Esboço de Pregação em 1 Samuel 1:1-18 – “Então Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?” 1 Samuel 1:8
Tipo de Pregação: Textual
Texto Base: 1 Samuel 1:1-18
Ana sofria. Sofria profundamente.
Ela era casada com Elcana, um homem que a amava. Tinha um lar. Tinha provisão. Mas Ana não tinha filhos. E naquela cultura, a esterilidade era mais do que uma frustração pessoal – era um estigma social, uma vergonha pública.
Para piorar, Elcana tinha outra esposa: Penina. E Penina tinha filhos. Muitos filhos. E não perdia oportunidade de provocar Ana por sua esterilidade. “Sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o Senhor lhe tinha cerrado a madre” (1 Samuel 1:6).
Ano após ano, quando a família subia a Siló para adorar, a cena se repetia. A provocação. A dor. As lágrimas. A alma amargurada.
Elcana percebia que algo estava errado. Ele via Ana chorando, recusando comer, com o coração aflito. E tentou ajudar. Fez quatro perguntas:
“Por que choras? Por que não comes? Por que está mal o teu coração? Não te sou eu melhor do que dez filhos?”
Eram perguntas sinceras de um marido que amava sua esposa. Mas eram perguntas que ele não podia responder. Havia segredos na dor de Ana que Elcana não alcançava.
E assim é conosco. Há coisas em nossa alma que as pessoas ao redor não entendem. Elas perguntam “por quê?” mas não conseguem compreender. Só o Senhor sabe. Só Ele vê. Só Ele entende.
Vamos meditar nessas quatro perguntas e descobrir que, para cada uma delas, só Deus tem a resposta.
“Ana, por que choras?” (1 Samuel 1:8a)
Elcana via as lágrimas de Ana, mas não compreendia a profundidade de sua dor. Para ele, talvez parecesse exagero. Afinal, ela tinha um marido que a amava. Tinha provisão. Tinha um lar.
Mas a dor de Ana ia além do que os olhos de Elcana podiam ver. Era o choro de uma alma ferida. O choro de anos de frustração. O choro de quem carrega um peso que ninguém mais sente.
Quantas vezes as pessoas ao seu redor não entendem seu choro? Elas veem as lágrimas, mas não compreendem a origem. Fazem perguntas, mas as respostas não cabem em palavras.
Há um choro que vai além das emoções superficiais. É o choro da alma. O choro que brota das profundezas do ser. O choro que acontece às vezes sem que ninguém veja – ou que acontece por dentro mesmo quando o rosto está seco.
Esse choro, somente Jesus enxerga.
Quando Jesus encontrou a viúva de Naim, que levava seu único filho para ser sepultado, o texto diz: “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores” (Lucas 7:13).
Jesus viu. Jesus se compadeceu. Jesus falou. E Jesus agiu – ressuscitou o filho dela.
O Senhor vê seu choro. Ele conhece a origem. Ele entende a profundidade. E Ele é capaz de fazer cessar as lágrimas.
“Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos” (Salmo 126:5-6).
“E por que não comes?” (1 Samuel 1:8b)
Ana não comia. Mesmo durante a festa religiosa em Siló, quando havia abundância de alimento, ela recusava comer.
Elcana não entendia. A comida estava ali. Por que não comer?
Mas a fome de Ana não era do corpo. Era da alma. E quando a alma está tomada pela angústia, o corpo perde o apetite. A comida física não satisfaz a fome interior.
Quantas pessoas entram na igreja famintas – não de pão, mas de uma palavra para a alma. Buscam em muitos lugares, mas não encontram o que satisfaz. Leem, ouvem, consomem informação – mas continuam vazias.
Por quê? Porque a alma do homem não se alimenta de qualquer coisa. Ela precisa do Pão que desceu do céu.
Jesus disse: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35).
O mundo oferece muitos alimentos. Filosofias, entretenimento, realizações, prazeres. Mas nada disso sacia a fome profunda da alma. Somente Jesus satisfaz.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5:6).
O Senhor sabe do que você tem fome. E Ele é o único que pode saciar.
“E por que está mal o teu coração?” (1 Samuel 1:8c)
Elcana perguntou sobre o coração de Ana. Ele percebia que algo estava errado ali dentro. Mas não tinha acesso. Ninguém tem.
O coração do homem é um território fechado. A filosofia não entra. A psicologia não alcança as profundezas. Os amigos mais íntimos param na superfície. O cônjuge mais dedicado não consegue penetrar completamente.
Às vezes, o exterior sorri enquanto o coração sangra. A aparência está bem, mas por dentro está mal. E ninguém sabe. Ninguém entende. Ninguém vê.
Mas há Alguém que vê. Há Alguém que conhece cada canto do coração humano.
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12).
A Palavra de Deus penetra onde ninguém mais alcança. Ela discerne pensamentos e intenções. Ela conhece os segredos.
“Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento… Pois ainda a palavra me não chegou à língua, e já tu, Senhor, a conheces toda” (Salmo 139:2, 4).
O Senhor sabe por que seu coração está mal. Ele conhece as feridas escondidas. As decepções guardadas. Os medos não confessados. As esperanças frustradas.
E Ele é capaz de curar: “Ele sara os quebrantados de coração e lhes ata as suas feridas” (Salmo 147:3).
“Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1 Samuel 1:8d)
Elcana amava Ana. Ele lhe dava porção dobrada nas ofertas. Ele a tratava com carinho especial. E agora, diante de sua dor, ele oferece a si mesmo como solução: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?”
Era uma pergunta sincera. Elcana achava que seu amor, seu cuidado, sua presença deveriam ser suficientes para preencher o vazio de Ana.
Mas não eram.
Há vazios na alma humana que outras pessoas não conseguem preencher. Por mais que nos amem. Por mais que se dediquem. Por mais que tentem.
O cônjuge mais dedicado não substitui a necessidade que só Deus supre. A família mais presente não preenche o espaço que só o Eterno ocupa. O sucesso mais brilhante não satisfaz o anseio que só o Criador pode saciar.
Elcana era bom. Era amoroso. Era presente. Mas ele não era o que Ana precisava naquele momento. Havia uma necessidade que ia além do que qualquer ser humano podia oferecer.
O salmista declarou: “Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Salmo 16:2).
Agostinho expressou essa verdade de forma memorável: “Tu nos fizeste para Ti, Senhor, e nosso coração está inquieto até que descanse em Ti.”
Não é que as pessoas ao nosso redor não importem. Importam. Não é que as bênçãos terrenas não tenham valor. Têm. Mas nada disso substitui Deus. Nenhuma conquista, nenhum relacionamento, nenhuma realização preenche o espaço que só Ele pode ocupar.
Ana não precisava de dez filhos. Ana precisava de um encontro com Deus. E foi isso que ela buscou: “Ela, pois, com amargura de alma, orou ao Senhor e chorou abundantemente” (1 Samuel 1:10).
E Deus respondeu.
“E satisfeita ficou a mulher no seu semblante, e comeu, e já não era mais triste.” (1 Samuel 1:18)
Depois das perguntas de Elcana, Ana não discutiu. Não explicou. Não tentou fazer seu marido entender o que ele não podia compreender.
Ela foi ao templo. Prostrou-se diante do Senhor. Derramou sua alma em oração. “Eu sou uma mulher atribulada de espírito… tenho derramado a minha alma perante o Senhor” (1 Samuel 1:15).
Ana levou a Deus aquilo que só Deus podia entender e resolver.
O sacerdote Eli a abençoou: “Vai em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste” (1 Samuel 1:17).
E o texto diz que Ana “já não era mais triste.” Antes mesmo de receber o filho, algo mudou nela. A paz veio. A tristeza se foi. A alma encontrou descanso.
Mais tarde, Deus lhe deu Samuel – e através de Samuel, abençoou todo o Israel.
Há coisas em você que ninguém mais vê. Dores que ninguém entende. Perguntas que ninguém responde. Vazios que ninguém preenche.
O Senhor sabe.
Ele vê o motivo do seu choro. Ele conhece a fome da sua alma. Ele sabe por que seu coração está mal. Ele entende que as coisas deste mundo não satisfazem.
E Ele convida você a fazer como Ana: derramar sua alma diante dEle.
Elcana fez quatro perguntas. Perguntas sinceras de quem amava Ana mas não conseguia entender sua dor.
“Por que choras?” – O Senhor sabe, e só Ele faz cessar o choro da alma.
“Por que não comes?” – O Senhor sabe, e só Ele é o Pão que satisfaz a fome interior.
“Por que está mal o teu coração?” – O Senhor sabe, e só Sua Palavra penetra e cura as profundezas.
“Não te sou eu melhor do que dez filhos?” – Nenhum bem terreno substitui Deus. Só Ele preenche plenamente.
As pessoas ao seu redor podem não entender. Podem fazer perguntas que não conseguem responder. Podem oferecer soluções que não alcançam sua necessidade real.
Mas o Senhor sabe.
Ele vê o que está escondido. Ele conhece os segredos do seu coração. Ele entende o que você nem consegue expressar em palavras.
Leve sua dor a Ele. Derrame sua alma em Sua presença. Confie nAquele que conhece você completamente e ama você perfeitamente.
Ana fez isso. E encontrou paz antes mesmo de receber a resposta. Porque o maior presente não é a solução do problema – é a presença de Deus no meio dele.
O Senhor sabe. Descanse nisso.
Ana era estéril em uma cultura onde a maternidade definia o valor da mulher. Além disso, seu marido tinha outra esposa, Penina, que tinha filhos e provocava Ana constantemente por sua esterilidade. Ano após ano, durante as festas religiosas, essa situação se repetia, causando profunda amargura em Ana.
Elcana amava Ana genuinamente e tentava consolá-la. Mas há necessidades na alma humana que outras pessoas, por mais amorosas que sejam, não conseguem suprir. A dor de Ana ia além do que o amor de Elcana podia alcançar. Só Deus conhecia plenamente sua angústia e só Ele podia dar a resposta que ela precisava.
Porque a paz verdadeira não vem da solução do problema, mas do encontro com Deus. Quando Ana derramou sua alma diante do Senhor e recebeu a palavra do sacerdote, algo mudou nela internamente. Ela confiou que Deus havia ouvido. A fé trouxe paz, mesmo antes da resposta visível.
Faça como Ana: leve sua dor a Deus em oração honesta. Derrame sua alma diante dEle. Você não precisa ter palavras eloquentes – Deus entende até o que você não consegue expressar. Confie que Ele vê, conhece e se importa. E descanse na certeza de que Ele responderá no tempo e da forma que for melhor.
Significa que nada em você está escondido de Deus. Ele conhece suas lágrimas, sua fome interior, a condição do seu coração, e os vazios que ninguém preenche. Isso traz conforto: você não está sozinho, não é incompreendido por Deus. E traz esperança: Aquele que conhece perfeitamente sua necessidade é também poderoso para supri-la.