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O ofício do Profeta – Ezequiel 33:1-6


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O Atalaia e sua Responsabilidade

Esboço de Pregação – “Filho do homem, fala aos filhos do teu povo e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra e o povo da terra tomar um homem dos seus termos e o constituir por seu atalaia; e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo.” (Ezequiel 33:2-3)

Biblia mulher da fe

💡 Como usar este Esboço de Pregação (Ezequiel 33:1-6)

📋 Tipo de Pregação: Textual

🎯 Finalidade: Ensino sobre liderança espiritual e responsabilidade profética — Esta mensagem expõe o papel do atalaia (profeta/pastor) conforme apresentado em Ezequiel 33. Mostra a responsabilidade de quem recebe revelação de Deus: deve transmitir fielmente, mesmo que a mensagem seja dura. Também mostra a responsabilidade de quem ouve: deve dar-se por avisado. É ideal para estudos sobre ministério pastoral, liderança ou quando a igreja precisa entender a seriedade da Palavra profética.

Contexto: Ezequiel profetizou durante o exílio babilônico. Jerusalém estava prestes a cair (586 a.C.), e Deus reafirma a Ezequiel seu chamado como atalaia — o mesmo chamado dado no capítulo 3. O atalaia era um sentinela colocado em lugar alto para vigiar e avisar a cidade de perigos iminentes. Deus usa essa imagem para descrever a função do profeta: ver o que Deus revela e tocar a trombeta para avisar o povo. A responsabilidade é dupla: do atalaia que deve avisar, e do povo que deve ouvir. Recomenda-se a leitura de Ezequiel 33:1-20.


Introdução

A Bíblia diz que o Senhor não faz nada sem antes avisar aos seus servos, os profetas. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7).

Quando o Senhor, na sua onisciência, vê algum mal da parte do inimigo se aproximando — ou mesmo o seu próprio juízo por causa de algum pecado não confessado — Ele revela aos seus servos para que uma oportunidade de arrependimento seja dada.

O Senhor não tem prazer em fazer mal a ninguém. Sua alegria está em que o homem viva em comunhão com seu Espírito. Por isso Ele avisa antes de agir. Por isso levanta profetas. Por isso constitui atalaias.

O texto de Ezequiel 33 apresenta a figura do atalaia — o sentinela que vigia do alto e toca a trombeta quando vê o perigo. É imagem poderosa da função profética: ver o que Deus revela e avisar o povo.

Mas há responsabilidade dupla neste texto. O atalaia que não toca a trombeta será cobrado pelo sangue dos que pereceram. E o povo que ouve a trombeta e não se dá por avisado terá seu próprio sangue sobre sua cabeça.

Vamos entender o ofício do profeta e as responsabilidades envolvidas.


1. O Atalaia: Quem é e qual sua Função (Ezequiel 33:2-3)

O sentinela constituído para vigiar e avisar

“Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; portanto ouve a palavra da minha boca, e avisa-os da minha parte.” (Ezequiel 3:17)

O atalaia era um homem escolhido para se colocar em lugar alto e vigiar toda a região ao redor da cidade. Sua função era de sentinela — permanecer atento a tudo, a fim de avisar através do toque de sua trombeta caso perigo se aproximasse.

A posição era estratégica: no alto, onde podia ver longe. A responsabilidade era imensa: toda a segurança da cidade dependia de sua vigilância. O povo descansava confiado nele.

Deus usa essa imagem para descrever a função do profeta. O profeta é constituído atalaia sobre o povo. Deve se colocar em posição de ver o que Deus revela — através de oração, comunhão, busca da Palavra. E quando vê o perigo, deve tocar a trombeta.

A trombeta é a pregação, a profecia, a exortação. É o som que alerta, que acorda, que chama à ação. O profeta não pode ficar calado quando Deus mostra algo. Deve falar, mesmo que a mensagem seja difícil.

Deus disse a Ezequiel: “Eu te dei por atalaia.” Não foi escolha humana — foi constituição divina. O profeta não se auto-proclama; é chamado por Deus. E uma vez chamado, tem responsabilidade inescapável.

Se você é líder, pastor, profeta — reconheça seu papel de atalaia. Você foi constituído para vigiar e avisar. Não se omita. O sangue dos que não foram avisados pode ser requerido de você. Vigie. E quando Deus mostrar, toque a trombeta.


2. A Responsabilidade do Atalaia: Tocar a Trombeta (Ezequiel 33:6)

O peso de quem recebe revelação

“Se eu disser ao ímpio: Ó ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para desviar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o requererei da tua mão.” (Ezequiel 33:8)

Quando o Senhor revela algo que deve ser transmitido à igreja, aquilo precisa ser dito. Mesmo que pareça duro. Mesmo que vá ferir alguém. Importa fazer a vontade do Senhor e agradá-lo — não ao homem.

O versículo 6 é solene: “Se o atalaia vir que vem a espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo; se a espada vier e levar uma vida dentre eles… o seu sangue demandarei da mão do atalaia.”

A responsabilidade do servo que está à frente é muito grande. O Senhor irá requerer dele os prejuízos da sua negligência. Se viu e não avisou, será cobrado.

O profeta precisa superar laços familiares e de amizade. Precisa ser imparcial, guiado pela revelação. Jeremias enfrentou o rei Zedequias e disse a verdade, mesmo sendo impopular (Jeremias 37:17).

A função do profeta é entregar a revelação, quer seja agradável ou não. O objetivo da profecia é corrigir, instruir e livrar a pessoa daquilo que poderá acontecer caso não acate a Palavra do Senhor.

Mas é importante salientar: o profeta necessita de sabedoria e intimidade com o Espírito. Existem revelações que não se deve passar de qualquer jeito. A sabedoria faz com que a revelação edifique.

Você tem retido revelação por medo de desagradar? Cuidado! A omissão tem consequências. Peça sabedoria para falar, mas não deixe de falar. O sangue dos não avisados será requerido de quem sabia e calou.


3. A Responsabilidade de quem Ouve: Dar-se por Avisado (Ezequiel 33:4-5)

O dever de quem recebe a Palavra

“Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão. Porque o Senhor repreende aquele a quem ama.” (Provérbios 3:11-12)

A responsabilidade não é apenas do atalaia. Quem ouve também é responsável pela sua resposta.

O texto é claro: “Se aquele que ouvir o som da trombeta não se der por avisado, e vier a espada e o tomar, o seu sangue será sobre a sua cabeça” (v. 4).

Se a pessoa ouvir o atalaia e não se der por avisado, desprezando a orientação do Senhor — e a espada vier sobre si — a responsabilidade será dela. O atalaia fez sua parte. Tocou a trombeta.

Às vezes as pessoas acham a palavra dura demais. Acham que a mensagem é pessoal. E por isso rejeitam. Às vezes até se rebelam contra o atalaia, que fez apenas o que o Senhor mandou.

Hebreus 12:5-8 nos exorta: “Não desprezeis a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama.” A correção não é sinal de rejeição — é sinal de amor. Pai que não corrige não ama.

O verso 5 do nosso texto termina com esperança: “Mas o que se dá por avisado salvará a sua vida.” Quem ouve e obedece se livra do juízo. A trombeta tocada e atendida resulta em salvação.

Como você tem recebido a Palavra de correção? Com humildade ou com rebeldia? Deus envia atalaias porque ama você. A trombeta pode soar desagradável, mas vem para salvar. Dê-se por avisado. E salve sua vida.


4. O Coração de Deus: Avisar antes de Julgar (Ezequiel 33:11)

O Senhor não tem prazer na morte do ímpio

“Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor Deus, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva.” (Ezequiel 33:11)

Por que Deus constitui atalaias? Por que levanta profetas? Por que envia avisos antes do juízo? A resposta está no versículo 11: “Não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva.”

O coração de Deus é misericordioso. Ele não deseja destruição. Sua alegria está na conversão, no arrependimento, na vida. Por isso avisa. Por isso dá oportunidade. Por isso levanta homens que tocam a trombeta.

O profeta não é mensageiro de destruição — é mensageiro de salvação. A trombeta não soa para condenar, mas para salvar. O aviso vem antes do juízo justamente para que o juízo possa ser evitado.

Deus poderia simplesmente executar seu juízo sem aviso. Seria justo — o pecado merece punição. Mas Ele escolhe avisar. Escolhe dar tempo. Escolhe enviar servos que clamem: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que morrereis?” (v. 11).

Através do seu Espírito, o Senhor tem revelado tudo que a igreja precisa saber para caminhar segura. A função dos pastores é zelar pela revelação. Receber de Deus e transmitir ao povo. Vigiar e avisar.

E a função do povo é ouvir, arrepender-se e viver. Não endurecer o coração. Não desprezar a trombeta. Não ignorar o aviso.

Reconheça o amor de Deus nos avisos que você recebe. Ele não quer sua destruição — quer sua vida. Cada correção é oportunidade de arrependimento. Cada trombeta é chamado à conversão. Responda com gratidão. E viva.


Conclusão

O ofício do profeta é sério. É ofício de atalaia — vigiar e avisar.

O atalaia é constituído por Deus para ocupar posição estratégica. Deve ver o que Deus revela e tocar a trombeta quando o perigo se aproxima. Não pode se calar. A vida do povo depende de sua fidelidade.

A responsabilidade do atalaia é imensa. Se vir a espada e não tocar a trombeta, o sangue dos que pereceram será requerido de sua mão. Não pode reter revelação por medo de desagradar. Deve falar — com sabedoria, mas deve falar.

A responsabilidade de quem ouve também é grande. Se ouvir a trombeta e não se der por avisado, seu sangue será sobre sua própria cabeça. Não pode rejeitar correção. Deve se humilhar e obedecer.

Mas no centro de tudo está o coração de Deus. Ele não tem prazer na morte do ímpio. Avisa porque quer que o homem viva. A trombeta é instrumento de salvação, não de condenação.

Deus tem levantado pastores como atalaias. Através do seu Espírito, revela o que a igreja precisa saber. Cabe aos líderes vigiar e avisar. Cabe ao povo ouvir e obedecer.

A trombeta está soando. Você se dará por avisado?


FAQ – Perguntas Frequentes

1. Qual a diferença entre profeta e atalaia no texto?

No contexto de Ezequiel, são funções equivalentes. O atalaia era o sentinela físico da cidade; o profeta é o atalaia espiritual do povo de Deus. Ambos têm a mesma responsabilidade: vigiar e avisar. Deus usa a imagem conhecida do atalaia para explicar a função menos visível do profeta. Hoje, pastores e líderes espirituais exercem essa função de atalaias sobre a igreja.

2. O que significa “o sangue será requerido da mão do atalaia”?

Significa que Deus responsabilizará o líder que não avisou. Não é que o atalaia cometeu o pecado da pessoa — mas sua omissão contribuiu para a destruição. Se tivesse avisado, a pessoa teria tido oportunidade de se arrepender. O atalaia negligente compartilha responsabilidade pelo resultado. É princípio sério que mostra o peso do chamado ministerial.

3. Como saber quando devo falar e quando devo calar?

O texto indica que o atalaia deve falar quando Deus revela perigo iminente (espada vindo). Nem toda impressão é revelação de Deus. É preciso intimidade com o Espírito para discernir. A sabedoria governa: algumas revelações exigem momento certo, forma certa, pessoa certa para transmitir. Mas quando é clara revelação de perigo, não se pode calar — fale com sabedoria, mas fale.

4. Se alguém rejeita a mensagem, ainda sou responsável?

Não, se você fielmente transmitiu o aviso. O texto é claro: quem ouve e não se dá por avisado, “seu sangue será sobre sua própria cabeça” (v. 4). O atalaia que tocou a trombeta cumpriu seu dever. A responsabilidade passa para quem ouviu e rejeitou. Paulo disse: “Estou limpo do sangue de todos” (Atos 20:26) — porque não reteve nada do conselho de Deus.

5. Qual o limite entre correção legítima e legalismo?

A correção legítima vem de revelação de Deus, é motivada por amor, visa a salvação da pessoa, e é feita com sabedoria e mansidão. O legalismo impõe regras humanas, é motivado por controle, visa conformidade externa, e é feito com dureza. O coração de Deus (v. 11) é que o ímpio se converta e viva — não que seja esmagado por exigências. Correção verdadeira sempre oferece caminho de volta.


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