Esboço de Pregação em Êxodo 21:2-6 – “Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá, mas ao sétimo sairá livre, de graça. Se entrou só, só sairá; se tinha mulher, sua mulher sairá com ele… Porém, se aquele servo disser: Eu amo a meu senhor, minha mulher e meus filhos, não quero sair forro. Então seu senhor o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre.”
📋 Tipo de Pregação: Tipológica
🎯 Finalidade: Consagração e decisão — Esta mensagem explora a tipologia do servo hebreu que, após seis anos de serviço, podia escolher entre a liberdade ou permanecer com seu senhor para sempre por amor. Aponta para Cristo como nosso Redentor e desafia os ouvintes a fazerem sua escolha: servir por obrigação ou por amor. É ideal para cultos de consagração, renovação de votos espirituais ou momentos de decisão.
Contexto: Na lei mosaica, quando um hebreu se endividava a ponto de não conseguir pagar, um parente próximo podia remir sua dívida. Em troca, o devedor servia por seis anos. No sétimo ano, era liberto. Mas havia uma opção: se o servo amasse seu senhor, podia escolher permanecer para sempre. Sua orelha era furada como sinal permanente dessa escolha voluntária. O pregador deve mostrar como isso aponta para Cristo e para nossa decisão de servi-lo por amor. Recomenda-se a leitura de Êxodo 21:1-11 e Levítico 25:47-55.
Entre as leis dadas a Israel no Sinai, há uma que revela uma verdade profunda sobre nosso relacionamento com Deus. É a lei do servo hebreu.
Na sociedade israelita, era possível um homem se endividar tanto que não conseguia pagar o que devia. A solução era que um parente próximo remisse sua dívida. Em troca, o devedor se tornava servo desse parente por seis anos. Era uma forma de trabalhar para quitar o débito.
Mas ao sétimo ano, algo acontecia: o servo era liberto. Podia ir embora, livre, sem dever nada. A dívida estava paga. A obrigação, cumprida.
Contudo, havia uma opção surpreendente. Se durante esses anos o servo tivesse desenvolvido amor por seu senhor, ele podia escolher não sair. Podia dizer: “Eu amo a meu senhor. Não quero sair forro.” E então, numa cerimônia solene, sua orelha era furada com uma sovela. Aquela marca significava: este homem escolheu ser servo para sempre — não por obrigação, mas por amor.
Essa lei antiga fala de nós. Fala de uma dívida que não podíamos pagar. De um Parente Próximo que a pagou. E de uma escolha que cada um precisa fazer: servir por obrigação ou servir por amor?
“Porque o salário do pecado é a morte”
Versículo de referência: “Foste vendido por nada, e sem dinheiro serás resgatado.” (Isaías 52:3)
O servo hebreu da lei mosaica havia contraído uma dívida impossível de pagar. Sua situação era desesperadora. Não tinha recursos, não tinha como se livrar sozinho. Estava preso à sua condição de devedor.
Essa é a imagem da humanidade. Todo homem contraiu uma dívida quando pecou. E o preço dessa dívida é alto demais: a morte. “O salário do pecado é a morte.” Não morte física apenas, mas separação eterna de Deus.
Desde Adão, todos pecaram. Todos se endividaram. E ninguém tinha como pagar. Boas obras não quitam essa dívida. Religiosidade não alcança. Esforço humano é insuficiente. Estávamos presos, vendidos ao pecado, sem esperança.
A lei de Moisés declarava: “O que for pendurado no madeiro é maldito de Deus” (Deuteronômio 21:23). Essa era a sentença sobre o pecador. Morte. Maldição. Condenação.
É importante entender a gravidade da nossa situação antes de Cristo. Não éramos apenas pessoas com pequenos defeitos. Éramos devedores falidos, condenados à morte, incapazes de nos salvar. Qualquer solução teria que vir de fora — de alguém que pudesse pagar o que devíamos.
Você reconhece a dívida que tinha? Muitos vivem como se não devessem nada a Deus, como se fossem autossuficientes. Mas a verdade é que todos pecamos. Todos estávamos condenados. Reconhecer isso é o primeiro passo para valorizar o resgate que recebemos.
“Porque fostes comprados por bom preço”
Versículo de referência: “Se o seu irmão empobrecer e vender algo da sua possessão, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que vendeu seu irmão.” (Levítico 25:25)
Na lei israelita, quando alguém não podia pagar suas dívidas, um parente próximo — chamado “goel” ou resgatador — podia intervir. Ele pagava a dívida e, em troca, o devedor se tornava seu servo.
O Senhor Jesus é o nosso Parente Próximo. Ele se fez homem, tornou-se nosso irmão, para ter o direito de nos resgatar. “Visto que os filhos participam de carne e sangue, também Ele participou das mesmas coisas” (Hebreus 2:14).
E Ele pagou nossa dívida. Não com prata ou ouro, mas com seu próprio sangue. “Fostes comprados por bom preço.” O preço foi a cruz. O preço foi sua vida.
Ele não era devedor — era livre, santo, sem pecado. Mas escolheu pagar o que devíamos. Tomou sobre si nossa maldição. Morreu a morte que merecíamos. E nos resgatou.
Agora pertencemos a Ele. Não somos mais escravos do pecado — somos servos do Senhor que nos comprou. A dívida foi paga. A sentença foi cumprida. Em Cristo, somos livres da condenação.
Mas assim como o servo hebreu servia por seis anos, nós também temos um período de serviço. A igreja existe há cerca de dois mil anos. A humanidade caminha para o final do sexto milênio. E um “sétimo ano” se aproxima.
Você valoriza o preço que foi pago por você? O Senhor Jesus deu sua vida para resgatá-lo. Isso não é teoria — é realidade. O sangue que Ele derramou pagou sua dívida. Viva como alguém que foi comprado por preço tão alto.
“Porém, se aquele servo disser: Eu amo a meu senhor… não quero sair forro”
Versículo de referência: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19)
Chegava o sétimo ano. O servo tinha o direito de ir embora. A dívida estava paga. Ninguém podia obrigá-lo a ficar. Era livre para recomeçar a vida longe daquela casa.
Mas havia uma opção. Se durante os anos de serviço ele tivesse desenvolvido amor genuíno pelo seu senhor, podia escolher permanecer. “Eu amo a meu senhor, minha mulher e meus filhos. Não quero sair forro.”
Essa é a escolha que cada servo de Cristo enfrenta. Servimos por obrigação ou por amor? Estamos na casa do Senhor porque não temos escolha ou porque escolhemos estar?
Vivemos um período de definição. É hora de cada servo decidir. Quem serviu até aqui apenas por imposição, por tradição, por medo — pode ir. A porta está aberta. Ninguém é forçado a ficar.
Mas quem ama ao Senhor vai escolher permanecer. Não porque é obrigado, mas porque quer. Não por medo do castigo, mas por gratidão pelo resgate. Não por religião, mas por relacionamento.
O servo que saía livre, levava apenas o que tinha quando entrou. Se o senhor lhe havia dado esposa e filhos durante o serviço, estes permaneciam na casa. Espiritualmente, isso significa que quem abandona o Senhor perde os frutos do Espírito, perde a comunhão do corpo, perde o que foi construído na presença de Deus.
Qual é a sua motivação para servir a Deus? Medo? Obrigação? Tradição? Ou amor genuíno? O Senhor não quer servos forçados. Quer filhos que o amam. Examine seu coração. Faça sua escolha consciente.
“Seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre”
Versículo de referência: “Sacrifício e oferta não quiseste; as minhas orelhas furaste.” (Salmo 40:6)
O servo que escolhia ficar passava por uma cerimônia. Era levado à porta da casa, e seu senhor furava sua orelha com uma sovela. Aquela marca permanente dizia a todos: este homem teve direito à liberdade, mas escolheu ser servo para sempre por amor.
A orelha furada era símbolo de ouvido consagrado. O servo estava dizendo: “Meus ouvidos pertencem ao meu senhor. Ouço sua voz. Obedeço suas ordens. Para sempre.”
O salmista profetizou sobre o Messias: “Sacrifício e oferta não quiseste; as minhas orelhas furaste” (Salmo 40:6). O próprio Senhor Jesus assumiu a posição de servo por amor. Ele, que era livre, escolheu servir até a morte.
E nós, ao escolhermos permanecer com nosso Senhor, recebemos uma marca. Não física, mas espiritual. Somos selados com o Espírito Santo. Somos marcados como propriedade de Deus. Pertencemos a Ele — não por imposição, mas por escolha de amor.
E há uma surpresa: quando escolhemos ser servos, o Senhor nos eleva. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos” (João 15:15). Escolhemos ser escravos por amor, e Ele nos chama de amigos. Essa é a generosidade do nosso Redentor.
Você está disposto a ser marcado? A ter sua orelha furada espiritualmente — consagrando seus ouvidos para ouvir apenas a voz do Senhor? Os que escolhem permanecer por amor serão servos para sempre. E serão chamados amigos do Rei.
A lei do servo hebreu é mais do que uma regulamentação antiga. É uma profecia sobre nossa relação com Cristo.
Estávamos endividados — o pecado havia nos condenado à morte. Não podíamos pagar. Não tínhamos saída.
Então veio o Parente Próximo. O Senhor Jesus se fez homem, pagou nossa dívida com seu sangue e nos resgatou. Agora pertencemos a Ele.
Por um tempo, servimos. A igreja caminha há dois mil anos. A humanidade se aproxima do sétimo milênio. E chega o momento da escolha.
Quem serviu por obrigação pode ir. A porta está aberta. Mas quem ama ao Senhor escolhe ficar. Diz como o servo hebreu: “Amo a meu senhor. Não quero sair forro.”
E ao fazer essa escolha, somos marcados. Selados. Consagrados para sempre. Não mais servos apenas, mas amigos do Rei.
“Que darei eu ao Senhor por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmo 116:12). A resposta é simples: nossa vida. Nossa escolha. Nosso amor.
Escolha permanecer. Escolha servir por amor. E sirva para sempre ao Senhor que te resgatou.
O goel era um parente próximo que tinha o direito e a responsabilidade de resgatar um familiar em dificuldades. Isso incluía pagar dívidas, recomprar propriedades vendidas e até mesmo casar com a viúva de um parente para dar continuidade à família (como Boaz fez com Rute). O Senhor Jesus é nosso Goel — nosso Parente Redentor que pagou nossa dívida e nos resgatou.
A orelha furada simbolizava consagração permanente. O servo estava dedicando seus ouvidos ao seu senhor — para ouvir e obedecer para sempre. Na porta da casa, publicamente, ele declarava sua escolha. O furo permanente era testemunho visível de que ele havia tido direito à liberdade, mas escolheu o serviço por amor.
Sim. O texto hebraico diz literalmente “minhas orelhas furaste” (karah oznayim). É uma referência direta à lei do servo hebreu. O salmista (e profeticamente o Messias) está declarando sua disposição de servir a Deus para sempre — não por sacrifícios rituais, mas por entrega pessoal. Hebreus 10:5-7 aplica esse texto ao Senhor Jesus.
Se o senhor havia dado esposa ao servo durante o período de serviço, ela e os filhos nascidos pertenciam à casa do senhor. Espiritualmente, isso indica que os frutos do Espírito, os relacionamentos do corpo de Cristo e as bênçãos experimentadas na presença de Deus não pertencem ao indivíduo — pertencem ao Senhor. Quem abandona a fé perde esses frutos.
É uma decisão diária de colocar Cristo em primeiro lugar. Significa dizer: “Senhor, tenho liberdade para viver como quiser, mas escolho viver para ti. Não por medo, não por obrigação, mas porque te amo.” Essa escolha se manifesta na obediência à sua Palavra, na consagração do tempo, na entrega das áreas da vida. É renovar diariamente o compromisso de servi-lo para sempre.