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A Crucificação do Rei – Mateus 27:27-54

É por isso que existe salvação

Pregação Expositiva Narrativa em Mateus 27:27-54 – E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto dele toda a coorte. E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate; E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na sua cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus.

Texto: Mateus 27:27-54
Tema: O Rei que tinha poder para descer da cruz escolheu ficar pregado nela — e é por isso que existe salvação. Propósito: Levar o ouvinte a olhar para a cruz e responder pessoalmente ao Rei que morreu por ele.


Cena

É sexta-feira de manhã, fora dos muros de Jerusalém.

Biblia thompson

Há um lugar ali que todo mundo conhece. Chamam de Gólgota — a caveira. É onde Roma pendura os condenados e deixa os corpos apodrecerem à vista de todos, como aviso. O chão daquele lugar viu a morte de milhares.

E hoje sobem mais três homens para morrer ali.

Mas um deles é diferente. Ele passou a noite acordado. Enfrentou quatro julgamentos. Apanhou dos guardas do templo. Apanhou dos soldados. Passou pelo açoite romano — aquele que arranca a carne das costas em tiras. Cuspiram nele. Riram dele. Enfiaram espinhos na cabeça dele. E o obrigaram a carregar a própria cruz até as pernas não aguentarem mais.

Agora eles o jogam de costas contra a madeira. Um soldado apalpa o pulso, procura o ponto certo, e crava o prego.

A Bíblia conta tudo isso em duas palavras: “E o crucificaram.”

Fica com essa imagem na cabeça. Porque tem um detalhe nela que muda tudo: esse homem podia descer daquela cruz a qualquer segundo. Tinha poder para isso. E não desceu.

Vamos entender por quê.


Movimento 1 — Ele tinha poder e não revidou

“E, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam.” (Mateus 27:29)

Aquilo não foi só execução. Foi humilhação de propósito.

Puseram um manto de zombaria nas costas dele. Cravaram uma coroa de espinhos na cabeça. Colocaram uma cana na mão como se fosse um cetro de brinquedo, ajoelharam-se rindo, e depois pegaram essa mesma cana e bateram na cabeça dele, enfiando os espinhos mais fundo.

E o que esse homem fez?

Nada. Não revidou. Não amaldiçoou. Não ameaçou ninguém.

Isaías tinha dito isso setecentos anos antes: “como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a sua boca.” (Isaías 53:7)

Agora entenda o tamanho disso. O próprio Senhor Jesus tinha dito que podia chamar “mais de doze legiões de anjos” (Mateus 26:53). Uma legião romana tinha até seis mil soldados. Doze legiões de anjos — força para apagar Jerusalém num instante.

Pendurado na cruz, sangrando, com a carne aberta, Ele ainda era o Criador de tudo. Uma palavra e os soldados que o pregaram viravam pó.

E Ele não disse essa palavra.

Vira para você. Você se acha forte porque revida. Porque não leva desaforo pra casa. Mas pensa direito: qualquer um revida. O homem mais fraco do mundo revida quando é atacado — isso é reflexo, não é força. Força de verdade é ter poder para destruir e escolher não usar. Quando foi a última vez que você teve razão, teve poder de revidar, e escolheu não revidar? Se a resposta é “nunca”, talvez você não seja forte. Você só é reativo. E reagir é a coisa mais fácil do mundo.


Movimento 2 — Ele ficou culpado no seu lugar

“E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona. E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:45-46)

No meio do dia, o céu escureceu por três horas.

E naquela escuridão aconteceu algo que os pregos nem chegam perto de explicar. O pior não foi no corpo. Foi na alma.

A Bíblia diz: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós.” (2 Coríntios 5:21) Naquele momento, todo o pecado do mundo foi jogado sobre aquele homem. Não os pecados dele — Ele não tinha nenhum. Os seus. A mentira que você contou. A traição que você fez. Aquilo que você fez escondido e jurou levar pro túmulo.

Tudo isso foi colocado sobre Ele.

Por isso o grito: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Pela primeira vez na eternidade, o Filho sentiu a separação do Pai — porque estava carregando exatamente aquilo que separa todo homem de Deus.

Deus tratou aquele homem na cruz como se Ele tivesse cometido cada pecado que você já cometeu — para poder tratar você como se você nunca tivesse pecado.

Vira para você. Você carrega coisa que ninguém sabe. Todo homem carrega. Aquilo que você enterrou fundo, que disfarça com trabalho, com distração, com qualquer coisa que impeça você de ficar sozinho com seus próprios pensamentos. Escuta: Deus já sabe. Já viu tudo. E mesmo sabendo, colocou tudo isso sobre o próprio Filho na cruz — pra você não ter que carregar sozinho até morrer. Você tem passado a vida tentando pagar sua própria conta com esforço e aparência de homem bom. Não funciona. A conta é grande demais, e alguém já a pagou.


Movimento 3 — Ele terminou o trabalho

“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.” (Mateus 27:50-51)

Quando Ele morreu, não foi como quem se apaga aos poucos.

A última palavra dele foi “Está consumado.” (João 19:30) No original é uma palavra só — escrita nos recibos quando uma dívida era paga por inteiro. Quitado. Não deve mais nada.

Não foi gemido de derrota. Foi grito de trabalho terminado. Ele não morreu porque a cruz venceu. Morreu porque a obra estava pronta — e Ele mesmo entregou o espírito, no controle até o fim.

E na hora que morreu, duas coisas provaram o poder daquilo. O véu do templo — aquele véu grosso que separava o povo do lugar mais sagrado — rasgou de cima para baixo, mostrando que foi Deus quem rasgou, não homem. O caminho até Deus foi aberto. E a terra tremeu, e as pedras se partiram.

E um soldado romano durão, que já tinha visto centenas de homens morrerem naquela cruz, olhou para aquilo e disse: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” (v.54)

Vira para você. Você respeita quem termina o que começa. Despreza o que larga o serviço no meio, que promete e não cumpre. No fundo, você quer ser o homem que termina. O Rei terminou — aguentou até poder dizer “está consumado”. E você larga as coisas porque “cansou”, porque “não deu”. Se Ele terminou aquilo pregado numa cruz, você consegue terminar o que Ele colocou na sua frente.


A virada

Todo mundo pergunta “por que Jesus morreu?” e responde bonito: “por amor”, “pelos pecados do mundo”. Ninguém discute isso.

Mas tem uma pergunta que quase nenhum homem tem coragem de fazer olhando pra dentro:

Se Ele morreu por mim, por que eu vivo como se isso não tivesse custado nada?

Pensa. Se um homem entrasse na frente de uma bala por você, você viveria o resto da vida diferente. Não conseguiria esquecer. Cada dia teria peso.

O Rei fez muito mais que entrar na frente de uma bala. E a maioria dos homens que se dizem cristãos vive exatamente igual a quem nunca ouviu falar dele.

Ele podia ter descido da cruz. Tinha poder. Doze legiões de anjos esperando a ordem. Não desceu — porque se descesse, você não teria salvação. Ele ficou pregado ali por você. Pela sua conta. Para abrir o seu caminho até Deus.


Apelo

O centurião olhou para a cruz e reconheceu o Rei.

Hoje é a sua vez de olhar.

O Rei não está pedindo que você seja perfeito. Está pedindo que você reconheça o que Ele fez, se arrependa do jeito que tem vivido, e o receba como Senhor e Salvador.

Se você nunca fez isso, hoje pode ser o dia. E se você já fez, mas tem vivido como quem esqueceu o preço — hoje é o dia de voltar.

O que você vai fazer com o Rei que morreu por você?


Frase para fechar

Ele tinha poder para descer e escolheu ficar. Ficou pregado ali não porque não podia sair — mas porque, se saísse, você ficaria perdido. A cruz não foi o lugar onde o Rei perdeu. Foi o lugar onde Ele terminou.


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Eduardo Chaves

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