tornou seu consolo.
Quando os irmãos foram ao Egito buscar alimento e José (ainda não reconhecido) pediu que trouxessem Benjamim, Jacó resistiu. Não queria se separar dele:
“Meu filho não descerá convosco… se lhe acontecer algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer as minhas cãs com tristeza à sepultura.” — Gênesis 42:38
Benjamim era o consolo do pai na ausência de José.
Jesus disse aos discípulos:
“Convém-vos que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei.” — João 16:7
Enquanto Jesus estava presente fisicamente, o Espírito Santo não foi enviado em plenitude. Mas quando Jesus partiu — quando foi “tido como morto” pelo mundo — o Consolador veio.
Assim como Benjamim consolou Jacó na ausência de José, o Espírito Santo consola a Igreja na ausência física de Cristo.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” — João 14:16
O primeiro nome de Benjamim foi Benoni — “filho da minha dor.” Raquel morreu para que ele nascesse.
Há um paralelo profundo aqui. Para que o Espírito Santo fosse enviado, era necessário que Jesus morresse.
“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.” — João 12:24
A morte de Cristo foi o “parto” que trouxe o Consolador. Houve dor — dor intensa na cruz. Houve sofrimento — o Filho amado entregue à morte. Mas dessa dor nasceu a possibilidade do Espírito habitar conosco.
“Filho da minha dor” — porque sem a morte de Cristo, não haveria Pentecostes.
Mas o nome não permaneceu Benoni. O pai o mudou para Benjamim — “filho da minha destra.”
A destra é posição de honra, de autoridade, de poder. E é exatamente onde Jesus está agora:
“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas.” — Hebreus 1:3
Jesus morreu — foi o “filho da dor.” Mas ressuscitou e está à destra do Pai — é o “filho da destra.”
E foi dessa posição de glória, à destra do Pai, que Ele enviou o Espírito Santo:
“De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.” — Atos 2:33
A mudança de Benoni para Benjamim é significativa em si mesma.
A mãe, em seu sofrimento, viu apenas dor. O pai, com perspectiva maior, viu honra.
Assim é com a cruz. Do ponto de vista humano, a cruz foi tragédia — dor, vergonha, morte. Mas do ponto de vista divino, a cruz foi vitória — redenção, glória, vida eterna.
Foi o pai que mudou o nome. Não os irmãos. Não a comunidade. O pai.
Assim também, foi o Pai celestial que transformou a tragédia da cruz em glória da ressurreição. Foi o Pai que exaltou o Filho:
“Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” — Filipenses 2:9
Benjamim nasceu na morte de sua mãe, mas viveu. O que parecia fim foi começo.
Jesus morreu, mas ressuscitou. O que parecia derrota foi vitória. O que parecia fim foi começo de algo maior — a era do Espírito, a Igreja, a proclamação do Evangelho a todas as nações.
Há um detalhe tocante na história de José e Benjamim que ilumina ainda mais a tipologia.
Quando os irmãos finalmente trouxeram Benjamim ao Egito, José (ainda disfarçado) teve uma reação emocional:
“E levantou os seus olhos e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse: Este é o vosso irmão mais novo, de quem me falastes? E ele disse: Deus te dê graça, meu filho. E José apressou-se, porque as suas entranhas moveram-se para com seu irmão; e procurou onde chorar, e entrou na câmara e chorou ali.” — Gênesis 43:29-30
José amava Benjamim de forma especial. Eram filhos da mesma mãe. Tinham um vínculo único.
Assim também há um vínculo especial entre Cristo e o Espírito Santo. São Pessoas distintas da Trindade, mas trabalham em perfeita harmonia.
Jesus falou do Espírito com carinho e cuidado. Prometeu enviá-lo. Disse que o Espírito glorificaria a Ele:
“Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” — João 16:14
O Espírito Santo não fala de si mesmo — fala de Jesus. Assim como Benjamim não substituiu José, mas manteve viva sua memória até que ele fosse revelado.
“Chamou o seu nome Benoni; mas seu pai o chamou Benjamim.” — Gênesis 35:18
Neste simples versículo está escondida uma das mais belas tipologias das Escrituras.
José tipifica Jesus — o Filho amado, invejado pelos irmãos, traído, vendido por prata, tido como morto, mas vivo e reinando.
Benjamim tipifica o Espírito Santo — o Consolador enviado na ausência de José/Jesus, o filho que trouxe consolo ao pai.
Benoni — “filho da minha dor” — porque para que o Espírito Santo fosse enviado, era necessário que Jesus morresse. A cruz foi o parto doloroso que trouxe o Consolador.
Benjamim — “filho da minha destra” — porque Jesus ressuscitou e está à destra do Pai. E dessa posição de glória, Ele derramou o Espírito Santo sobre a Igreja.
A história que parecia ser apenas sobre um nascimento trágico e uma morte prematura é, na verdade, um retrato profético do plano de salvação.
Raquel morreu para que Benjamim nascesse.
Jesus morreu para que o Espírito viesse.
Da dor veio a vida. Da cruz veio o Pentecostes. Do “filho da minha dor” veio o “filho da minha destra.”
E hoje, o Consolador está conosco. Ele nos guia, nos ensina, nos fortalece, nos consola. Ele nos lembra de Jesus até que Ele volte.
Bendito seja o Filho da destra!